Spin-Off: uma arte para poucos

Por Erika Ribeiro

Fazer um bom spin-off é uma arte, não adianta só ter uma boa base e depois jogar qualquer idéia perdida em cima. Tem que ralar, arrumar um elenco aproximadamente a altura da série de origem, pegar um personagem da série original ou fazer com que um personagem da série nova entre durante algum tempo na série-mãe, isso tem que ter.

Tudo tem por base uma matemática exata que, para mim, funcionou bem, muito bem mesmo apenas em He-Man quando este deu origem a She-Ra, mas isso é épico, é algo que não se repetiu mais e por isso aqui vou tentar abordar esse mundo estranho e sinistro das séries filha, ou spin-off.

Como esse é um tema muito complexo, dividirei esse post em duas partes. A primeira tratará de fenômenos estranhos ocorridos em alguns spin-offs e a segunda sobre o melhores e piores nessa arte.

Lembrando a todos que não tratarei aqui das “séries-coelho”, aquelas em que de uma saem diretamente 34 séries avulsas apenas com um subtítulo para diferenciar, vide Lei e Ordem (Law& Order).

Séries que quase foram coelhos

Primeiro caso: Cheers foi uma das séries mais badaladas e, até hoje, é tida como uma série espetacular. A premissa é bem simples e acho que poderia se passar no Brasil facilmente, pois é uma galera que se encontra em um bar tradicional, o tal Cheers do título. Eu vi alguns episódios e não achei nada demais, mas desta série saíram 2 spin-offs. O mais engraçado é que o primeiro, chamado The Tortellis, que contava a vida de um caloteiro que fez participação em meia dúzia de episódios da série. Claro, que isso não acabou bem, ele era chato e sem carisma e foi um fiasco tão grande que as pessoas fingem que não existiu e quando lembram é somente para por em uma lista de piores spin-offs de todos os tempos.

Mesmo assim, tempos depois da primeira tentativa, eles resolveram apostar mais uma vez e então saiu a terrivelmente boa Frasier, série que contava as histórias familiares de um dos mais queridos clientes do bar Cheers. O Dr. Frasier Crane (Kelsey Grammer) era um psiquiatra que, após o fim de seu casamento, resolve voltar a sua terra natal Seattle onde vira dono de um programa de rádio.

O outro caso é Hercules: The Legendary Journeys, ou somente Hércules aqui no Brasil, onde ficou famosa no SBT e pelo canal USA.

Hércules nasceu para ser sucesso, afinal, quem não gosta de briga, deuses gregos e gente super-poderosa? Por isso, com o tempo e o surgimento de uma vilã sensacional que colocava Hércules em sérios problemas resolveram redimir a tal e dar a ela como prêmio uma série, daí nasceu Xena: Warrior Princess uma tentativa de se aproveitar do sucesso da série principal usando o pretexto bônus de mulheres hot lutando e com insinuações entre elas. O que aconteceu? Claro que a série superou a sua matriz e virou sensação, apesar de muito verem Xena escondidos e não admitirem. Todo mundo já viu a série, sem contar que as suas histórias são muito mais interessantes que as de Hércules.

Após Xena ter ganhado força, resolveram que Hércules é que era demais e fizeram um novo spin-off chamado Young Hercules (O Jovem Hércules). Durou 1 temporada sofrível, chata, sem graça e, sem mulheres lutando, não teve graça. Ficou provado que a força de Xena era dela e não mais de Hércules, sendo assim, ela superou a série da qual saíra.

A arte de “Re-Spin-offar” (verbo de minha própria autoria)

Poucas séries no mundo conseguem ter uma seqüência de sua seqüência e duas séries tiveram a meu ver essa alegria, entretanto uma para mais, outra para menos.

Beverly Hills 90210, ou Barrrados no Baile para os íntimos, nasceu como uma série teen e viveu como “A série teen” de todos os tempos. Ela deu muitas alegrias aos fãs, trazia enredos interessantes e polêmicos. Os dramas dos irmãos Brandon (Jason Priestley) e Brenda Walsh, antes da Shannen Doherty ser expulsa da série como de todas que ela fez até hoje, eram o foco, mas o que acabou levando a série a dar uma cria maravilhosa foram os amigos de West Beverly, em particular Kelly Taylor (Jennie Garth) que acabou tendo um caso com um cara mais velho chamado Jake e isso serviu como meio de introduzir a trama, bem mais adulta e maluca de Melrose Place.

