The Newsroom 3×06 — What kind of Day has it been [Series Finale]

Boa noite” — Will McAvoy

Aaron Sorkin é um romântico incorrigível e um provocador, como pouco se vê na TV. Ele é desses criadores que não se limitam em apenas escrever algo. Ele vai além e imprime a sua opinião por meio de diálogos, situações e personagens chaves. Realidade e ficção caminham juntas em suas obras. The Newsroom não fugiu a regra. Se de inicio acreditávamos que Will era a voz de Sorkin, os episódios finais vieram nos contradizer. Era Charlie, o alterego de Aaron. E Charlie era a pura personificação de um Dom Quixote do jornalismo.

Como sabemos Sorkin, também saudosista gosta de finais felizes para suas crias. E não podíamos esperar outra coisa desse series finales. A começar pelo seu título! What Kind Of Day Has It Been é uma frase de Robert Whitehead, produtor da Broadway, que trabalhou com Sorkin em sua primeira peça. E como curiosidade essa frase foi usada como título de episódios em outras de suas criações, como Sports Night, The West Wing e Studio 60.

Durante as três temporadas de The Newsroom, Aaron Sorkin levantou e provocou questões muito atuais a cerca do fazer jornalismo. A sua ética, a sua forma e o seu futuro. Por seu romantismo pregou a ideia, que muitos acham ultrapassada, de como se dar uma notícia. Tivemos discussões interessantes sobre a linha tênue entre público e privado. E, claro, o jornalismo online e o seu modo, nem sempre pautado, de se dar uma notícia. The Newsroom vai fazer falta nesse sentido, pois nem sempre concordávamos com o pensamento do seu criador, mas tínhamos a certeza que era o momento exato para se falar sobre aquilo.

thenewsrrom3x06

Foi uma despedida digna. Mesmo tendo passado quase toda ela no funeral de Charlie. Mas não tinha outra forma. Ao matar o seu alterego era como se Sorkin entregasse os pontos daquilo que acreditava ser o certo nos meios de comunicação. Então não teríamos um final feliz, certo? Errado. Por meio de flashbacks entendemos como que Charlie arquitetou tudo aquilo que vimos no decorrer das temporadas: Will se recriando com a ajuda de Mac, Mackenzie com suas loucuras assumindo o lugar de Charlie (e talvez uma mea culpa de Sorkin, por ter sido acusado de criar um texto machista em The Newsroom), o amadurecimento de Maggie e de Neal, e por aí foi.

Se Charlie se considerava um Dom Quixote, com seus sonhos e delírios do que poderia ser o ideal dentro de uma redação, ele formou um exercito de outros loucos. E que mesmo sem a sua presença continuarão o seu legado. Não que as coisas estarão fáceis para a ACN, mas fica um indício de que nada foi feito em vão. Então, sim, tivemos um final feliz!

The Newsrrom cresceu muito no decorrer desses três anos e, como toda boa série que encontra seu caminho, termina deixando a sensação de que poderia ter um pouco mais de vida. Sorkin anda dizendo que foi seu ultimo trabalho para a TV, espero que não. Assim como o jornalismo que se encontra num momento de reinvenção, a TV nunca se viu tão aberta a projetos provocativos. Espero que Sorkin tire apenas umas férias. Boa noite!

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