The Walking Dead: a série mais irritante da TV?

O sucesso de The Walking Dead é inegável e ela tem uma legião de fãs, ávidos por qualquer novidade, para provar. Mas mesmo os mais ardorosos se pegam frustrados com a série em alguns momentos, seja com personagens chatos, diálogos terríveis ou seu ritmo lento.

Daí o pessoal do WhatCulture! fez uma lista com as 10 coisas mais irritantes da série e eu aposto que você vai concordar com pelo menos uma delas (nota: esse artigo contém spoilers para quem não está em dia com os episódios).

TWD Season 3

1) Caracterização pobre

A caracterização tem sido a maior fraqueza da séries desde a primeira temporada. Já se passaram quase quatro e os personagens ainda não foram bem desenvolvidos. Todos passaram por coisas inacreditavelmente terríveis, mas quando você pensa sobre o assunto, quanto eles mudaram sua visão de três anos para cá? E com quantos nós realmente nos importamos (exceto o Darryl)?

O roteiro da maioria dos personagens é raso e inconsistente. Um grande exemplo é Michonne. Não sabemos nada sobre ela. Ela tem poucos diálogos e as tentativas nesta temporada de dar mais história para ela ainda são insignificantes. E este era um dos personagens que os fãs das HQs mais ansiavam na série. Mas até agora, ela é apenas boa de briga com uma espada de samurai.

Porém, o vencedor da categoria pior roteiro é Merle. Na temporada passada, ele estava em todo canto. De um episódio para outro, ele poderia passar de um racista falastrão para um soldado eficiente. A caracterização não deveria depender de quem está escrevendo um episódio em particular. E porque Merle estava mal definido, parece que os roteiristas simplesmente se livraram dele de qualquer jeito. Algo difícil para os espectadores acompanharem.

2) Ritmo lento

Esta série pode arrastar uma história por mais tempo que qualquer outra na TV. Sério! O pico do problema, obviamente, aconteceu na segunda temporada, mas é algo que ainda não foi sanado. O segundo ano ficou na fazenda de Hershel, uma locação bem chata, por intermináveis treze episódios. A partir do momento que eles chegaram lá, a gente ficava esperando que algo terrível acontecesse. Nenhum espectador imaginaria que levaria uma temporada inteira para que uma horda de zumbis chegasse e forçasse a saída deles.

Aquela temporada também teve a interminável trama do sumiço da filha de Carol, Sophia. A busca por uma menina que a gente nem conhecia direito não seria suficientemente interessante para preencher um episódio inteiro e, mesmo assim, foi arrastada pela temporada inteira. O que ele estavam pensando?

3) Nenhum personagem além do elenco principal

Este é um problema que vem acontecendo desde a temporada passada. A série vem encontrando dificuldade de adicionar novos personagens. Para um seriado com uma taxa de mortalidade tão alta, isso é um problema sério. Tendo em vista que os personagens principais não ficarão na trama para sempre (exceto por Rick e Darryl talvez), The Walking Dead precisa começar a colocar mais gente na história regularmente.

Desde que chegaram a prisão, a série não fez isso. Todos os prisioneiros que estavam nela foram rapidamente mortos. Axel, o único que parecia ter potencial, foi morto literalmente um segundo depois de se tornar interessante. A chegada do pessoal de Woodbury no final da última temporada era a chance de adicionar um monte de novas caras e apimentar as coisas, mas apenas Tyrese causou impacto até agora.

A série vai se tornar obsoleta se o elenco principal sobreviver ataque após ataque, porque os espectadores simplesmente vão parar de se preocupar quando eles estiverem em perigo. Mais do que outros seriados, The Walking Dead precisa de um turnover grande de elenco para funcionar. E para isso, precisa começar a adicionar novos e interessantes personagens.

TWD 3x14 Prey

4) Personagens irritantes

Seria fácil citar nome a nome, mas dá para dizer que a maioria dos sobreviventes é irritante em algum momento.

O problema não são os atores, mas o roteiro mesmo. Laurie Holden, que vivia Andrea, era ótima em The Shield, na qual interpretava uma das últimas vítimas de Vic Macky. Ela matou a pau no papel da personagem forte, porém perdida. Mas num papel similar em The Walking Dead ela acabou se tornando chata. Ou vai dizer que só porque ela morreu vocês esqueceram da história irritante dela com o Governador?

Além disso, os roteiristas da série adoram explicações, mas é um saco ouvir os personagens falando o óbvio o tempo todo. O resultado são diálogos redundantes, que os tornam irritantes e estúpidos.

5) Discussões de grupo

Os sobreviventes adoram discutir seus problemas. A fala de Hershel depois que eles descobriram o vírus — “Nós teremos que convocar outra reunião mais tarde…” — poderia servir de tagline para série. Quem imaginava que o apocalipse seria tão burocrático?

A segunda temporada, novamente, foi a pior neste aspecto. Os personagens perderam um tempo danado com discussões do tipo se Hershel os deixaria ficar na fazenda ou o que fazer com o cara que eles capturaram e machucou a perna.

