Sobre Alanis…

Você já acompanhou a carreira de algum artista que escreve o que você sente e canta sobre o que você vive?

Se isso acontece desde os seus treze anos de idade, talvez você vá entender o que eu sinto quando posso ver de perto uma das figuras mais importantes para a formação do que sou hoje. Parece exagero, mas a arte da poesia e da música toca algumas pessoas dessa forma, além de juntá-las por sintonia. E é essa a imensidão de coisas que Alanis representa para mim.

De suas músicas mais pessoais até alguns de seus pensamentos e opiniões mais peculiares, dadas em entrevistas, a sintonia, simpatia e compatibilidade é incrível. Seu senso de humor, de urgência, forma de expressão e interesses são muito parecidos aos que compartilho com os amigos mais próximos. Não é apenas uma pessoa bonitinha com músicas pegajosas. É alguém que me pagou por falar verdades sobre o que eu também sinto. Sobre e vida. Sobre relacionamentos. Sobre família. Sobre o que existe e pode existir nas mais variadas estâncias.

É estranho se reconhecer em alguém tão ausente e presente em sua vida, mas é isso que ela é para mim.

Quando ela está por perto, tudo vira um turbilhão. Os dias passam voando, as informações caem como bombas. As possibilidades trazem ansiedade e fazem suspense. Será?! a vontade de ver. De ouvir. De abraçar. De agradecer. Ela muda tudo em um giro de 180º. Me transforma em adolescente novamente e assim faço algumas das coisas que os poucos anos a mais já me inibem. Me empenho, me dedico e me esforço, reunido a todos que mais amo.

Meus amigos ficam mais presentes e a sintonia fica mais interessante. Faço minhas viagens e temos nossas conversas. Relembramos não só a carreira dela, mas tudo que nos levou até ali. As festas, as brigas, os momentos e as lembranças. Alanis está tão entrelaçada a tudo que sou, que é difícil pensar em algo do qual ela não tenha a ver. Ela me trouxe as pessoas que mais amo, e marcou outras com algo que já escreveu/cantou e cabe perfeitamente ali.

Não sou mais daqueles que chega cedo para querer um lugarzinho na grade. Entendo a mágica de curtir as músicas da minha vida. A minha trilha sonora. Relembrar as coisas que estas músicas marcaram em cada época é especial, e fica difícil segurar o choro em alguns momentos.

Gosto de saber que Alanis está por aqui e que vivo em uma fase que me permite aproveitar tudo com mais responsabilidade e tranquilidade — apesar de ser repreendido quando digo que vou a seis shows de sua turnê pelo país. Ela está aqui e eu quero aproveitar.

O Encontro com Alanis

Assim como em 2009, tive oportunidades de revê-la de perto. E nada superará esta oportunidade de poder abraça-la, ainda mais quando você a sente te abraçando forte e com vontade. Alanis está diferente, mais disposta e aberta a seus fãs. Após muita guerra, pude conhece-la no meet & greet da T4F, no Rio de Janeiro. Minutos antes de subir ao palco fomos levados aos bastidores. Ela recebeu grupos de seis em seis pessoas, para fotos e um pequeno papo.

Vinha abraçando um por um e já não conseguia me conter enquanto ela abraçava minha amiga Aline, logo a minha frente. O abraço delas foi longo e apertado, dava para perceber. Enquanto isso, ela me olhava com um sorriso lindo. E eu já comecei a falar, sem esperar pelo meu abraço. Disse para ela o quanto aquele momento era incrível, afinal aquela era uma das minhas melhores amigas — com quem tive um fã clube da Alanis há muitos anos.

Começamos então a conversar, dissemos que a ouvíamos desde 1995 — e ela disse que deveríamos ser muito pequenos na época, sorrindo — e que tínhamos o tal fã clube. Disse que havia dado um livro para ela em São Paulo e ela disse que tinha adorado ganhar aquele livro como presente. E então lembrei que ela não havia me abraçado e bateu aquele aperto. Estava ali, e ela poderia virar para o lado a qualquer segundo. Perguntei, muito sem graça, se poderia lhe dar um abraço. Ela respondeu me puxando para ela, passando a mão por trás de minhas costas, colocando a cabeça sobre meu ombro.

Foi um dos abraços mais apertados e gostosos que já recebi, senão o mais. Com certeza inesquecível, como o abraço de um verdadeiro amigo — afinal, é isso que ela é. Logo em seguida ela autografou um de meus CDs e a foto que minha amiga carregava, se despedindo.

O tempo passou rápido, até por ser pouco mesmo. Queria ter feito tanto mais, mas a presença dela ali já muda tudo na sua cabeça. Te tira do chão, embaralha os pensamentos. Queria ter dado as mãos para ela, tocar as mãos que escrevem as letras que eu amo ouvir e que tanto me ensinaram sobre mim mesmo. Dizer algumas palavras sobre o que ela significa, sobre o quanto ela me salvou. Mas tenho certeza que ela sabe e que entende todo o contexto.

Disso tudo, tiro apenas uma lição: Eu recomento a todos um encontro com uma pessoal que mais lhe inspira na vida.

Fotos: Chevrolet Master Hall, Belo Horizonte — 09 de setembro de 2012

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