Melrose fez um sucesso incrível desde o início e a saga do moradores do prédio mais “bombado” de West Hollywood deu altos índices fazendo que, com isso, surgisse novamente a vontade de “spin-offar” e foi o que aconteceu: o spin-off teve seu spin-off introduzido através de Amanda Woodward (Heather Locklear) que ajudou sua mãe Hillary Michaels (Linda Gray), com sua agência de modelos, a Models INC, título da série. Contudo, mesmo com o aval de Melrose, ela foi um fiasco homérico e acabou sendo cancelada em sua 2ª temporada.

A outra série que conseguiu essa proesa foi JAG (Ases Invencíveis). A série que contava os casos e investigações de advogados da Marinha americana, sempre me atraiu e acho muito interessante toda a série, os personagens eram bonitos, a trama tinha tiros e suspense na medida certa e um casal vai-não-vai que todos torciam: Harm (David James Elliott) e Mac (Catherine Bell). Contudo, depois de algumas temporadas, ela deu fruto a uma nova história dentro deste mesmo universo, que foi NCIS, um misto de JAG e CSI (que era o que existia de mais moderno e

bem sucedido, na época). O sucesso foi imediato, todos os fãs de JAG gostaram de NCIS e os fãs de CSI também e, com isso, surgiu a idéia de fazer uma nova NCIS nos moldes da franquia CSI: um novo lugar o mesmo tema.

NCIS — Los Angeles tem tudo do mesmo, mas trás como bônus dois astros conhecidos: o rapper LL Cool J e Chris O’Donnell, o Robin de George Clooney. Dessa fórmula surgiu um novo arrasa-quarteirões e esta agora é uma das novas séries mais vistas em 2010. No caso de JAG, o sucesso foi aumentando cada vez mais a cada re-spin-offada.

O Spin-off da série e o Spin-off do remake

Battlestar Galactica (1978–1979)

Foi criada por Glen A. Larson, criador de seriados como O Homem de Seis Milhões de Dólares, A Supermáquina, Buck Rogers e Manimal, expert em ficção. Ele tentou de maneira brilhante transpor o glamour que o cinema da época fazia com os filmes sobre o espaço para a telinha e ao criar a história da saga das 13 tribos — os Cylons e toda a mitologia em volta da nave de combate Galactica, ele fez com que todos fossem trasnportados para um mundo de ação e aventura. Os cowboys agora eram espaciais e isso era o que a série passava.

A série fez pouco sucesso, além de ter um custo alto de produção, e assim como sua antecessora nesse campo — Star Trek — acabou sendo cancelada, mas deixou muitos fãs e se tornou cult, fazendo assim nascer em 1980 um spin-off chamado Galactica 1980.

A série nova acabou sendo um erro, pois além de um roteiro risível, ela se passava em outra época e não trazia personagens ícones como Apollo, Athena, Starbuck e Baltar. Mas o culto a Battlestar original continuava intacto e, por isso, em 2004 resolveu-se fazer uma nova tentativa, não de um spin-off , mas de um remake. Battlestar Galactica (2004) começou humildemente e acabou causando polêmica por mudar o sexo de um dos personagens mais queridos, Starbuck, que agora era uma mulher, a atriz Katee Sackhoff. Contudo, após a 1ª temporada, a série ganhou força e acabou sendo muito melhor que a original, dando mais profundidade a trama, além de reforçar o mito da nave Battlestar, por isso, nada mais justo que um spin-off desta nova versão.

Eis então que surge Caprica, o nome de uma das colônias tão faladas desde 1978. A série conta a história antes de Battlestar e tudo o que ocorreu sobre a criação dos cilônios. Ela não tem um grande número na audiência, mas com certeza a sua fotografia, tratamento, design e enredo são tão dignos quanto da sua predecessora, merecendo o respeito de todos.

Espero que tenham gostado de saber mais sobre essas séries que, a princípio, parecem apenas estar tomando o caminho mais fácil, que é o do já começado, mas na verdade, pode ser o mais difícil, pois o telespectador não compra qualquer coisa depois de ter uma base tão boa.

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