Na temporada passada, o primeiro encontro entre o Governador e Rick também foi uma longa discussão. Então, o grupo se reuniu para discutir a oferta dele — mesmo depois de ficar claro que Rick sabia que tudo não passava de uma armação. Qual a necessidade disso? O tempo não teria sido melhor gasto planejando como se defender do Governador? Apenas mais um ponto contra Rick como o líder do pessoal.

6) O Governador

Para aqueles que leram as HQs, o Governador era um dos personagens mais esperados na série. Seu passado foi detalhado em dois livros escritos pelo próprio Robert Kirkman e, no primeiro deles, vemos como Phillip Blake se transformou no monstruoso Governador. Ele é sinistro e terrível, alguém com quem você nunca gostaria de cruzar pelo caminho.

Mas até agora ele foi uma profunda decepção na série. O ator foi mal escolhido — apesar do talento de David Morrisey — e o que no livro é um monstro psicótico, na TV se transformou em apenas um idiota. Agora que ele retornou, porém, a série tem feito um uso melhor do personagem. Suas ações psicóticas em Dead Weight provaram que ele voltou a surtar e se tornar um líder pragmático e, apesar de alguns acharem a mudança rápida, esperamos que ele faça valer o mid-season finale. Até porque nada pode ser mais anti-climático do que Welcome to the Tombs.

TWD 3x14 Prey Phillip

7) Reutilização de temas/histórias

The Walking Dead gosta de mostrar os mesmos temas toda hora. Quantas vezes já vimos os personagens lidando com a ideia de ser capaz de manter sua humanidade em um mundo pós-apocalíptico brutal? Ou se eles conseguem se manter ou não abertos a confiar em novas pessoas?

Enquanto a maioria das séries tem histórias e temas tradicionais que são retomados de vez em quanto, The Walking Dead fica andando em círculos. Quantas vezes acompanhamos Rick passar por uma crise de confiança para então perceber que o grupo precisa dele como líder? Então, alguns episódios depois, ele novamente decide que não quer mais essa responsabilidade. Quando histórias são repetidas assim, a série parece bem mais longa do que deveria depois de apenas 40 episódios.

8) Rick

E já que estamos falando do Rick… Uma série tem sérios problemas quando o protagonista é o personagem menos interessante. Outras produções conseguiram equilibrar isso com fortes coadjuvantes, como How I Met Your Mother, Lost e Buffy the Vampire Slayer. Mas exceto por Darryl, que outro personagem central tem empatia para tirar o peso dos ombros de Rick?

Sem isso, grande parte da trama tem sido devotada aos problemas dele. Os momentos apontados no item acima chegaram num ponto que alguns fãs já não se importam mais se ele decidir se tornar um fazendeiro daqui para frente. Sua indecisão chocaria até Hamlet. Ele muda de ideia a cada semana. O final da segunda temporada, no qual ele toma a frente depois do desastre na fazenda, parecia uma nova faceta dele mas, ao invés disso, depois de poucos episódios, ele voltou a ser hesitante como sempre. Toma jeito, Rick!

9) Os personagens tomam decisões erradas toda hora

Um dos atributos mais difíceis de se perdoar é a incompetência. Na vida real, as pessoas erram o tempo todo e a gente as perdoa, mas na ficção queremos que nossos personagens sejam mais espertos e aprendam com seus erros. Personagens que sempre ferram tudo, tomam decisões erradas e agem sem lógica toda hora são difíceis de engolir. E The Walking Dead tem um monte de gente assim.

Na segunda temporada, a decisão de Hershel de manter os zumbis no celeiro acabou mal. Andrea, na terceira temporada, teve inúmeras chances de fugir do Governador e salvar-se, mas não o fez. Ao invés de voltar com Rick e o grupo, ela ficou para trás, o que estava na cara que não daria certo.

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10) Potencial x Realidade

De todos os “pecados” de The Walking Dead este é o mais difícil de perdoar. A série poderia ser tão melhor do que é. Para começar, ela é produzida pelo mesmo canal por trás de Mad Men e Breaking Bad, dois grandes seriados. The Walking Dead tem um ótimo visual, com os melhores efeitos especiais vistos na telinha, mas por alguma razão, ela não parece tão boa quanto deveria.

Alguns momentos e episódios marcantes provam que ela poderia ser tão incrível quanto imaginamos que seria no começo, mas a execução tem sido pobre. Talvez se fosse uma série de emissora aberta não teríamos a expectativa tão alta, mas dado o pedigree da AMC e o que eles fizeram com outras produções, esperávamos mais. Depois de quase quatro temporadas, será que o melhor ainda está por vir?

Talvez haja histórias das HQs que possam mudar as coisas, mas depois que eles estragaram o Governador — que parece ser o melhor vilão delas — é difícil ter muito esperança para o futuro da série. Talvez seja melhor nos contentarmos com uma das poucas séries para TV que não tem medo de ser apenas para o público adulto, certo?

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