The Good Wife 5×10 — The Decision Tree [100º episódio]

Você sugeriu que você poderia usar o amor dele para manipulá-lo? — GARDNER, Will

A primeira cena de The Decision Tree não deixava dúvidas. Centésimo episódio, numa velocidade emocionante.

Um episódio número 100 que nos deu uma confirmação: The Good Wife é o melhor drama em exibição atualmente. Aceitem isso.

Um episódio 100 que não apenas foi um marco para a série, mas que não ignorou os outros 99 episódios, de certa forma até revisitando-os.

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O episódio gira basicamente em torno de um caso perfeito para colocar a LG e a Florrick / Agos em lados opostos no tribunal. Alicia descobre que é a beneficiária de um cliente falecido, que deixou um patrimônio de 200 milhões para ela num testamento alternativo, sem registro, feito após o testamento ‘oficial’. E onde Will e Diane entram nisso? Bem, eles representam a viúva, que vai contestar o último desejo do marido morto.

Só que Alicia nem sabia que era herdeira de um milionário — e só ficou sabendo quando recebeu um contrato para negociar definitivamente sua saída da LG com algumas clásulas bem incomuns. Ou seja, não fosse a estratégia errada de abordagem proposta por David Lee (que, mesmo não aparecendo no episódio, teve peso pra trama), Alicia talvez nem descobrisse que Matthew Ashbaugh considerou fazer dela sua principal herdeira.

Mas ainda bem que ela descobriu, porque tivemos um dos tribunais mais aguardados desde Hitting The Fan: Alicia versus Will — diretamente!

Fazia tempo que Will não se embrenhava em julgamentos e, com a ruptura ocorrida cinco episódios atrás, ele passou a ficar mais ativo nas cortes. Nem vou falar muito da forma como os advogados agora rivais foram se sobrepondo durante o julgamento — afinal, The Good Wife é construída em cima dessa estrutura de uma reviravolta de corte após a outra. Quero começar destacando a atuação de Clarke Hayden como ‘terceira cadeira’. O assistente jurídico provou que tem talento e sagacidade e espero que ele atue mais vezes desta forma. Legal ver a maneira como Cary confia nele, sendo que essa confiança e amizade começaram a ser construídas bem lá atrás, na temporada passada. Que isso seja o indício de uma participação maior de Clarke Hayden que, como eu já disse em outras reviews, é um personagem interessantíssimo!

Em segundo, quero destacar o pomo da discórdia em si, o cliente, Matthew Ashbaugh. Cliente este que nunca conhecemos ‘vivo’, no tempo presente. Isso porque o personagem de John Noble sempre apareceu em flashbacks. Tomamos conhecimento de sua relação com Alicia no episódio 4×18, The Death Of A Client, quando a boa esposa era justamente convocada para ajudar nos esclarecimentos da morte de Ashbaugh, que havia sido executado friamente no meio da rua. Para quem não se lembra, esse foi episódio de Saint Patrick’s Day, em que Alicia foi retirada de uma super festa de gala para ir à delegacia. Neste episódio, Peter socou seu concorrente Mike Kresteva (Matthew Perry, cadê você agora??) por mentir sobre seu filho para uma alta Eminência, logo depois de oferecer a vaga da Suprema Corte para Diane Lockhart. Ou seja, um dos pontos altos da temporada passada, que teve momentos irregulares. Enquanto ajudava a polícia, Alicia tinha flashbacks com Ashbaugh, que sempre se mostrou excêntrico e paranoico. Vimos ele arrastando Alicia para tribunais diversas vezes, processando diversas pessoas por motivos bestas (como pelo cachorro do vizinho que não parava de latir — e foi o vizinho que o executou, no fim). E, ao final do episódio, Matthew Ashbaugh admitiu que não processava ‘a rodo’ para ganhar dinheiro, mas para passar seu tempo com Alicia, já indicando sua paixão e admiração pela advogada. Os flashbacks, já no 4×18, também serviam para revisitar o relacionamento de Alicia e Will, no auge! Na ocasião, Alicia tentava se reaproximar de Peter e empurrava Will para a promotora Laura Hellinger (Amanda Peet).

Mas, 14 episódios depois, muita coisa mudou! E como mudou!

E aqui chegamos, é claro, ao grande trunfo do episódio, Will e Alicia se enfrentando. A primeira-dama ainda evita encarar o ex-patrão quase o tempo todo, mas quando acontece… é tanta coisa não-dita nos olhares que os dois trocam! Quero Emmy para Julianna Margulies e Josh Charles!

Quando Will decide chamar Alicia para depôr, já sentimos um frio na barriga! O suspense construído até a sequência em que o depoimento finalmente acontece é uma das coisas mais intensas que vi na TV este ano. Além de podermos ver como Will prepara sua atuação no tribunal, ainda tivemos acesso à toda a confusão que ainda existe dentro dele com relação à ex-namorada. E, enquanto ele acha que está sendo genial ao armar uma armadilha da qual ela provavelmente não escapará, não percebe que a marca que Alicia tem dentro dele ainda está muito forte. Ele planeja seu interrogatório usando uma técnica conhecida como The Decision Tree, criando ramificações e prevendo pontos sem saída. Sua estratégia é conhecer Alicia como ninguém, sabendo que ela é ética demais para mentir, mesmo com 200 milhões de dólares em jogo.

