The Following 1×06 — The Fall

Este é o fim. Nenhum de vocês sairá daqui. Pelo menos, não vivos”. — Ryan Hardy.

Você percebe que está diante de um episódio irrepreensível de uma série quando o seu protagonista, um ator de renome, coloca toda sua virtuosidade interpretativa e segura, sozinho, todo o primeiro ato. Soma-se a isso uma trilha sonora pulsante, variando entre um piano perturbador e um coração pulsando o tempo todo. Partindo dessa premissa, “The Fall” recupera o fôlego da série depois do fraco “The Siege”, deixa tudo maneiro e joga o clima lá pro alto.

O episódio começa exatamente do ponto de onde o anterior terminou, ou seja, com Paul colocando uma arma na nuca de Ryan Hardy. O que se vê a seguir é o show particular de Kevin Bacon, mesclando toda a ambigüidade de seu personagem, apoiada na experiência de Ryan como agente e na instabilidade emocional dos jovens seguidores de Joe Carrell.

Ele sorri, faz jogos de palavras, coloca entonações irônicas, faz observações sagazes, descobre pontos a serem utilizados em seu favor, manipula-os, joga um contra o outro. E, aos poucos, o espectador delicia-se ao presenciar a queda da casa da fazenda. Brincar com o psicológico de Jacob e Paul não é tão complicado para Ryan, pois os rapazes estão vivenciando um conflito ainda maior que serem seguidores de Joe Carroll. A sexualidade, o desejo, o amor que sentem um pelo outro estão aflorados. Berrar que não é gay para Ryan, um completo desconhecido para eles, evidencia a angústia de Jacob.

Quem coloca a situação no eixo é Emma. Ela é a bitch da vez em The Following e encarna o papel com maestria. Não titubeia em descarregar uma arma de choque no marca-passo de Ryan e nem em trair seus supostos amores, tudo por uma causa maior. Seu único momento de fraqueza é quando a agente Debra Parker a confronta com a morte da mãe. Emma se defende. Argumenta que matou a mãe para ver-se livre e que seguir Joe não é uma prisão; é uma escolha dela. No fundo, está apenas tentando se convencer disso. É questão de tempo até Emma desabar emocionalmente.

The Following 1x06

Quando Parker começou conversar com Emma, utilizou um argumento que faz pensar: “a influência dos pais nos define”. E como a série é bastante didática, apresenta-se um oportuno flashback sobre Parker. Nele, o espectador é informado sobre a juventude da agente e quando ela era submetida a abusos por parte de Dale, líder de uma comunidade alternativa chamada Serenity Hills, com o consentimento da mãe.

A comunidade funciona como uma seita que prega o amor, a paz e a purificação (parecido demais com os lemas de Joey?). Dale é o messias inspirador para aquelas pessoas. Ao negar-se aos abusos, Parker é expulsa do lugar. Daí vem tanto conhecimento da agente sobre seitas e a maneira como ela buscou fazer Emma identificar-se com ela. O fato de ela ainda guardar o colar da Serenity Hills pode ser um indicativo que o assunto voltará a ser discutido na série.

Um novo seguidor é apresentado e ganha direito a flashback explicativo. Trata-se de Charlie, ex-militar e afastado do exército por licença psiquiátrica. Joe Carroll acolhe essa ovelha perdida e aquieta a alma do rapaz. Faz dele um seguidor de Claire. Chocante perceber as filmagens da ex-mulher de Carroll dormindo.

Quando Claire aceita a troca dela pelo filho, é com Charlie que ela vai. Ficam aguardando em um lugar que funciona como vigilância cibernética. Em um dos momentos de maior suspense, ela consegue pegar as chaves do lugar e tenta fugir. Atente para o barulho das gotas de água caindo no chão, aumento a angústia. O aparecimento de Charlie pode até ser um susto fácil, mas funcionou muito bem.

Conforme o tempo passa, Charlie demonstra seus sentimentos por Claire, mas arrepende-se. Ninguém esperava pela cena do moço batendo com a cabeça contra um tubo. No fim, acaba fugindo de um cerco do FBI. Mas deve regressar em capítulos futuros.

O cerco a casa é eletrizante, apoiado por uma trilha sonora instigante. E aqui começaram as reviravoltas, eficientes para o andamento da série, mas surpreendentes demais para quem acompanha. De repente, todo mundo é seguidor de Joe. Desde a simpática policial loirinha que apareceu no episódio passado aos agentes da SWAT, o escritor tem gente infiltrada em tudo quando é lugar. A observação de Mike Weston é também a do espectador: como Carroll consegue influenciar e envolver tanta gente sem ser percebido? Se a coisa não for bem explicada, pode tornar-se um dos grandes furos do roteiro e não há clichê ou susto fácil que dê jeito.

O saldo final é extremamente positivo. Ainda que todo mundo tenha se safado e a investigação acabe voltando à estaca zero sem a menor ideia de para onde o menino Joey Carroll foi levado, “The Fall” cumpriu o que prometeu. A queda dos vários esquemas foi apenas o pavio para, nas palavras de Joe, a segunda parte da história, acionada por mais uma declaração da advogada Olivia.

Uma última observação sobre o final. Os recortes feitos pela edição foram fundamentais para situar o espectador de como estão os principais elementos do show. Claire, fragilizada, nos braços de Ryan;.Joe deitado na cela, sorrindo. Parker pegando sua bolsa e olhando para o colar da seita. Paul e Jacob juntos, abandonados por Emma. Tudo embalado ao som da bela “Butterfly”, de Bassnectar. Genial. Que venha “Let me go” e que o seriado continue alto, em cima!

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