Sobre I love Paraisópolis, seu novo amor das sete

Nova novela das sete recicla clichês de maneira divertida, mas demora a empolgar

E finalmente terminou Alto Astral. Aquela novela que ninguém se lembra direito sobre o que era, mas que tinha o Thiago Lacerda continuando sendo um ator ruim. Ele já não era bom nos tempos de Terra Nostra. Continua não sendo bom atualmente. E com o fim da traminha à la A viagem soft version, entrou no ar I love Paraisópolis. E de cara, surgem as desconfianças.

Pra começar, o autor é o Alcides Nogueira. A única coisa que me vem à mente quando ouço esse nome é o Eriberto Leão vivendo um extraterrestre e abduzindo a Natália Lage na pavorosa O amor está no ar. Porque nada justifica transformar o Eriberto Leão em uma extraterrestre que mais parecia um figurante do filme Nosso lar.

Sintam o drama do Eriberto Leão nessa novela! [a imagem está em baixa resolução porque não encontramos outra melhor, mas já dá pra você perceber do que estamos falando]Fazer tramas sobre favelas. Essa parece ser a palavra de ordem na Rede Globo. Babilônia já aborda uma grande comunidade carioca. Agora é a vez de I Love Paraisópolis falar sobre uma favela paulista. Não a toa personagens das duas novelas odeiam a vista de seus apartamentos que dão direto para a favela. Alô, seu Alcides, Babilônia está no ar há mais tempo. Boralá fazer uma pesquisa no trabalho dos amiguinhos pra evitar repetições?

Faz um tempo que as novelas da Globo vem errando no casting. Quem é que compra a Bruna Marquezine como uma suburbana? Não cola, gente. E o pior é escalar o Caio Castro como o chefão da comunidade. Desde quando aquela cara de bebê de comercial da Johnson serve pra ser chefão do que quer que seja? Não convence. E o protagonista? Maurício Destri só tem uma serventia básica na novela: ser lindo. E aparecer sem camisa sempre que for possível. E ainda tem a Tatá Werneck, que todo mundo ama, mas que continua falando tão rápido quando o locutor de propaganda de remédio.

O sotaque nordestino que só é falado nas novelas da Globo, a gente já conhecia. O sotaque mineiro, também. Até o italiano! Agora, I love Paraisópolis apresenta o sotaque paulistano feito por quem é carioca. E só tem uma coisa a ser dita: para que tá feio. Desse jeito, não tem como te defender. Os dois piores são o do Caio Castro e o da Letícia Spiller. Mas o da ex-Paquita é pior. De onde é que eles tiraram que aquilo ali é o que se fala em São Paulo? Aquilo ali está mais para vilã da Disney antes da parceria com a Pixar.

James Blunt sai de cena e agora surge um novo músico com baladinhas mela-cueca: Ed She-Ra. O hobbitt tem uma de suas canções na novela e, pra piorar tudo, é a música tema dos protagonistas. É só eles se encontraram para subir o solo do violão e When your legs don’t work like they used to before. Fora de brincadeira: em um único episódio, a música foi executada mais de quinze vezes. QUINZE VEZES! É demais. Já temos a candidata do ano a chiclete sonoro.

E o roteiro é tão clichê, sabe. A velha história da menina pobre que se apaixona pelo menino rico, que tem uma mãe megera e uma noiva ainda mais megera. Parece Maria do Bairro e afins, mas é só uma novela “moderna” brasileira. Se bem que a Globo tem é que investir mesmo no mais do mesmo. Afinal, toda vez que tenta fazer algo novo, o povo do sofá reclama, não dá audiência e obriga os autores a mudar o formato. Cada povo tem a novela que merece.

Forte argumento para assistir a I love Paraisópolis

Sobre I love Paraisópolis, o seu novo amor das sete, só há uma coisa ser dita: demorou pra empolgar. E em tempos tão ágeis, uma coisa que demora para engatar é facilmente descartada.

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