The River, a “nova Lost”?

Semana passada a ABC estreou o que já estava todo mundo chamando de “a nova Lost”, The River. Pode esquecer esse negócio de “nova Lost”, porque de Lost a série tem, no máximo, cenas na selva. E a impressão que dá é que as cenas foram criadas exatamente para remeter ao grande sucesso da ABC. Na verdade, The River se assemelha muito mais a filmes como A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal, tanto pelo formato de documentário, em que a câmera está na mão de um dos personagens (e chacoalha MUITO), quanto pela temática sobrenatural.

A história é simples (ou deveria ser): Dr. Emmet Cole, um documentarista, desaparece na selva amazônica misteriosamente, e sua mulher resolve ir atrás dele junto com uma equipe de documentário, convencendo seu filho a ir junto. O rapaz, um médico recém formado, se junta ao grupo mais para proteger a mãe do que por acreditar que o pai, de quem tem bastante ressentimento por achar que ele se preocupava mais com a audiência do programa do que com sua família, tenha chances de estar vivo. À eles se juntam ainda, o antigo capitão do barco onde os documentários eram gravados, sua filha adolescente e a filha do cameraman que também despareceu junto com Emmet Cole.

Apesar de parecer ser uma fórmula simples, The River acaba pecando pelo excesso de referências. Além da tentativa de evocar Lost com suas cenas na selva (as locações e figurinos são bem similares) ainda temos alguns recursos clássico de JJ Abrams, como as tempestuosas relações pais e filhos e flashbacks que explicam um pouco o que está acontecendo. O episódio (duplo) de estreia, inclusive, fecha com um bem importante que nos revela uma informação essencial para a história e, com certeza, vai fazer com que a audiência volte para saber o desenrolar da história, mesmo que ela seja bem fraca e confusa.

Mesmo se passando na floresta amazônica, a história não acontece no Amazonas, mas sim no Tocantins, e aí já começam alguns problemas, já que o Rio Amazonas não cruza esse estado. Na verdade, essas informações são bem confusas. Eles não dizem claramente que é o Rio Amazonas, apenas que é no Tocantins e na região amazônica. Eu, particularmente, acredito que tenha sido um erro pela falta de familiaridade com a região, da mesma forma que os brasileiros não são familiarizados com a geografia de outros lugares, mas talvez um pouco mais de pesquisa não fizesse mal a ninguém por se tratar de um produto de exportação de uma emissora que conta com recursos para isso. Mas de qualquer forma, esse não é o pior dos males da série.

Quem mora em uma cidade grande, sabe das dificuldades que é conseguir acessar a internet de modo satisfatório. No meio da Amazônia, a gente imagina que internet seja praticamente inexistente, principalmente no meio da selva, num barco ou bote. Não para a equipe de The River. Eles usam a internet em botes com uma facilidade incrível. E internet não é o único recurso a que eles têm acesso fácil. As baterias das câmeras de filmagem devem ser feitas de um material novo, pois são usadas o tempo todo e continuam funcionando. Micro câmeras são espalhadas fartamente pelos barcos, botes e acampamentos no meio da floresta, deixadas para trás e novas são instaladas na próxima parada do grupo.

Numa cena em que abrem um porta lacrada, usam uma serra elétrica que foi tirada, provavelmente, da bolsa enfeitiçada por Hermione antes de sair para procurar as Horcruxes, porque só isso explica eles conseguirem carregar equipamentos de filmagem, incluindo o estoque infinito de micro câmeras, serra elétrica, maletas carregadas de armas e munição mais os membros do grupo em apenas dois botes.

Os únicos insetos que, aparentemente, existem por lá são libélulas, que participam de dois momentos bizarros da história. No primeiro, ao se aproximarem do antigo barco de Emmet Cole, o grupo é recepcionado por um enxame delas e ninguém tenta espantá-las, como se ser rodeado por libélulas estranhamente azuis acontecesse com todo mundo o tempo todo. Até as mulheres simplesmente olham para o efeito de computação como se fosse a coisa mais natural do mundo. Queria ver se tivessem usado libélulas reais. No outro momento, uma das libélulas entra no corpo de Jahel, a filha do capitão do barco, e descobrimos que Emmet está se comunicando através dela, nos explicando o porquê da garota estar na expedição.

A garota, aliás, é um caso a parte. Ela não fala uma palavra em inglês e, apesar da série se passar no Tocantins, só fala em espanhol. Todo mundo fala inglês o tempo todo, uns com os outros e com a própria Jahel, que entra no assunto com colações pertinentes em espanhol como se tivesse entendido tudo. E todos, sem exceção, entendem o que ela diz. Já deu pra ver que ninguém ali teve aulas com um certo William Schuester.

A trilha sonora cumpre bem sua função, mas lembra bem a de uma outra série de mistérios, que tem cenas gravadas na selva, como é mesmo o nome? Ah, sim. Lost. Toda a sonoridade de The River lembra Lost, inclusive nos momentos em que o espírito mau ataca, os ruídos que ele faz lembram bastante os que o monstro de fumaça emitia mesmo quando não aparecia.

O trunfo de The River, provavelmente, é a rapidez com que os mistérios são resolvidos. Não precisar esperar tanto pode parecer frustrante no começo, como por exemplo, no caso do espírito mau que apareceu, fez seu estrago e foi capturado rapidamente. Mas no fim, o espectador fica mais aliviado por não ter que esperar pela resolução de tramas paralelas, principalmente, quando descobre que tem um mistério maior a caminho, segurando sua audiência pelos oito episódios garantidos para a primeira temporada.

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