The Voice Brasil 3×05 — A injustiça seja feita

‘Boninhagem’ prejudica técnicos e concorrentes no último dia de audições

Quando você resolve se desligar um pouco das tantas discussões fanáticas sobre eleições, vem seu programa da hora de lazer irritar. O The Voice Brasil da quinta (23) teve três destaques, positivos e/ ou negativos. Primeiramente, quatro candidatos cantaram músicas da Christina Aguilera.

Em segundo lugar, foi a noite com maior qualidade vocal, com praticamente todas as vozes da noite acertando o que se precisa. Talvez, tenha sido a única noite de destaque entre tantos episódios meio termo. De certa forma, isso causa alguma estranheza, já que quem fica por último no reality tem menos chances a partir do momento em que ao invés de quatro treinadores na disputa, passa-se a ter três, dois, um. Mas ok, é do jogo, acontece no Brasil e em qualquer outro país que trabalhe com a franquia.

Só que aí, no meio disso tudo, veio o absurdo. Lulu Santos e Cláudia Leitte completaram seus times, Daniel e Brown ainda lutavam entre si para formarem seus times e, estranhamente, Milk apertou seu botão para uma das melhores vozes que passaram pelo palco do programa na temporada. Erros acontecem, lembro de um episódio em que a cadeira de Blake Shelton se quebrou e, mesmo ele apertando para escolher o concorrente, ela deu uma volta, deixando-o de costas para o candidato. Por razões óbvias, o erro foi ignorado e ele pôde entrar na disputa pelo cantor.

Acontece que a forma como os problemas são tratados é que, às vezes, são extremamente erradas. Na quinta-feira, aqui no Brasil, ao fim da performance, Cláudia foi avisada por Tiago Leifert que não poderia ter a cantora em seu time, pois ele já estava completo. Simples assim, lógico e dentro das regras. Só que ‘a voz de Deus’ no ponto eletrônico de Leifert disse que no caso de a cantora escolher Cláudia como técnica, estaria ok, só que na hora das batalhas, Milk teria um trio ao invés de um duo se enfrentando. Errado, mas tçao errado, que ao invés de divagar sobre o assunto, prefiro pontar três pontos negativos da decisão:

1) Lulu saiu prejudicado por seguir a regra, afinal, quem garante que ele não tinha interesse em ter essa 13ª pessoa em seu time?

2) Brown e Daniel ficaram no prejuízo. Eles — como manda o figurino — tentavam completar seus times e escolheram a moça, era para um desses times que ela deveria ir

3) O nome do programa eleva A VOZ como principal, assim, candidatos não poderiam ser prejudicados. Mas junto com a tal moça que escolheu a Milk, dois outros candidatos terão suas chances de aprovação reduzidas de 50% a 33,33%.

Olha, soube que isso rolou recentemente noutro país, não justifica. Errado aqui, errado lá. A produção se apavorou em um caso que era de fácil decisão e — vale ressaltar — nem era ao vivo, dava para editar a situação facilmente, se achassem necessário.

Desabafo feito, vamos a uma síntese das últimas apresentações das audições às cegas!

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Davi Lins tem postura, presença de palco e até voz. Mas sua performance de “Mais Fácil” não merecia jamais três cadeiras viradas. A sensação para mim é exatamente contrária ao que os técnicos comentaram. Enquanto eles disseram que o cantor canta naturalmente, a mim parecia que ele tinha uma cozinha na boca, deixando uma impressão de que forçava ao interpretar a música. Um detalhe pe que ele foi do grupo Soweto, que lembra? Após ser muito elogiado e disputado por Milk, Brown e Daniel, ele optou por Cláudia.

Franciele Karen parece boa, apesar de ter desafinado, foi melhor do que Davi, na verdade, mas fez uma escolha que desfavoreceu muito. “She wolf”, conhecida na versão remix de David Guetta, não permitiu que ela mostrasse o que parece saber fazer.

Ninguém virou, então seguimos pro próximo, Dilauri, que tetava sua segunda chance no reality.

