The Voice Brasil 3×02 — Tá estranho, tá invertido

Segundo dia de audições às cegas foi pra derrubar estigmas

Pode falar que não deu pra entender o título e abertura dessa review, eu também não entenderia, mas acontece que tava difícil resumir a confusão mental que passa na minha cabeça em tão poucos caracteres. Tudo tão embaralhado que vou até embaralhar a sequência desse texto, falando primeiro do final. Isso porque, não sei você, leitor, mas eu senti como se tivesse ido me deitar após o The Voice Brasil e tivesse acordado bolha graças à performance sensacional da Cláudia Leitte para fechar o programa de ontem. Tá, não é pra tanto, não viraria bolha por causa de uma apresentação, mas menina Milk merece reconhecimento pelo cover de “It Hurt So Bad”, de Susan Tedeschi.

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Não apenas por ter cantado a música toda sem desafinar nenhuma vez, mas por ter finalmente aprendido a pronunciar as palavras em inglês, sem embromation….

Me julguem!

Além do destaque pra evolução de Milk como cantora e do (estranho) fato de ela vir melhorando também nos comentários técnicos, a noite foi marcada por três outros pontos um tanto estranhos a meu ver. Um deles, que é de certa forma prejudicial ao programa, é que muitos candidatos foram aprovados por um técnico apenas — na maioria dos casos, por Brown. Fica chato porque a disputa entre os técnicos é essencial no formato The Voice, mas como os argumentos no programa da Rede Globo não são o forte, tá de boa. Mas essa falta de candidatos que conquistam vários jurados representa o retrato desse início de temporada: pessoal tá num nível legal, mas não houve nada que surpreendesse tanto. Tá aqui o gancho pra outra surpresa da noite!

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Danilo Reis e Rafael, se não me falha a memória, foram a primeira dupla sertaneja a conquistar quatro cadeiras e não o fizeram à toa. As vozes deles — pra ser mais específica a voz do Rafael tem um timbre impressionantemente grave, daqueles que dificultam na hora de cantar — Lulu disse que lembrava a dele mesmo, outra comparação plausível seria com a voz de Arnaldo Antunes. Foi diferente assistir a um cantor com tal tipo de voz cantando sertanejo, com “Sinônimos”, de Zé Ramalho, eles emocionaram os técnicos e, dessa vez sem surpresa, escolheram Daniel.

O penúltimo ponto que merece ser ressaltado é que nessa noite a maioria dos candidatos deixaram transparecer nervosismo, o que prejudica o desempenho no quesito técnica, mas concede mais veracidade à competição. A cantora lírica Isadora Morais, que cantou “At last”, de Etta James, o sambista que estuda música desde criança, Romero Ribeiro, executando “Deixa acontecer”, do grupo Revelação, e a norte-americana-baiana Princess La-Tremenda, em “I say a little prayer for you”, permaneceram no programa por uma questão de percepção de quem os escolheu, pois cometeram erros técnicos que poderiam ter lhes tirado do The Voice Brasil.

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A impressão que ficou é a de que os técnicos sentiram o potencial que eles (realmente) parecem ter e arriscaram trabalhar com eles para sentir se o nervosismo vai ser deixado nas audições às cegas. Destaque para o fato de que os três têm estilos completamente diferentes, mas todos são não apenas cantores como também estudam música, o que não é tão comum em concorrentes aqui no Brasil, que muito comumente acreditam que têm um dom e isso é o suficiente para cantarem.

Outras performances que mereceram destaque foram a de Edu Camargo, Twyla e Letícia Pedroza. Edu cantou e executou ao piano (impressão minha ou foi a primeira vez que tocaram piano na franquia brasileira?) “Eu preciso te esquecer”, de Cláudia Telles, ganhando três técnicos. Nos trechos em que apareceu cantando no VT pré-apresentação e acapella após ser aprovado, ele mandou melhor que na performance em si, mas foi bem legal perceber a forma como Edu conciliava técnica e emoção ao cantar, envolvendo quem assistia.

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Primeira candidata da noite, Twyla foi super criativa — só que não — cantando uma das músicas que mais têm versões nos reality shows de todo o mundo, “Chains of fool”, da Aretha Franklin. É tipo usar Adele Card, não pode! Só que ela mandou bem na performance, que tinha uma pegada mais pro rock, estilo que ela disse ter descoberto e se apaixonado pra sempre. Os técnicos viraram-se quase que simultaneamente logo no início da apresentação e não era pra menos, os gritos (afinados!) dela são aqueles que deixariam Christina Aguilera orgulhosa com those crazy notes.

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Atriz de musical, Letícia Pedroza participou de “Vale Tudo — o Musical”, ao lado de Tiago Abravanel e elenco (adorei escrever assim. huahaha). Para a audição, escolheu “Telefone”, do Tim Maia para a surpresa de toNÃO PERA. Confesso que esperava mais, só que é inegável o talento dela e o fato de que ela interpreta com gestos e feições deiza a apresentação gostosa de se ver.

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Correndo por baixo, sem muito diferencial, tivemos alguns candidatos que entraram, mas não têm potencial para ir muito longe, a não ser que façam algo realmente surpreendente noutras fases. Mariana Mira, linda, mas tipo MUITO, cantou Karma, da Joss Stone, e quase acabou fora, não fosse Lulu apertar o botão nos segundos finais. Kiko e Jeanne cantaram Roupa Nova, “Meu universo é você”, tem coisa mais brega? Sim, a roupa da Jeanne. Amarildo Fire cantou “Tantinho”, de Carlinhos Brown e já gravada por Daniel e Claudinha Bagunceira e só entrou por ter feito uma versão bem diferente da original, de fato, a voz dele é gostosa de se ouvir, mas tem que comer muito feijão se quiser chegar a uma final.

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Até o momento, Brown tem 6 integrantes em seu time, Lulu Santos, 7, Claudia Leitte, 3 e Daniel, 4. Na próxima semana, não será exibido o The Voice por causa do debate presidencial, mas vale lembrar que neste domingo (28) estreia a versão americana legendada no Canal Sony, não perca, nossa cobertura já começou aqui!

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