The Newsroom 1×06 — Bullies

The Newsroom 1×06 — Bullies

Vou consertar a internet sozinho. — Will McAvoy

No dicionário Aurélio, um dos significados para a palavra poder é: “ter força, possibilidade, autoridade, influência para.” Em uma das primeiras reviews disse que viríamos em The Newsroom uma interessante guerra entre poder x poder, e suas implicações. Em Bullies, um dos melhores episódios até agora, essa relação ganhou nomes: Will, Sloan e Charlie. Três personagens tão complexos tendo o “direito” (?) de exercer o tão cobiçado “poder” de. Não é a toa que o jornalismo é visto como o Quarto Poder. Você ter a possibilidade de dizer e escrever sobre assuntos de relevância mundial, ou ter a influência de intervir de forma categórica no que é verdade aos olhos da sociedade, em algum momento irá mexer com você de forma imbatível.

Já nos foi apresentado algumas características interessantes de Will: prepotente, arrogante, solitário e por aí vai. E esse mesmo homem é o porta voz daquele que se diz o principal produto de informação da ACN, o News Night. Esse poder que Will exerce, de estar à frente da informação, o torna de certa forma, um super-homem. Ao sentar na sua bancada, McAvoy relata fatos, questiona outros, impõe opiniões, intimida e às vezes desmoraliza entrevistados.

Neste episódio, Will exerceu todas as possibilidades de poder. Depois de exigir mudanças nas formas de comentários do seu blog, e de causar um mal estar com o entrevistado, um representante gay do candidato ultraconservador à presidência da republica dos EUA, as consequências surgiram. Will se viu sofrendo ameaças de morte, devido ao seu comportamento e o seu poder de dizer o que bem entender diante das câmeras.

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E sem conseguir se segurar diante de tantos acontecimentos, nosso arrogante predileto retorna ao divã. Agora temos a possibilidade de desconstruir Will, e descobrirmos que ele ainda não fechou a gestalt no que diz respeito a sua relação com MacKenzie, e que os fantasmas do passado, como o pai alcoólatra e violento, ainda insistem em permanecer em sua memória. É interessante ver a vulnerabilidade de um personagem tão bem construído. Acredito que essas sessões de analises estão longe de terminar, para o bem de McAvoy e para nossa incessante curiosidade.

E quando uma personagem até então pouco aproveitada, tem o poder de aparecer tão bem em um episódio instigante? Estou falando de Sloan (Olívia Munn), e seu presente de poder substituir a bancada do jornal das 22h. Totalmente insegura para aceitar essa responsabilidade, Sloan recorre a Will, fazendo às vezes de mentor supremo. E aí, criatura se sobressai ao criador. Tendo como pano de fundo a explosão dos reatores em Fukushima, a comentarista econômica se viu com o faca e o queijo na mão, e numa sequencia desastrosa de informações acabou colocando em risco o seu emprego e principalmente a credibilidade jornalística da ACN.

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Sempre achei Charlie (Sam Waterston), um dos personagens mais interessantes e carismáticos de The Newsrrom. Só não sabia o quão poderoso ele era. Coube a ele, a sequencia mais interessante do episódio. Ao obrigar Sloan a voltar para a bancada e fazer o mea culpa diante das informações passadas (mesmo sabendo que tais informações foram dadas como verídicas mais tarde pela TEPCO), e ter o aval de Will que tal atitude era a mais sensata, Charlie abre um leque interessante de discussões. O que realmente vale no final das contas? Ser um profissional idealista ou um empregado conformista? Qual o poder que realmente se sobressai? Fazer um jornalista mentir, se humilhar mesmo sabendo que dizia a verdade, para um bem maior, é realmente ético?

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Por isso atesto que Bullies foi um grande episódio. Ele conseguiu, pela primeira vez nessa temporada, alinhar os problemas, dramas e conflitos da redação com os problemas, dramas e conflitos pessoais. A escolha de centrar nestes três personagens foi fantástica. Vimos o poder de Will ser desmanchado diante dos seus temores pessoais, Sloan crescer tanto em personagem quanto como jornalista, ficará mais esperta. E vimos Charlie, com toda a sua classe, dizer que não sou o dono do poder maior, mas com certeza ele passa por mim algumas vezes.

Até a próxima reunião de pauta.

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