The O.C.: uma década de muito sol, dramas e saudades

Na última segunda-feira (5), um dos dramas teen mais famosos em todo mundo completou dez anos da exibição de seu episódio piloto. Já está sentindo o sol bater na cara? Esta cantando o tema icônico da banda Phanton Planet? Pois é. o Com Texto e História de hoje está mais do que especial, e revisita esse legado que The O.C. construiu. Welcome to The O.C., bitch?

Josh Schwartz tinha apenas 26 anos quando levou à TV um grupo de adolescentes encabeçado pelas sobrancelhas de Peter Gallagher (Sandy Cohen), que interpretava um advogado que acaba por levar para casa um garoto abandonado na vida por sua mãe drogada. Este era Ryan Atwood (Ben McKenzie), que junto com Seth (Adam Brody), Summer (Rachel Bilson) e Marissa (Misha Barton) formavam o quarteto protagonista adolescente, que tiveram muitas histórias, dramas e amores. O elenco ainda contava com Kelly Rowan (Kirsten Cohen), Melinda Clarke (Julie Cooper), Tate Donovan (Jimmy Cooper) e Alan Dale (Caleb Nichol). A trajetória de Ryan conquistou uma legião de fãs entre 2003 e 2007, e foi do céu ao inferno em quatro temporadas, em uma história que com certeza é marcante na TV americana.

Em entrevista recente ao site Hitfix, Schwartz comentou como foi o processo criativo da série. O criador disse que em todo momento o produtor McG foi uma peça importante para levar o piloto ao ar na FOX. Piloto este que já tinha sido escrito algum tempo antes. E que, quando ele criou The O.C., ele fez algo de diferente relacionado a séries adolescentes — ele tinha como principal história contar a relação de dois garotos, que passavam a viver sob o mesmo teto, mas com realidades completamente diferentes.

Josh, na mesma entrevista, revelou algumas coisas, incluindo que o papel de Marissa quase ficou com Olivia Wilde — que viria a participar da série na segunda temporada, e que Ben McKenzie caiu de paraquedas no teste de elenco, já que o ator pretendia entrar em uma série produzida pela UPN.

A série logo encantou multidões, inclusive aqui no Brasil, quando foi ao ar pelo SBT, sagradamente aos domingos às 11h da manhã, antecedendo Smallville. Talvez a leveza do humor com drama, as mansões luxuosas e a vida dos cidadãos de Orange County criaram este misticismo que caracteriza a série. O tema icônico da banda Phanton Planet virou febre no mundo inteiro. Quem aí se lembra de cantar como um louco, “California here we come” durante a abertura hein?

A primeira temporada, que contou com surpreendentes 27 episódios, logo foi sucesso de crítica e público. E, ao longo das outras, a série abordou muitos temas, como o alcoolismo jovem, o mundo dos negócios na alta sociedade, os ricos apenas de nomes, entre outros clichês. Mas a química que o elenco trazia, e a dinâmica como as histórias eram construídas, sem dúvidas se tornaram características marcantes de The O.C. Quem não lembra do episódio de Tijuana, que Marissa entra em coma alcoólico logo na primeira temporada? E o episódio da chuva (Sim, raramente, chovia em Orange County), que termina com o beijo do homem-aranha entre Seth e Summer? Momentos icônicos na história da TV.

Os coadjuvantes e as participações roubavam a cena. Quem lembra de Anna, Oliver, Johnny, Luke, Taylor, Lindsay entre outros, que agitavam alguns episódios da série? Muitos deles criavam shippers fervorosos, como aqueles que preferiam que Seth ficasse com Anna, em vez de continuar sendo esnobado por Summer. Taylor e Ryan também criaram uma fã base, principalmente depois que o casal passou a ficar firme.

A terceira temporada da série, entretanto, foi um divisor de águas. As mudanças na série já começaram na season finale da 2ª temporada, quando Marissa atira no irmão de Ryan, e o clima pesado a partir dali estaria presente em quase todos os episódios da terceira temporada — principalmente vinculados à protagonista interpretada por Misha Barton. Marissa sempre foi uma personagens que dividia os fãs — muitos a amavam, outros tantos a odiavam. Sua trajetória na série foi muito complicada, passando pelo alcoolismo, depressão, uso de drogas, tentativa de estupro, entre muitas outras coisas. A imagem da personagem acabou por ficar desgastada.

Junte-se a isso o fato de que Misha Barton não era a mais adorada nos bastidores. Rés a lenda que a atriz chegava sempre atrasada, não decorava todos os textos e não criava um bom ambiente de trabalho. Uniu-se o útil ao agradável. No final da terceira temporada, a atriz acabou pedindo dispensa da série e Josh Schwartz ,em decisão criativa junto com a atriz, resolveu matar a personagem. Uma escolha que pode ter sido um dos fatores que, na temporada seguinte, fez a série ser cancelada.

Marissa Morte The OC

Em entrevista recente, Josh diz se arrepender desse gesto. E que se fosse hoje, ele não faria o mesmo, mas que aprendemos com os erros. Fato é que a quarta temporada apresentou uma queda brusca na audiência, perdendo mais da metade dos espectadores. Uma pena, pois, depois da morte da personagem, a série parece ter voltado aos eixos, com uma atmosfera mais leve, com mais humor — forma que inclusive foi usada para tratar o luto dos personagens com a morte de Marissa.

A história de The O.C. terminou bruscamente, antes do fim da quarta temporada, quando a FOX resolveu cancelar a série. Oito episódios da temporada tinham sido exibidos, quando a emissora resolveu agir de tal forma, e Josh Schwartz teve alguns episódios para preparar a despedida de seus personagens. A notícia foi recebida com muito pesar pelos fãs da série, que finalizou uma história que, como disse no início, foi do céu ao inferno em quatro anos.

Mesmo depois de encerrada, The O.C. continuou formando legião de fãs, e hoje, dez anos depois da estreia do piloto, claramente ainda se vê isso. A série criou tendência de moda com as roupas de Marissa e Summer. Cresceu o interesse de pessoas em histórias em quadrinhos, com a paixão de Seth. Apresentou excelentes bandas, com a mais do que elogiada trilha sonora (relembre-a aqui) da série. E introduziu atores que são reconhecidos até hoje quando aparecem em alguma produção.

O último episódio foi exibido no dia 22 de fevereiro de 2007 nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a Warner Channel exibiu o final no dia 12 de abril de 2007, e o SBT no dia 30 de março de 2008. As cenas finais dariam histórias para mais umas duas temporadas, entretanto, tivemos de nos contentar com alguns minutos, embalados pela belíssima “Life Is a Song” de Patrick Park. Relembre:

E desta forma, nós encerramos a matéria, e matamos a saudade desse fenômeno, que para sempre ficará nos corações dos fãs. Parabéns The O.C., pelo aniversário de dez anos e por todo esse legado que conseguiu construir. E realmente, parece que foi ontem!

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