The Following 1×15 — The Final Chapter [Season Finale]

Você é um ótimo professor. Isso não ajudou na sua escrita”. MATTHEWS, Claire.

Quando se começa ler um livro, todo leitor deseja ser surpreendido pela narrativa. Uma boa escrita é capaz de conduzir o herói pelos meandros da história, atribuindo-lhe um conflito condizente, criando-lhe um clímax, um ponto máximo de tensão, para concluir em um desfecho satisfatório, punindo os maus e premiando os corretos. Mesmo depois da última página, a lembrança de uma boa história permanecerá por um tempo.

Ainda que as plataformas “livro” e “televisão” sejam distintas, Kevin Williamson é um bom autor. E nada mais justo que o próprio se encarregar de escrever o capítulo final da primeira jornada de seu herói, Ryan Hardy. Williamson é ótimo em criar histórias nas quais os públicos torcem pelos seus personagens e nisso “The Final Chapter” correspondeu às expectativas. Todo espectador torceu pelo mocinho. E assim foi por toda a primeira temporada.

Muitos abandonaram a série no meio do caminho com a justificativa da série conter vários furos. The Following tem vários furos? Sim. A polícia é idiota e infantil, cometendo erros fundamentais? Sim. As situações são clichês e recicladas de outras séries policiais que conseguiram fazer melhor? Sim. Vista por esses ângulos, a série deixa mesmo a desejar. Mas o que mantém o fascínio? The Following é uma história para se torcer. E isso, ela consegue como poucas fazem atualmente. Ela imprime um ritmo, fazendo o espectador sempre esperar por algo.

The Following 1x15 foto

Debra Parker é enterrada viva e você espera que Ryan a salve. Afinal, ele é o herói e está lá para isso. E ele é um bom herói. Esforça-se, dá o seu sangue, bate, tortura, fura o olho do acusado, tudo o que for necessário para salvar. Se ele consegue, seria clichê. Se ele não consegue, seria apelação. Difícil agradar.

Quando determinados destinos atingem personagens importantes, demonstra a maturidade de um show e não apenas o desejo de chamar atenção. A decisão tomada pela série foi triste, mas um grande acerto e extremamente competente. Afinal, Debra é uma personagem querida e contribui muito para a trama. E mesmo enterrada, com seus movimentos limitados pelo caixão, usando somente a voz, deixa uma mensagem importante para Ryan e Mike que, sem dúvida, ecoará pela próxima temporada.

Joe Carroll está descontrolado. E nada mais interessante que observar todos vomitando suas verdades. Ele escreve mal, é previsível, foi feito apenas para lecionar. Um deleite. E aqui as críticas a ele podem ser aplicadas à própria série. Ela se referencia nesses momentos e é um dos outros acertos.

Não se deve ser contra clichês. Eles até podem ser muito úteis quando bem usados. E ainda mais úteis quando não são esperados. Finalmente, Joe encontra seu final. Porém, o incêndio é uma das ideias mais batidas de uma narrativa. Pode-se confirmar a morte pelo DNA, pela arcada dentária, por amostragens de sangue e pela presença de um féretro. Mas de nada adianta. Se você acompanha histórias por um mínimo suficiente de tempo, sabe que se um personagem encontrar seu destino em um incêndio, ele retornará vivo em breve.

Sempre ficava a expectativa sobre os rumos tomados pela série na segunda temporada. Esse episódio demonstrou que ainda há história para ser contada. Os minutos finais são uma prova disso. Algumas pontas foram deixadas soltas. A principal delas é Emma, que disfarçada, chora em um café no Alabama ao acompanhar as reportagens do caso pela TV. Mas nada preparou o espectador para o cliffhanger. Se para muitos a série acabaria com o sumiço da faca sobre o balcão, o final ainda precisa ser digerido.

Kevin, seu danado, conseguiu mesmo fisgar seu espectador e deixá-lo angustiado até a próxima temporada, não?

The Following tem muitos clichês e não é uma série que se aprofunda muito em seus personagens e suas histórias. É feita para distrair e divertir. E isso a primeira temporada conseguiu com maestria, com um bom texto e ótimas interpretações. Fica a ansiedade para a próxima. Nos vemos lá.

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