The Following 1×03 — The Poet’s Fire

Devemos encontrar nossa própria voz e não apenas copiar a história de Joe”. Emma.

Qual é o propósito de alguém quando influencia outro? David Koresh, Jim Jones e Charles Manson foram grandes líderes de seitas. Todos eles usavam o controlo para reforçar a mensagem de uma família. Estavam seus seguidores com assassinatos para provarem a devoção. Induziam muitos ao suicídio coletivo.

Loucos, pensamos nós, no alto de nossa sanidade e crentes de que jamais seremos influenciados. Mas quando um líder religioso comum (católico, evangélico, que seja) usa a Bíblia para convencer as pessoas que elas precisam se livrar de bens materiais em prol de uma vida mais modesta e em favor da Igreja, como podemos denominá-los?

Joe Carroll é como um pastor e a obra de Poe é sua Bíblia. Suas palavras de motivação encontram conforto em jovens desamparados, sem um rumo na vida, carentes de atenção e afeto. Carroll oferece tudo isso a eles. Incentiva-os a encontrarem suas vozes interiores. Afirma que ninguém é capaz de se libertar desde que sejam capazes de lidar com as consequências.

Ansiosos em agradarem ao pai, tomam a liberdade de se distanciarem da literatura original e criarem seus próprios capítulos. Encontram seu estilo pessoal e transferem isso para a “escrita”.

The Following 1x03

Rick Kester, 29 anos, é “o poeta do fogo”. Timidamente, confessa não se sair bem com facas ou arrancando olhos. Assume ter predileção por fogo e recebe a benção de Carroll para agir. Decide que sua história será uma epopeia de vingança. Iria à busca dos homens que afundaram a carreira profissional de seu mentor. Um crítico de arte e um coordenador de literatura. Kevin Williamson brinca com seu público e reforça o ranço ao academicismo quando elimina os principais expoentes da erudição.

Maggie, a frágil esposa de Rick, mostra-se mais importante para a trama que aparentou no início. Uma peça fundamental para o desenrolar da trama e sem chamar atenção para si. É capaz de convencer.

Os outros seguidores de Joe permanecem uma situação delicada. Emma não está para brincadeira e Paul sentiu o poder de seu veneno na própria pele. O que a bela não contava era com o fato de vida imita arte. Ficar por dois anos como um casal gay, acabou jogando Paul para cima de Jacob. A atração e carência afetiva não escolhem sexo. Paul está fragilizado, precisa provar que é útil, que pode agradar seu amo, mas o sentimento por Jacob está levando-o por um caminho bastante perigoso.

Jordy segue seu caminho ao sacrifício. É enganado por Parker e faz a única coisa que parece ser justa: sela sua participação com uma tentativa de suicídio. Se conseguir, poderá honrar seu nome, lavando sua alcunha de traidor.

Ryan começa a sentir o peso da investigação. Percebe que as ações dos seguidores de Carroll têm a ver consigo. Sua saúde é debilitada e ele não descansa. Não gosta de conversar. Prefere o isolamento. Ainda assim continua sendo enganado por Carroll. Está sempre a um passo atrás e a cada novo assassinato, mais uma vida paira sobre sua cabeça. A origem de sua relação com Joe vem à tona e esse jogo psicológico entre os dois ganha contornos muito ricos.

Os minutos finais foram uma verdadeira aula de cultura pop e condução de uma mise-en-scene de suspense. Pulularam referências à trilogia Pânico, em especial aos artifícios usados no primeiro e no terceiro filmes da série: as facadas e as mensagens por fax, devidamente substituído pelo celular. A auto-referência usada por Williamson é deliciosa e deixa o espectador grudado na cadeira para, em seguida, abrir um sorriso de satisfação ao término de seu espetáculo orquestrado.

Destaque novamente para a trilha sonora. As músicas em The Following dizem muito. Ou é mera coincidência tocar The Killing Moon quando Jacob e Paul se beijam? Ou Jordy cantarolar Believe it or not enquanto é interrogado por Parker e Ryan não revela nada?

O término com Joey, filho de Joe Carroll, sendo iniciado na seita foi de uma poesia absurda. Outro bom episódio de uma série que tem tudo para continuar crescendo. Aguardando com ansiedade a próxima poesia de quarenta minutos.

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