The Mentalist 7×10 — Nothing Gold Can Stay

Não posso mais fazer isso. Não posso vê-la nesse trabalho. Eu digo, poderia… poderia ser você naquele caixão. E não posso passar por isso de novo — JANE, Patrick.

Você poderia ter morrido. Como isso é diferente? — LISBON, Teresa.

Eu morrer é… é… Não me fere — JANE, Patrick.

Você não pode ficar me tirando da trajetória que trens estão seguindo. Porque sempre há novos trens vindo, todos os dias” — LISBON, Teresa.

Quando vi o promo de Nothing Gold Can Stay, na semana passada, já pensei “só falta The Mentalist matar um personagem sem a menor necessidade”. Como fã, torcia para que não fosse o caso, mas, infelizmente, meu pensamento inicial estava correto. Os roteiristas apresentaram uma morte totalmente desnecessária e apelativa.

Primeiro que ela só aconteceu por um motivo: dar profundidade ao conflito sair ou não sair do FBI, ficar lá junto com Lisbon, ou sair e viver a vida de uma forma mais tranquila e do jeito que Jane gosta. E para chegar ao clímax desse conflito — a hora do xeque-mate — a morte de Vega foi uma saída fácil. O que seria mais interessante? Desenvolver o plot ao longo da temporada com mais profundidade, e não mostrar que em um episódio está tudo bem e, repentinamente, no outro, já não está mais. Cobrei isso a temporada toda, mas não foi o caminho seguido pela série, então foi preciso dar um jeito de outra maneira.

Segundo: a morte foi bastante óbvia, não? A partir do momento que “os candidatos” foram divulgados no promo, logo pensei em Vega como a “sorteada”. Ela era uma personagem estreante na atração, e a menos envolvida nos casos. A própria sequência já denunciava que Vega seria a assassinada, para quem não pegou a dica antes. Além disso, anunciar no promo foi uma atitude muito baixa. O impacto seria ainda maior se a emissora não o tivesse feito — como aconteceu em The Good Wife. Seria algo absurdamente inesperado, e se a ideia era fazer barulho, acho que surtiria muito mais efeito do que passar a mensagem “assistam, porque um de seus amados personagens vai morrer; queremos audiência; queremos fazer barulho”, porque para mim essa foi a mensagem passada pelo promo.

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Sem contar que o drama pós-morte foi exagerado demais, quero ver se vai ser remanescente nos próximos episódios ou simplesmente esquecido. Quem mais se importava com a personagem, Wylie, parece ter sido o mais contido. Afinal, Vega estava começando a se encaixar agora, não era amiga íntima de todos, mas sim uma colega de trabalho. A crítica não vai para os atores, que desempenharam muito bem o exagero proposto pelo roteiro. E, afinal, se era para dar mais peso ao acontecimento, tornar a morte o centro do episódio, e não uma consequência do caso, a estrutura narrativa poderia ser feita de outra maneira, de forma reversa. Por exemplo, o episódio poderia começar com Cho e a equipe depondo para o agente que foi investigar o caso — cada um dando a sua visão do acontecimento, que, então, chegaria ao momento presente e concluiria com a história do sequestro. Daria mais ênfase (e drama) à morte.

O que isso tudo quer dizer? Que os roteiristas de The Mentalist tiveram a coragem de matar o personagem errado na hora errada. Na temporada passada, por exemplo, seria muito mais convincente terem matado o Rigsby do que ter matado Vega agora. A morte da jovem agente foi totalmente desnecessária, era uma personagem que vinha crescendo ultimamente. Só aconteceu porque os produtores não fizeram o trabalho direito de desenvolver o arco principal de uma forma mais uniforme e profunda ao longo da temporada.

De qualquer forma, o episódio em si foi bom, com o caso da semana me mantendo tenso até os minutos finais. A ressalva fica mesmo para a questão da morte. Gostei também de ver os poderes de Jane em ação com civis (a velha senhora refém), ausente há tempos na série.

Até o arco envolvendo a saída de Jane é interessante, e chegou num ponto bom para se segurar até o fim da série. A minha crítica vai para o caminho pelo qual passamos até chegar aqui, que poderia ter sido mais bem trabalhado. Também acho que gastaram episódios demais (dez?!) para atingir esse ponto, que é meio óbvio — sabíamos que chegaria a hora em que Jane diria “para mim não dá mais”. Em sete episódios dava para desenvolver isso tudo, e muito bem, desde que com vontade.

Agora, o importante é ver se esse conflito vai crescer e se iremos ver os desdobramentos da saída de Jane. Abbott irá deixar isso acontecer facilmente? E a lista da Blake Association? Como Lisbon irá reagir? Essas consequências sim serão interessantes, e espero que a série não se esqueça delas como parece ter feito no promo do próximo episódio, Byzantium (abaixo). E você, o que achou dessa morte trazida pelos roteiristas de The Mentalist?

A propósito, #RIPVega.

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