The Leftovers 2×08 — International Assassin

International Assassin saúda a mitologia criada pela séria e mostra porque The Leftovers é um dos melhores seriados do ano.

Primeiro Saiba quem você é, e então vista-se adequadamente” — Mensagem do hotel.

The Leftovers essa semana nos levou a uma viagem psicodélica para responder a pergunta do episódio A Most Powerful Adversary: Kevin Garvey está morto?

No início, é estabelecido uma dualidade: trata-se de uma jornada ao purgatório de um homem em colapso e em busca de redenção; ou vislumbra-se uma grande alucinação de um homem psicótico e suicida?

Devido às palavras de Laurie no episódio anterior, leva-se a crer que tudo é uma alucinação. O passado de Patti pode ser de conhecimento de Kevin, pois sua ex-esposa era a terapeuta de Patti. As referências oníricas como os alarmes do incêndio que disparam, a televisão que apresenta defeitos, a persona do assassino internacional. Todos esses elementos já foram utilizados em filmes que falam sobre sonhos e crises psicóticas, como Clube de Luta (1999) e Birdman (2014).

Porém, perceba atentamente que estamos em contato com um plano metafísico, e o roteiro abandona as teorias científicas apresentadas nos primeiros episódios completamente. Entretanto, duas ressalvas são importantes.

Kevin contempla as consequências de suas ações.

Primeiro é que devemos conhecer muito bem toda história e mitologia de The Leftovers: Reconhecer os já mortos Gladys, Wayne, Virgil; as referências à água e a pássaros; o som da águia que abriu essa temporada lá nos tempos pré-históricos às margens do rio de Miracle.

Outra ressalva é que pôr o personagem em um ambiente entre a vida e a morte não é uma inovação. Lost e Supernatural na TV, e Um Olhar do Paraíso (2009) e Amor além da Vida (1998) da sétima arte já fizeram isso. A diferença está em trazer esse universo em uma versão diferente: um hotel onde forças opositoras digladiam-se por sua própria causa, um local onde você pode assumir o avatar que melhor te satisfará.

Voltando à análise do episódio, a viagem de Kevin tem um pontos crucial: ele precisa eliminar o seu maior adversário, mas se percebemos atentamente, esse inimigo oculto não é Patti, e sim as verdades secretas que o ex-chefe de polícia de Mapleton esconde de si próprio — e os sentimentos suicidas decorrentes do 14 de outubro.

Patti também é um ponto de destaque e é mostrada por duas óticas: como ela é vista por outros, a líder dos Remanescentes culpados, entidade de agenda niilista, com a missão de mudar toda a estrutura social vigente; e como ela se enxerga fraca, cheia de medo, infantilizada a idade mental de uma garota, subjugada por um homem que não a ama.

O encontro do verdadeiro “eu” da Patti com nosso assassino internacional cria uma sequência antológica até o momento derradeiro para efetivar a missão que fora confiada a Kevin. Não canso de dizer quanto Justin Theroux carrega toda a complexidade do seu personagem tão bem, em todos os momentos de decisão é possível vislumbrar o que se passa pela cabeça de Kevin com um conjunto simples de olhares e movimentos labiais.

Poderíamos continuar a nos debruçar sobre as diversas metáforas visuais, tais como: a água que é uma dupla referência a água desaparecida de Miracle e as águas do rio Lete da mitologia grega a qual apaga a memória daqueles que se encontram no inferno; os pássaros que a Erika enterra; nenhuma presença de pessoas que partiram no 14 de outubro. Contudo, deixarei essa diversão para você leitor.

Um dos melhores episódios da temporada acaba solucionando a indagação do primeiro parágrafo: Kevin conseguiu sobreviver, mas será que realmente Patti se foi? Kevin deixará de ser um homem à beira de um ataque de nervos? E, como será o embate entre John e Kevin.

Considerações Finais:

– Mary está no hotel, denotando seu estado vegetativo entre a vida e a morte, é de uma tristeza delicada assistir a esse momento, principalmente por ele receber presentes infantis;

– O Pai de Kevin que foi para a Austrália no episódio A matter of geography faz contato xamânico com o filho no outro plano, será que era ele que estava disparando os alarmes?

– Mais uma vez, a trilha sonora e a fotografia da série brilharam. Esses dois elementos foram usados de forma a enaltecer a eloquência desse episódio e conferir a carga dramática necessária ao telespectador;

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