The Leftovers 1×10 — The Prodigal Son Returns [Season Finale]

JILLLLL” — Laurie

Na minha primeira review sobre The Leftovers terminei o texto assim: “A premiere teve como objetivo de começar alinhar toda essa pólvora humana para a qualquer momento alguém ascender o pavio.” Pois bem, passados nove episódios a bomba veio a explodir. E entenda-se por bomba tanto materialmente como e, principalmente, emocional.

The Prodigal Son Returns foi a catarse que todos nós estávamos esperando que acontecesse a esses personagens que, ao longo da temporada, pudemos conhecer, mesmo que em pequenas doses, a sua personalidade, o seu pertencimento no dia da partida e, claro, a sua dor e a sua culpa.

Muitos torceram o nariz com The Leftovers, talvez por ansiar por respostas rápidas, coisa que a série definitivamente não irá contribuir. A verdade é que mesmo com uma temporada irregular em diversos aspectos, o drama da HBO foi crescendo episódio por episódio , a medida que a dor camuflada e calada dos seus personagens iam sendo reveladas.

Podemos dividir a season finale em dois tempos, que irei denominar de Tempo 1: Ne Me Quitte Pas e Tempo 2: Nothing Else Matters. Uma alusão à trilha sonora desse episódio que foi responsável para dar mais tensão e emoção às suas cenas.

Tempo 1 — Ne Me Quitte Pas

O episódio começa exatamente onde se termina Cairo, e esse tempo é todo ele dedicado a Kevin e sua catarse. Mesmo que seus pesadelos ainda careçam de melhores explicações, eles foram importantes por fazer o personagem acreditar naquilo que ele pressentia a sua volta: Mapleton está prestes a se transformar na nova cidade de Cairo, destaque da Revista National Geographic, de 72. Uma cidade violenta onde ninguém estará a salvo.

theleftovers1x10

Em companhia do Reverendo Matt, o homem da lei relembra toda a sua trajetória na busca de um perdão, de uma compreensão. Não é a toa que Matt é o seu alicerce nessa viagem. E, mais a frente, temos o encontro de Kevin com Wayne. Mais uma vez, o episódio coloca o seu cético personagem frente a frente com outro enviado de Deus. Não sabemos ao certo qual foi o pedido que Kevin fez ao profeta, e se é que ele tinha realmente a capacidade de tirar a dor das pessoas. Porém, os momentos finais de The Prodigal Son Returns pode dar uma pista disso: uma possibilidade de paz para Kevin, Jill e Nora.

Coloco também nesse primeiro tempo a finalização do arco narrativo de Tommy e Christine. Mesmo eu achando que tivemos rasas explicações dessa história, principalmente sobre a real importância de Wayne, foi melhor para a série colocar um ponto final nisso tudo. Não tem como não fazermos uma comparação direta entre Tommy e Kevin. A história se repetindo, Tommy acolhendo um filho que não é seu enquanto vê Christine indo atrás de uma seita. Acredito que essa coincidência e principalmente a chegada dessa criança nessa família seja o pontapé inicial para a retomada da vida dos Garvey’s.

Tempo 2 — Nothing Else Matters

Enquanto Kevin não retomava as rédeas da situação, os RC’s colocavam em prática o seu propósito de existência: fazer com que ninguém se esquece do que aconteceu naquele 14/10. Toda a sequencia que vimos foi a explosão da dor e da culpa que aquelas pessoas carregavam. O melhor exemplo veio com as reações de Nora e Laurie. A primeira, aceitando a sua culpa por ter desejado e conseguido esquecer a dor tocando em frente a sua vida mesmo sabendo que tal vida não é a que lhe foi reservada. Nora, ao final, aceita ser a mulher que perdeu todos a quem amava e nada ou ninguém irá mudar esse quadro. Contudo, mais uma vez, os momentos finais do episódio pode ser um indício que veremos, talvez, uma Nora diferente na segunda temporada.

Já Laurie e seu grito de medo e dor é a tradução de que mesmo sendo líder de uma seita é impossível, pelo menos para ela, ficar isenta ao que acontece com sua família. O pedido de socorro para que Kevin salve Jill, nada mais é o seu próprio pedido de socorro por tudo o que ela passou e de que ela também precisa de ser lembrada pois também faz parte daqueles que ficaram.

A teoria do caos é uma das leis mais importantes do universo, presente na essência de quase tudo o que nos cerca. A ideia central é que uma pequenina mudança no início de um evento qualquer pode trazer consequências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro. The Leftovers começou nos mostrando as consequências do primeiro caos, a partida. E terminamos essa temporada sendo testemunhas de um segundo. A próxima temporada terá novamente a sua espinha dorsal nas consequências dos atos dos que ficaram.

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