De fato, Alicia não mente, em nenhum momento. E o erro de Will é achar que ela não se preparou também — e também o de esquecer que Alicia conhecia o Caso Ashbaugh muito mais do que ele, que nunca tomou conhecimento de tudo em seu escritório. Enquanto ele acha que será preciso só um pouco de pressão para arrancar a verdade dela (a de que ela sabia que o cliente era apaixonado por ela e cogitou usar isso para manipulá-lo), Alicia o desmonta já na segunda pergunta. Ela ESPERAVA que Will seguisse por essa linha e faz com que ele, desavisado, coitado, a conduza para a informação que era do interesse da Florrick / Agos: de que Alicia usou essa paixonite, sim, mas para manipulá-lo a fazer o testamento oficial. DEZ A ZERO PARA A BOA ESPOSA!

Com esse fato, era quase certeza de que Alicia seria considerada a beneficiária de direito. Pena que ela só ficou milionária por algumas horas, até a descoberta de mais quatro testamentos com o mesmo teor, para outras mulheres. Cué cué cué…

Mas não era apenas sobre a influência de Alicia sobre o cliente que Will se questionava. Houve um questionamento implícito muito mais importante, que é o que ele se tem feito desde que soube que ela abriria um escritório próprio: teria Alicia usado o amor de Will para manipulá-lo?

É essa dúvida que tem corroído o advogado no último mês. E simplesmente não existe a oportunidade de verbalizar isso, de que ambos possam conversar sobre o que sentiam e de como esse sentimento os conduziu até ali. Haja coração! E de novo, os olhares entre os dois, que tentam perguntar e tentam responder… nossa, essa série é muito boa!

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A guerra entre os dois escritórios segue fora dos tribunais. Neste caso, até uma simples festa de fim de ano pode se transformar na disputa de quem tem mais prestígio. Bom, no caso, quem é casada com o Governador Eleito, né?

A festa em si não foi grande coisa no episódio. Quando eu soube da festa e das mais de 800 confirmações, imaginei que teríamos um desfile de participações especiais. Afinal, tratava-se do episódio 100 e seria muito legal ver clientes e advogados recorrentes aparecendo por ali. Seria uma bela forma de homenagear os demais 99 episódios. Infelizmente não foi o que aconteceu. Não tivemos Collin Sweeney (o OJ Branco, como definiu Eli), mas tivemos Lemond Bishop! E o que é pior para a publicidade do Governador? Estar perto de um assassino ou de um traficante? Na minha opinião, é explicar porque o filho da Marilyn Garbanza vai se chamar Peter!

Sério! Ela, que vê tudo sob a ótica da ética, vai dar o nome do governador pro filho, que ninguém sabe quem é o pai??? Como assim, Brasyl? Tomara que desenvolvam esse cliffhanger e que não seja ignorado como foi o do episódio passado.

Sobre as participações especiais, tivemos Kurt Fuller retornando como o Juiz Peter Dunaway. Ele já havia aparecido na série em outras três ocasiões, sempre com casos fortes: para julgar o pedido de Lockhart / Gardner para remover um outro juiz tendencioso de um caso, como membro do Comitê que investigava um policial por ter atirado contra um suspeito, e como juiz num caso que os advogados tentavam cancelar por conta de um veredito tendencioso também. Ou seja… ele sempre foi uma casquinha de ferida para Alicia!

Já citamos John Noble que, como cliente falecido, teria poucas chances de retornar à série, mas eles souberam fazer isso muito bem! Jordana Spiro (de My Boys) surgiu como uma detetive no caminho de Kalinda, num plot relacionado a Damian Boyle que, sinceramente, não acrescentou muito ao episódio. Foi meio que o mais do mesmo: ele é excêntrico, ele é esperto, ele joga baixo, ele tem influências, ele faz o serviço sujo, ele intriga a Kalinda, bla bla bla whiskas sache.

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E ao final, uma participação de luxo, a de Donna Brazile fazendo o papel dela mesma! Para quem não sabe, Donna é um dos nomes mais importantes da política norte-americana, ela é vice-presidente do Comitê Nacional Democrata! Ela é um ícone da cultura política dos Estados Unidos, já tendo trabalhado em diversas campanhas presidenciais, como a do presidente Jimmy Carter em 1976! Donna foi também a primeira mulher afro-americana a gerenciar uma campanha presidencial. Isso aconteceu em 2000, quando ela foi a número 1 na campanha de Al Gore — aquela que o Bush ganhou no número de delegados, mas perdeu em votos populares! Tê-la em The Good Wife foi simplesmente fantástico!

E que venham mais 100 episódios! Se todos fossem no nível desta temporada, eu não me importaria de acompanhar essa trajetória por mais alguns bons anos…

P.S.: A gente sempre avalia a trilha sonora, na hora de fazer uma média do episódio, mas quase nunca fala sobre ela. A de TGW é quase sempre impecável. Neste episódio, não foi diferente. E ela foi quase toda diegética, ou seja, estava em cena mesmo, com o player do Ashbaugh ou com a cinta musical de gravidez da Marilyn. Foi um jeito bacana de homenagear esse lado da série, que é sempre tão fundamental nas suas edições. Mais um ponto para The Good Wife! Pode dar nota 6, produção???

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