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No ano anterior, ele havia se arriscado com uma canção autoral, desta vez, ele fez uma versão de “Tá Vendo Aquela Lua”, do Exaltasamba, que foi o suficiente para virar três cadeiras — com exceção de Lulu — e se manter no programa, pelo time de Brown. Na real, ele não mostrou muita evolução em relação ao ano anterior, é um cara de nível mediano, manteve a afinação e executou a música direitinho.

Outra carinha — ou voz — já conhecida era a de Maria Alice, que era assim na época do TOP6 no Ídolos 2010:

Já era boa a moça, né?! E depois do programa da Record, ela se tornou backing vocal do sertanejo Eduardo Costa. Mas mandou bem mesmo foi como uma das melhores da noite em sua audição do The Voice cantando “You Oughta Know”, da Alanis Morissette. Empregou muito bema técnica vocal, deixou claro que tem intimidade com palco tanto na hora de se apresentar quanto ao conversar e ainda estava linda.

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Alerta magya pro Ricardo Diniz, que fez uma versão um tanto diferente de “Espelhos D’água”, conhecida na voz de Patrícia Marx. Durante a performance deu pra sacar que ele tem a voz muito bonita, porém o resultado final ficou meio estranho. Depois de ser super elogiado por Milk e Brown, ele acabou carregado pelo técnico escolhido, Daniel.

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Uma curiosidade, ele canta há 12 anos na banda Celebrare, além de tocar guitarra e violão, no melhor estilo formatura ~

De volta à adolescência com Paulo Soares cantando “Far Away”, do Nickelback. Muita boa performance, extremamente similar à original, o que deixa aquele ar de cover demais, mas confesso estar ansiosa para vê-lo cantando outras coisas, pois esse timbre tão grave é lindo.

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Seguindo a linha da franquia americana, que tem em quase todas as temporadas alguém que surgiu de vídeos no youtube, Nonô Lellis subiu no palco abrindo o especial Christina Aguilera. A música era “Fighter” e apesar da pouca idade (16 anos), Nonô surpreendeu os técnicos, que se viraram todos. Ela optou por Milk, achei estratégico.

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Gabi D’Paula tentou, mas não deu pra ela, segundo Brown, porque as estratégias já estão traçadas pelos treinadores. Traduzindo, ela tem o estilo muito parecido ao de outras cantores que estão classificadas, apesar da bela voz, não apresenta diferencial.

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Cantando “Something’s Got A Hold On Me” e “Satisfaction”, de Etta James e Rolling Stones, respectivamente, Millane Hora arrasou. Impecável em toda a performance, ela conquistou os dois técnicos a quem tinha direito, Brown e Daniel, e foi a pivo da confusão com Cláudia Leitte — sobre a qual já comentei demais, então vamos seguir — Millane acertou na execução desde a técnica até a presença de palco e foi, a meu ver, a melhor da noite.

Só um adendo, Christina canta a mesma música no filme Burlesque:

E, então, a dupla Flavinha e Léo cantou outra canção de Christina Aguilera, “Just a fool”, gravada em parceria com outro coach do The Voice americano, Blake Shelton. Os dois deram muito certo juntos, as vozes realmente ornaram, resultando em uma linda performance. Não demorou para que Daniel os escolhesse e agregasse mais uma dupla a seu time.

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Cantando “Amor de Índio”, de Beto Guedes, o também mineiro Kadu Vianna demorou para conquistar o técnico remanescente Carlinhos Brown, apesar de ter executado de forma rendondinha toda a música. E aí veio mais confusão, depois do precedente aberto com a 13ª integrante no time de Milk, Daniel se viu no direito de virar, mesmo tendo seu time completo. A exemplo do caso anterior, o cantor escolheu o técnico que burlou as regras.

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Enfim, o time de Brown ficou completo após tantas confusões e quebras de regra. Paula Marchesini, escolheu “Simply The Best”, sucesso de Tina Turner, o que não foi uma das melhores opções pra ela. Mas com timbre forte e muita simpatia, a cantora parece muito boa.

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Para fechar os trabalhos, Lulu Santos cantou “Luiz Maurício”.

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