Space tem a série dramática nacional do ano: Zé do Caixão

Série em seis episódios conta história de dois grandes personagens do cinema nacional, Zé do Caixão e José Mojica Marins.

O que é a vida? É o princípio da morte. E o que é a morte? É o fim da vida. O que é a existência? É a continuidade do sangue. E o sangue é a razão da existência.MARINS, José Mojica

Alguns personagens marcam tanta presença que fazem parte do folclore imagético nacional.

Zé do Caixão é o melhor exemplo. Quem não se assustou com suas unhas longas, seu discurso pausado sinistro e sua feição de terror? É marcante por ser simples. Tão simples quanto seu criador. Ou tão simples como seria um Saci, uma Sereia ou um Lobisomem. Nosso Zé carrega personalidade e gera uma imagem que fica gravada.

Não é um vampiro. Não é nada que já existia. É produto original made in Brazil. Forte como nossa cachaça — e tão viciante quanto ela pode ser para alguns. Tentar elaborar em cima de algo tão elementar poderia ser um tipo no pé. Mas o canal Space acertou o alvo na mira.

A série estreia sexta-feira 13 (de novembro, às 22h30). E não poderia haver data melhor. Conta a história do mítico José Mojica Marins, ícone do cinema brasileiro e criador do famoso personagem, que transformou a cena do terror nacional com um cinema tímido e subdesenvolvido, a partir de 1960.

Zé do Caixão

O mais complexo da produção é a atuação de Matheus Nachtergaele. Extraordinário!

É o tipo de trabalho que arranca o título de ator, ou de imitador. Matheus transcende sua figura profissional e encarna Mojica a ponto de anular suas feições físicas, sua personalidade e seus trejeitos. O que você vê é José. Aliás, o que você vê, o que você ouve e o que você sente.

Em seis episódios a série mostra a carreira de Mojica e daqueles que estavam a seu redor, vivendo seus causos. Conhecemos sua criatividade ingênua e quase infantil para solucionar problemas com a mágica dos poucos recursos e da câmera do cinema. Veremos como ele evolui de temas simples, tentando sobreviver, à transgressão, com assuntos sensíveis até hoje.

Cada episódio completa um momento de sua carreia. Assim, teremos os bastidores de seis filmes: A Sina do Aventureiro, seu primeiro longa; À Meia-Noite Levarei Tua Alma, que marca a estreia do personagem de Zé do Caixão; Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, com o grande retorno do Zé.

Os próximos três episódios marcam a fase mais ousada e “refinada” do cineasta, com O Ritual dos Sádicos, também conhecido como O Despertar da Besta; Perversão e 24 Horas de Sexo Explícito, que apresenta a primeira cena de zoofilia do cinema nacional.

Diferente de seus filmes, o clima da série é leve e mostra todos os anos de construção não apenas dos filmes, mas do personagem e do profissional que José Mojica Marins se tornou. Logo no primeiro episódio conhecemos suas táticas de preparação de elenco, dando aulas de teatro na Apolo, sua produtora de cinema situada no centro de São Paulo.

Impossível não fazer um paralelo com igrejas evangélicas. No final, tanto Mojica quanto o pastor querem uma coisa: dinheiro.

Naquela época Mojica precisava vender cotas de seus filmes, papéis na história e até mesmo o título das obras. Tudo acompanhado de muita criatividade, para contornar as situações mais adversas — e que hoje podem ser resolvidas no computador.

A dificuldade encarada pelo cineasta literalmente extravazou sua criatividade e deu origem a seu bem mais valioso. Para abrir caminhos em uma época difícil, encomendou um descarrego que, junto aos pensamentos de uma noite mal dormida, trouxeram Zé do Caixão à vida. Um pesadelo que se torna realidade.

Além do excelente Matheus Nachtergaele, completam o elenco Felipe Solari, Maria Helena Chira, Anamaria Barreto e Walter Breda.

A série é baseada no livro biográfico Maldito — A Vida e o Cinema de José Mojica Marins, escrito em 1998 pelos jornalistas Ivan Finotti e André Barcinski — que assina o roteiro do seriado, com Ricardo Grynszpan e o diretor Vitor Mafra.

Facilmente a melhor estreia nacional em drama. E que leve todos os prêmios que a genialidade de Mojica merece levar. Com certeza serão muitos.

Por Bruna Bido e Caio Fochetto.
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