The Leftovers 1×02 — Penguin One, Us Zero

Lembra-se da vida que tinha antes de vir para cá?” — ABBOTT, Megan

Se os roteiristas estão escondendo o jogo sobre os arcos narrativos de The Leftovers, a sua abertura, que foi ao ar junto com o segundo episódio, dá indícios que a série deverá seguir os embates entre fé, ciência e negação, de uma, ou de outra.

A abertura é uma curiosa alusão à pintura da Capela Sistina, feita por Michelangelo. Os afrescos pintados, um a um, pelo mestre contam as passagens bíblicas descritas no Antigo Testamento. Tal qual a pintura, talvez devemos enxergar, por enquanto, The Leftovers por partes. Cada história, um fragmento, um afresco, do que se quer contar.

Do lado da fé, o acontecimento de 14/10, nos mostra comportamentos e situações questionáveis sobre o real objetivo das seitas e gurus que surgiram como pontos de equilíbrio, para aqueles que clamam por respostas ou paz.

theleftovers1x02

É curioso perceber que para se tornar um RC (Remanecentes Culpados) a pessoa deve passar por uma série de provações que a tornem merecedora de estar entre aqueles. Ou seja, a seita não te acolhe. Ela te escolhe. A personagem Megan é quem nos conduz nessa possibilidade de aceitação. E ao “dialogar” com Laurie percebemos que mesmos os aceitos ainda travam uma luta interna com o passado recente.

Exércitos estão sendo formados. Podemos considerar os RC’s como um, uma vez que juntos tornam-se uma preocupante massa radical ideologicamente. O mesmo serve para os seguidores do guru Wayne. Vem bem a calhar a sua cura ser pelo abraço, uma vez que ele é acusado e procurado devido a uma série de abusos sexuais cometidos em outros tempos. Ainda não temos muito de concreto nesse arco, o que não desmerece, o pouco que sabemos, ser incomodo de toda forma. A fé também é usada para outros fins, que não seja a salvação.

Já Nora Durst é outro afresco surgido com a tragédia. Ela perdeu filho e marido, e assim, tornou-se um triste exemplo desse episódio. Se ela ainda não encontrou respostas, o melhor é tirar proveito sobre isso. Nora trabalha juntos às famílias quer perderam entes queridos classificando-os como aptos ou não para receberem o “benefício”. De onde parte essa ajuda? Do governo? De empresas, grupos religiosos?

Mas, até o momento, nada chama mais atenção do que a complexidade psíquica de Garvey. O que é verdade ou loucura no seu dia a dia? A esquizofrenia seria um karma passado de pai para filho? O seu pai era o delegado de Mapleton na época do ocorrido, e vive, o seu presente, em uma clinica para doentes mentais. Seria o misterioso matador de cães a pessoa “enviada” para ajudar Garvey?

De forma lenta, o que anda incomodando boa parte de audiência, The Leftovers dialoga por meio dessas histórias, dessas pinturas renascentistas, o que uma perda pode causar ao individuo. De uma hora para outra você se descobre sozinho e busca, por desespero, ou curiosidade, respostas para esse vazio interno.

O próximo episódio deve aprofundar um pouco mais na questão religiosa ao focar no personagem do ex padre. Fiquem com a promo e até semana que vem!

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