The Walking Dead 5×01 — No Sanctuary

Você é o predador ou a presa” — Alex

E TWD volta com tudo que os nós, os fãs, sempre pedimos: sangue, emoção, jogos filosóficos e ganchos a serem desenvolvidos ao longo da temporada. É muito interessante notar que, de alguma forma, Terminus se assemelhava à prisão ou a Woodbury, que seriam locais de aparente segurança mas que começam a ser usados com outros intuitos, dependendo da liderança que estes locais tem. Fica uma dúvida: será que ainda há algum lugar seguro sobrando? Ou será que o destino das personagens será correr para não morrer até estar exausto desta situação?

Muitos se entregaram às armadilhas de lugares como Terminus. Andrea (e a maioria que ali estavam) acreditou na benevolência e nas boas intenções do Governador em Woodbury e acabou se dando mal. Vimos em cenas de flashback e pela fala de Mary que Terminus era um santuário antes de ser invadida por um grupo de saqueadores. Alex, Gareth e Mary, de alguma forma, tomam Terminus de volta e a transformam, num abatedouro humano, uma armadilha. Eles deixam claro que foi a lei da selva que levou-os a transformar a estação terminal, nessa hora eu lembro de Augusto dos Anjos que, em Versos Íntimos dizia: “Acostuma-te à lama que te espera! O Homem, que, nesta terra miserável, mora entre feras, sente inevitável necessidade de também ser fera.

Carlost.net

O que fez a transformação do lugar em um reduto canibal foi a necessidade de estar um passo a frente dos demais, de não serem mais as presas e passarem a ser os predadores. Esta relação, presa vs predador é uma interação ecológica que equilibra os ambientes, muito importante na regulação das populações. Os errantes são os predadores da vez, numa relação que levará mais algumas temporadas para se estabilizar (zumbi vs humanos). Mas e se invertermos os papeis? E se ao invés de presas inocentes, como as zebras e gnus no Serengueti Africano, nós formos os leões? Toda estratégia ecológica sobrevive até que chegue outra e a coloque em xeque.

Fogo com fogo. Olho por olho, dente por dente. Dr. Eugene Potter, aquele que diz que sabe qual é a cura para esse patógeno que transforma seres humanos em walkers, usa do que existe hoje de mais moderno em ciências para combater o mal zumbi. O controle biológico feito por patógenos que atacam patógenos. Seria esta a saída para conter a epidemia que vem dizimando os seres humanos? Se sim, o episódio transita por uma relação ecológica que define a série neste momento: qual será a estratégia evolutivamente estável que irá nos salvar? Olha TWD ganhando muitos pontos com os biólogos de plantão!!!

Mas não só de relações ecológicas vive a série. Ela sobrevive também pelo arbítrio que o ser humano tem de fazer o que melhor lhe aprouver. O que leva Carol a cuidar de Judith, mesmo sabendo que Rick foi o responsável por colocá-la vulnerável ao mundo dos errantes? A compaixão, este sentimento que guia a humanidade, num momento em que além de lutar contra os walkers o grupo de Rick (e todos os demais grupos que estiverem por ai reunidos) deve lutar também contra os grupos humanos e suas formas de sobreviver ao hecatombe zumbi. Mais importante que sair de Terminus, de ter de volta os integrantes do grupo, Rick tem de volta Judith, e somente graças a compaixão de Carol. No meio do caos ético e social que vive a série, Carol é um oásis de sabedoria e humanidade. A personagem mais importante dessa premiere, que mudará o rumo da série, que humaniza a série cada vez mais.

E não se enganem. Não estou dizendo que Carol é a boazinha da vez. Lembremos que foi dela a iniciativa de ensinar às crianças do presídio a matar zumbis, e é ela que diz a um Tyreese traumatizado que ele deve fazer o que for necessário para salvar-se, proteger Judith e a própria Carol. Uma personagem extremamente complexa, que vive o auge de uma trajetória épica. De mulher que sofria abuso do marido, passando por uma mãe que vê sua filha desaparecer e morrer como errante, a este bastião da sabedoria e da moral (dentro do limites acetáveis neste admirável mundo novo). E quando eu achava que ela se viraria contra Rick, ela o abraça. Prova que ainda há humanidade em meio ao apocalipse zumbi.

O grupo agora segue por um novo rumo. Novamente se vê na urgência de encontrar um lugar para se proteger, suprimentos, defesa bélica e alguma alegria. A solução é ir para Washington? Quem sabe? Quem sabe objetivo possa ser algo em comum para o um grupo grande, que precisa de foco e segurança para não se perder.

Por último, não não em escala de importância, vimos um epílogo com Morgam Jones, o amigo que Rick fez na primeira temporada da série, e que Rick prometeu dar informações sobre como eles estão vivendo se ele chegasse a Atlanta, no CDC. Todos sabemos o que aconteceu no CDC e que, até hoje, a segurança não foi encontrada por Rick. Será que Morgam encontrou um lugar seguro? E quem foi que deixou as marcas em forma de xis nas árvores para ele seguir? Abraham? Este sim, esconde algo. Se não deu certo em Atlanta, será que Morgan tentou em outro lugar? Claro, se ele se recuperou do trauma de ter perdido o filho…

O próximo episódio, Strangers, a primeira luta será por mantimentos. Fiquem com a promo e até semana que vem!

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