The Newsroom 1×03 — The 112th Congress

Somos a elite da mídia” — Will McAvoy

Se no episódio anterior Will decidiu entrar de cabeça na nova proposta de cobertura jornalística para o News Night, no terceiro episódio o âncora fez sua coroação. Em um discurso de desculpas para o seu público, o “novo” Will discorre, de uma maneira romanceada, o que de fato seria o jornalismo e sua verdadeira função na sociedade.

Para Charlie e Mackenzie, Will seria o promotor da verdade, e a redação do News Night um grande tribunal da informação. Ao prometer a verdade, nada além da verdade, aos seus telespectadores, MacAvoy só esqueceu uma coisa, de pedir permissão, para assumir este papel, para quem são realmente os donos do terreiro: os habitantes do temido 44º andar.

Na review anterior disse que The Newsroom trataria de uma pedra no sapato de toda redação que se preze: o embate entre audiência x qualidade. Agora incluo mais um item nessa briga, os interesses políticos. Aqui personificados na figura de Leona Lansing (Jane Fonda, em sua primeira aparição), CEO da Atlantis World Media.

The 112th Congress tem como pano de fundo as eleições para o Congresso americano de 2010. Assim tivemos em um episódio apenas uma passagem de tempo de 6 meses. Nesse período, estamos vendo o novo Will em ação. Tivemos severas críticas ao movimento Tea Party, às ações nebulosas de candidatos ao congresso, verdade sobre democratas x republicanos, e os verdadeiros interesses dos grandes aglomerados industriais. Enfim, um prato cheio para Aaron Sorkin temperar suas visões políticas e sociais sobre os EUA.

Ao mesmo tempo, com o recurso de flashforward, víamos a reunião da cúpula da Atlantis World preocupada com os rumos jornalísticos do News Night. Se a redação era o tribunal da verdade, o 44º era o tribunal do “que realmente é verdade”. Na cadeira dos réus, Charlie e Will.

Com as mudanças, o telejornal vem perdendo em audiência, e o mais preocupante, vem causando mal estar aos interesses políticos. Os diálogos entre Charlie e Leona foram os melhores do episódio, e darão os rumos que veremos nos próximos capítulos.

Leona foi taxativa ao dizer que é preciso colocar uma mordaça em o Will, e que o antigo âncora era o sonho de qualquer veículo, que busca um lugar de conforto e confiança entre os detentores do poder. Desta forma, ou Charlie volta com a antiga fórmula do News Night, ou estarão todos na rua.

Não preciso falar que estou ansioso para os próximos embates. Duvido que Will, e aqui coloco a importante figura de Mackenzie, voltará à velha forma. Independente de querer trazer a verdade, McAvoy está experimentando poderes que nunca teve, o da decisão do que ir ao ar, de encostar o dedo em feridas, e mesmo que em entrelinhas, expor uma opinião que pode ser acatada por milhões. Veremos uma briga de poder x poder.

Deixei as relações amorosas de lado porque até agora, pelo menos para mim, elas estão no campo da infantilização. Os dramas dos casais não condizem com as posturas profissionais dos mesmos. O amor ainda não teve vez em The Newsroom.

Achei interessante também colocar algumas informações que são úteis para o entendimento desse terceiro episódio:

– Tea Party: é um movimento social e político populista, conservador de ultradireita, surgido nos EUA em 2009, através de uma série de protestos locais e nacionais. Os protestos foram, parcialmente, em resposta a diversas leis federais, como o Plano de Resgate Econômico de 2008, a Lei de Recuperação e Reinvestimento dos EUA de 2009 e as leis de reforma do sistema de saúde do país.

– Irmãos Koch: Charles e David Koch, são dono das Indústrias Koch, um conglomerado com sede em Wichita, Kansas, cuja renda anual tem sido estimada em 100 milhões de dólares. Os Kochs operam refinarias de petróleo no Alaska, no Texas, e em Minnesota, e controlam cerca de 4 mil milhas de oleodutos. Os Kochs militam há muito tempo entre os empresários da direita norte-americana e estão entre as empresas mais poluentes dos EUA.

Até a próxima reunião de pauta.

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