The Following 1×14 — The end is near

Eu também te amo, Jacob. E eu amo o Joe. E não sei como amar ambos”. — Emma.

Sobre o processo criativo, reza a lenda que, enquanto escrevia sua obra-prima chamada Mrs. Dalloway, Virgínia Woolf, escritora inglesa, decidia-se qual personagem deveria matar. Ao ser indagada sobre a razão de alguém morrer em seu romance, ela justificou: “É necessário que alguém morra para os demais darem valor à vida”.

Desde o princípio, The Following vale-se da teoria literária para criar seu enredo. Afinal, o campo é familiar ao professor de literatura e escritor Joe Carroll. Ele deseja criar uma nova história. Porém, ao invés de registrá-la no papel, na folha em branco, decide escrevê-la na vida. Seus personagens são pessoas reais, escolhidas e induzidas pela crença de que apenas na morte encontra-se a vida. Tais seguidores agem por fundamentalismo religioso e acreditam piamente na entrega de suas vidas para algo maior. A força que os move é a mesma dos homens-bombas, dos kamikazes e de tantos outros capazes de morrer por uma causa.

The Following é também uma história de herói.

A jornada do herói envolve transformações, performances, aquisição de competência e uma razão capaz de motivá-lo a ir em frente. Em histórias de super-heróis, o interesse romântico do protagonista é sempre usado pelo vilão para colocar o mocinho em situações complicadas. Geralmente, o inimigo utiliza o amor para submeter o herói em uma escolha: o interesse pessoal ou o coletivo?

The Following 1x14

Joe também elegeu alguém para ser seu herói e é em função dele que tudo gira. Ryan Hardy é o escolhido. Nada mais justo que conceber a ele a oportunidade de salvar seu amor, Claire Matthews. Ainda que mantida em cativeiro, a ex-mulher de Joe não será morta sem Ryan ter a chance de resgatá-la. Por isso ela não foi morta e, talvez, nem será.

O que Joe não esperava era a força brotando dessa mulher e sua vontade absurda de não se render jamais. Claire não se rende, não se acomoda, luta até o último instante. Atrapalhou os planos da seita uma vez e continua sem um empecilho. Esfaqueia, quebra uma garrafa de vinho, enfia um garfo em uma ferida pulsante, liberta reféns, corre pelo bosque. Praticamente uma super-mulher. Seus esforços não foram em vão, mesmo sendo capturada mais uma vez.

A tradicional reclamação à interpretação de James Purefoy é deixada de lado para louvar o trabalho brilhante do ator. Loucura, embriaguez e êxtase na dose certa, sem cair na canastrice ou no exagero. Este Joe, sim, é digno de ser seguido, digno de pessoas se enforcarem apenas para causar uma distração.

Os roteiristas capricharam na construção de um cenário desolador, enriquecido com muito suspense e subversão de clichês. A trilha induziu cada emoção, conduzindo o espectador aonde bem entendesse. Este ainda não estava preparado para as emoções vindouras.

O fim está próximo. E você sabe disso quando acompanha o belo arco narrativo criado para Jacob. O melhor personagem dentre os seguidores de Joe nunca se encaixou no grupo. Tardio em assassinar alguém, foi o único a questionar as motivações da seita. Seu grande erro foi confiar demais em quem deu provas de não ser digna de confiança. Emma é a personagem mais ordinária e irascível da série. Conseguiu, mais uma vez, angariar mais ódio que Joe jamais conseguiu. Reclamações surgirão, sem dúvida. Uma decisão gratuita, feita para chocar? Mal teve tempo para assimilar o ocorrido e o espectador foi surpreendido com mais ação.

Edgar Allan Poe é mais uma vez invocado e um dos seus contos mais emblemáticos é encenado. “A máscara da morte escarlate” discorre sobre uma peste assolando uma pequena comunidade. Apavorados, os sobreviventes se refugiam no palácio em busca de segurança. A morte mata justamente aqueles que mais a temem.

A narrativa não poderia ser mais emblemática. A seita de Joe continua dizimando vidas. Os habitantes de Havenport buscam proteção em um centro de apoio às vítimas de desastre. O que segue é uma carnificina nunca antes vista em The Following. As mortes são generosas e o banho de sangue não poupa ninguém. Nesta hora, de nada adianta o treinamento dado a policiais nem a frieza exigida pela profissão. Debra Parker é mais prejudicada. O desfecho do episódio é claustrofóbico, angustiante, sufocante. Cada segundo passado é uma aflição para quem assiste ao episódio. A trilha sonora é abandonada e fica apenas a respiração ofegante e os gritos de desespero da agente. Um final memorável para o melhor episódio da temporada até aqui.

Resta apenas o capítulo final. The Following tem um time muito competente para promover um dos melhores season finalei da temporada.

Para quem se interessar, segue um link com o conto “A máscara da morte escarlate”. É curtinho e vale a pena ser lido. A compreensão do episódio ficará mais completa.

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