Star é a diva que copiou

Nova série musical de Lee Daniels, Star mira no sucesso de Empire, mas acerta no mote de Glee.

Com o sucesso de Empire, a FOX apostou suas fichas em mais uma série musical de Lee Daniels. Ou seja, os erros são praticamente os mesmos. Essa vai ser a dificuldade de Star, encontrar o seu próprio lugar diante do gigantismo da Dinastia Lyon na TV.

O que não quer dizer que já nasceu fadada ao fracasso. O único desencontro foi a divulgação: Star está mais para Glee do que Empire. Os personagens e a história são densos, como o primeiro sucesso de Lee Daniels na TV, mas a parte musical — que é o maior destaque — tem o mesmo apelo lúdico da comédia de Ryan Murphy. É um elemento importante porque indica o sonho das meninas em serem grandes cantoras, assim como Rachel Berry e os seus colegas do Novas Direções.

INGOAL!

Meninas sem destino

Star acompanha a história de três meninas que se mudam para Atlanta movidas pelo desejo de se tornarem a nova sensação da música.

A protagonista — que nomeia a série — é um jovem sem medo, sem papas na língua, e que corre atrás do seu destino. Ela é acompanhada da irmã, Simone, cujo interesse maior é se reconectar com a mãe (morta quando a menina era criança, por overdose). Alexandra completa o grupo e tem a indústria musical no sangue: ela é filha de um grande cantor (que calha de ser o Lenny Kravitz).

Tudo corre bem até que a Síndrome Destiny’s Childs atinge as garotas. Star quer ser Beyoncé (mas acerta em Valesca Popozuda, o que não é de todo um mal), Alexandra não quer ser Kelly Rowland, e Simone não se importa nem de ser a Michelle. Uma com ambição de mais, outra de menos, e cada uma com um propósito para o grupo. Isso promete ser um cabo de guerra mais para frente.

Juntou atitude…
…com rebolado…
…mas saiu Dreamgirls!

O problema do episódio piloto é que, embora como Empire, tenha servido de apresentação para as personagens, o ritmo foi bem lento. Demorou para algo relevante de fato acontecer, e olha que nos primeiros minutos a moça enfia uma faca no pai adotivo da irmã. É ai que o sinal vermelho tem que acender: Lee Daniels deve usar sua primogênita de exemplo e perceber o quanto antes que o ritmo precisa acelerar para caber tudo em 10-13 episódios.

Nossa Senhora Carlotta dos Cantores Afortunados

Queen Latifah deveria ser o grande destaque da série, mas se você espera uma performance a lá Cookie Lyon para Carlotta, parem já. Ela é uma mãezona, acolhe as meninas e a comunidade, mas última coisa que ela quer é se ver envolvida com a fama (de novo).

Seu passado envolve a mãe de Star e Simone, e o seu ex-empresário Jahil. Pra deixar as coisas ainda mais complicadas (de uma forma bem mais natural do que Empire faz), o destino do novo grupo se cruza com o do cara, e ela desaprova essa parceria. Novamente, o piloto caminha de uma forma tão lenta que você não percebe de cara o quão profunda ela é, mas espera-se que os próximos episódios deixem o talento e a voz de Latifah falarem um pouco mais alto.

Mexam com ela… Não sabem o que tem nessa bolsinha

Romance, drogas e representatividade

Um bom Romeu e Julieta não pode faltar, então de cara Alexandra e Derek prometem ser o casal fofo e complicado da série. Só que enquanto ele tem a mente na vida da sua comunidade, ela quer ir além, uma hora isso vai se divergir, eles vão se separar, a gente vai sofrer, e por ai vai. Mas casais não é o forte de Lee Daniels, então não espere que isso demore muito para acontecer.

Simone é motivada através do vício, e isso é tão fluído no episódio que é quase sem importância. Alguém tem que dar limites a ela, mas ninguém realmente se importa com o fato de uma garota menor de idade consumir bebidas e drogas em excesso. Tio Daniels, vamos pegar a lupinha e ampliar isso ai.

CADÊ MEU PAPEL!!

Outro fato interessante de Star é a representatividade, não só dos negros, como da comunidade LGBT. Além de Ryan Destiny e Queen Latifah, a série ainda conta com Miss Lawrence, destaque em Real Housewife of Atlanta e Empire, e Amiyah Scott, que vive uma personagem transgênera. Nesses primeiros 40 minutos, esses personagens serviram apenas de escada para a protagonista, mas precisam de um espaço maior para discutir o preconceito fora e dentro da própria comunidade.

Se no final das contas ainda não te convenci, vai por mim, Quincy Brown é adorável e Chad James Buchanan, um colírio.

Quero, e quero.

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