The New Normal, a família moderna de Ryan Murphy

Crescer com dois pais? Quanta dança, viagens e cultura uma criança pode aguentar? — Bryan

A diversidade sexual nunca esteve tão em alta como atualmente. E a TV americana não se ausentou em explorar mais a fundo tal variedade, uma prova disso foi o recorde atingido no ano passado pela quantidade de personagens LGBT nas séries das principais emissoras; onde cerca de 4,5% deles são homossexuais. E tal marca tende só a crescer, pois de acordo com a GLAAD, cada vez mais os americanos são convidados a aceitar familiares e amigos gays, e, quando sintonizam seus programas preferidos, esperam ver a mesma diversidade que encontram em suas vidas cotidianas. Devido a isso, trago a vocês uma produção extremamente subestimada que aborda desta temática: The New Normal, a (injustamente) cancelada comédia com a assinatura especial de Ryan Murphy.

The-New-Normal

A comédia trata da jornada de Bryan e David, um casal homoafetivo, que decidem ter seu primeiro filho através de uma barriga de aluguel, Goldie.

Equilibrando muita bem a comicidade inteligente e sarcasmo crítico com um quê de drama, o roteiro de The New Normal era o maior suplemento vitalício de sua própria narrativa. Explorar a trajetória desde o nascimento de um bebê em um ventre alugado até seu “real surgimento”, enfrentando todos os dilemas e complicações do caminho, nunca foi tão divertido. Tudo foi introduzido e desenvolvido em um ritmo funcional, leve, sem muitos exageros, elevando a série como a melhor comédia da Fall Season 2012–2013.

Os clichês não eram invisíveis na narrativa, porém até passavam despercebidos por serem bem trabalhados. As situações não apresentavam muitas novidades, mas eram exercitadas com muita cautela. Em si, a série conseguia maquiar muito bem tais pontos que não se enquadravam muito bem na proposta da mesma. Um ponto importuno em The New Normal eram os momentos em que partiam para a ofensa a fim de criar comédia.

Provar que homossexuais possuem amigos negros foi um deles, e este arco teve destaque durante um episódio inteiro. Dizer que lésbicas são homens feios também não ajudou na boa repercussão da série. Ofender os asiáticos e imigrantes surtiu o mesmo efeito. Até os próprios gays e héteros eram vítimas dos insultos. Tais momentos foram pautas de tabloides renomados e conhecidos, como o Huffington Post e outros meios midiáticos. A série conhecia muitíssimo bem as artimanhas para entreter, mas às vezes ignorava sua sanidade e apelava intensamente.

BryanAndDavid

O elenco lidava encantadoramente com as devidas interpretações. O leque de personagens de The New Normal era cativante, brilhantemente construído e abusivo nos estereótipos. Apesar disso, a soma de interpretações e personalidades fictícias idealizavam muito bem um grupo de protagonistas admiráveis, que quando o roteiro calhava a falhar, sustentavam a série em suas costas com a química que os unia.

E novamente, a overdose nos esterótipos também partiam para as ofensas. O casal principal extremamente carismático e as lésbicas caricatas foram motivos de revolta logo no terceiro episódio da série. O One Million Moms, um grupo que tem como foco lutar contra piadas/trocadilhos e maneiras homofóbicas de retratar lésbicas na televisão, publicaram notas contra a série, a NBC e a Ryan Murphy, graças ao jeito que repugnava a fatia feminina da homossexualidade e endeusava a Ditadura Gay masculina.

Contudo, vale reforçar que o grupo de protagonistas e respectivos coadjuvantes que compõe o elenco da série é excepcional, esbanjando carisma e personalidade, o que torna-os extremamente fortes e interessantes. Se Tia Ryan sabe fazer algo com maestria certeira, esta habilidade é toda investida nos personagens de sua imaginação.

TheNewNormal

O único lamento maior sobre a série ficava por conta de uma certa restrição imposta no roteiro em alguns momentos; The New Normal foi cancelada (fuck you, Americans!) e guardou muito conteúdo para desenvolvimento tardio, anulando uma libertação de seu total potencial. Alguns episódios tornam-se um tanto frouxos devido ao assunto parecer estar se esgotando, porém é uma sensação rapidamente momentânea que deve permanecer durante 3 ou 4 episódios, um número bom para uma temporada composta por 22 deles.

Eu sinto como se tivesse comido um ensopado feito por um negro gay antes de adormecer… Foi um pesadelo! — Nana

Se você busca por uma comédia ágil e ora divertida, ora genial, The New Normal é a resposta mais qualificada para suas preces. Seja ofensiva ou realista, a série cumpriu muito bem o papel de entretenimento sagaz e diferenciado, autenticando mais uma vez o quão boa Tia Ryan Murphy é quando resolve apostar sua atenção e valiosa dedicação em um projeto, pois a série era o maior exemplo de quão genial uma comédia pode ser.

Nota do colunista: O personagem de Nana é o que mais pode incomodar os sensíveis, porém tudo nela foi utilizado apenas para o próprio desenvolvimento da mesma. Os americanos são cheios de mimimi, então mesmo com tais piadinhas de mal gosto, The New Normal vale a pena ser conferida. A meu ver, nem as situações que reforcei no roteiro e tais estereótipos demonstravam interesse voltado ao ato de ofender, e sim de divertir através do cotidiano, mas é meu dever reportar tais elementos no enredo.

Sobre o Autor

Avatar

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Lidio Mateus, o brazilian singer da internet, comenta todos os bafos e segredos de sua carreira.

Tem série nova na HBO e os bastidores dela foram recheados de TRETAS. A gente conta todas neste vídeo.

Esse é o filme que vai ganhar o Oscar de filme estrangeiro. Neste vídeo comentamos Parasite. Assista!

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!

OUÇA ACABEI DE LER