The Muppets 1×02 — Hostile Makeover

Um episódio problemático alimenta os medos dos fãs de The Muppets

Ei Kermit! Só queria dizer desculpas por ter dito que o seu show é horrível… é que eu tive uma noite muite ruim.” — FISHBURNE, Lawrence

Puxa vida, o que aconteceu?” — O SAPO, Kermit

EU VI O SEU SHOW! E ELE ERA HORRÍVEL!” — FISHBURNE, Lawrence

Não se confunda: a parte mais importante de uma nova série não é o seu primeiro episódio, mas sim o seu segundo. O piloto é como a abertura de um show, uma música fantástica que a platéia vai adorar. E agora, como é que você faz com que eles continuem adorando até o seu grand finale? O segundo episódio, muitas vezes, define como vai ser o resto da série. Infelizmente, as risadas que o episódio anterior de The Muppets trouxe são trocadas por olhares de confusões.

Hostile Makeover possui três histórias que demonstram as forças e problemas em The Muppets. Na primeira história, Kermit decide chamar o cantor Josh Groban para ser o par de Miss Piggy para o People’s Choice Awards. O plano dele dá certo, e os dois começam um namoro que leva Piggy a níveis de paz nunca vistos antes. Mas infelizmente, Groban começa a sussurrar idéias no ouvido de Piggy, e o show começa a piorar e piorar, e agora Kermit tem que separar os dois.

O problema dessa história é o modo como The Muppets está tratando Miss Piggy. A medida que o episódio se passa, ela vira mais e mais aquele estereótipo da diva loira que não sabe pensar e que é facilmente manipulada por um homem. Quando Kermit decide colocar o nome de Groban no banner do show para atiçar a inveja de Piggy, ele sussurra “a melhor parte disso é que apesar de você ser a única apresentadora de talk shows noturnos, você é corajosa o suficiente para dizer ‘eu não consigo fazer isso sem um homem’!”. Uma piada que acaba sendo verdade demais: no Muppet Show, Piggy era uma diva, mas nunca burra. Ela era exagerada, mas nunca influenciada. Os roteiristas estão tornando a Miss Piggy em uma piada, em vez de parte dela.

The Muppets 1x02 - Hostile Makeover

A história também demonstra como Kermit esta se tornando em um personagem genérico de sitcom, alguém que não se importa com os sentimentos dele. Odeio usar o mas o Kermit que eu conheço nunca faria isso, mas… o Kermit que eu conheço nunca faria isso. Sim, ele se irritava, e muitas vezes com razão, mas ele sempre superava sua raiva para ajudar os outros Muppets a fazerem um show. Eu não vejo porque este Kermit sairia da cama para fazer o talk show de Miss Piggy, se ele tira tanta satisfação em fazer algo assim com ela. Há sinais de que sua felicidade vem mais do fato que ele está se livrando de Josh Groban, mas as dicas de que Kermit ainda ama Piggy (presentes no episódio passado) não estão aqui.

Tal transformação é horrível, já que este é provavelmente o melhor Kermit já colocado na tela. Steve Whitmire, o puppeeter (que significa, em uma tradução livre, manipulador de fantoches) do grande sapo coloca emoção em cada fala. No começo do episódio, há uma cena onde ele sussurra, e a boca de Kermit está levemente aberta de um só lado. A paleta de expressões que Kermit possui na série é incrível, e o fato que ela é alcançada apenas com uma mão dentro de um fantoche é razão o suficiente para muitos atores sentirem vergonha, mas é uma pena que todo esse trabalho está sendo usado para fazer um Kermit tão malvado.

A segunda história do episódio envolve Fozzie, que é convidado para uma festa na casa de Jay Leno. O ex-apresentador gosta tanto dele, que Fozzie leva um potinho de vidro como um souvenir daquele momento. Quando ele é chamado de volta, Leno acaba acidentalmente descobrindo a farsa… e só. A história é muito mal feita e há poucas piadas para justificar todo o tempo gasto nessa aventura não tão importante. Ao menos no episódio passado, Fozzie visitando os pais de sua namorada servia para demonstrar o modo como o programa iria lidar com temas adultos. Aqui, serve para… bem… nada.

Talvez a razão por trás da falha dessa história é o fato de que Jay Leno não parece estar interessado em contracenar com um Muppet. Os convidados dos Muppets, como mencionei antes, só funcionam quando eles conseguem brincar consigo mesmos e aceitar a bizarrice da situação. Josh Groban (que já apareceu nos dois últimos filmes dos Muppets) não tem nenhum problema em fazer uma versão mais manipuladora de si mesmo, mas Leno nunca faz nada engraçado ou diferente. E isso em um episódio onde a melhor piada vem de uma ponta de Lawrence Fishburne, feita com uma perfeição que me faz perguntar quando é que ele vai aparecer como convidado principal de um episódio.

A terceira história também não afeta o mundo dos Muppets e acaba sendo um gasto de tempo. Nela, o urso Bobo (sim, esse é o nome dele), tenta vender biscoitos para ajudar a comprar uma bike para sua filha. “Ao menos a minha filha aprendeu algo,” ele diz quando não consegue vender nada. “Se você quer fazer algo, não conte com o seu pai.” Não há piada, não há final satisfatório, e a história se torna um veículo para um tema adulto que é tratado com total descaso. Qual é a graça dessa situação? Que a filha de Bobo está desapontada?

Perdoem o trocadilho, mas este episódio me fez engolir alguns sapos. O fino balanço entre o drama e a comédia do primeiro episódio desaparece, substituído por temas adultos jogados ao ar e piadas nonsense usadas como travesseiros para talvez ajudar na aterrissagem. Os Muppets, em uma jornada para serem mais adultos, acabam se tornando mais cínicos, passando por uma transformação que os torna em mais um produto para agradar a geração que só sabe fazer piada insultando outra pessoa. Os convidados desapontam, incapazes de serem mais do que uma versão super perfeita de si mesmos.

E o pior de tudo é que há ouro embaixo de toda essa terra- um ouro engraçado, divertido e muito cobiçado. Mas The Muppets precisa mudar de pá para achá-lo. Se continuar assim, só vai acabar sujando a imagem dos personagens que amamos.

O que você achou deste episódio de The Muppets? Dê a sua nota e comente!

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