The Walking Dead merece o título de pior série de 2016?

A sétima temporada de The Walking Dead tinha tudo para ser épica. Finalmente a história alcançou o melhor arco dos quadrinhos até o momento, nas mãos de um showrunner fã incondicional do material original, com um antagonista interpretado por um ator que, claramente, ama o personagem… Então não há como repetir a tragédia que foi a terceira temporada, certo?

Para quem não lembra, a terceira temporada, chefiada pelo showrunner Glen Mazzara, englobou o arco da prisão que, apesar de ter alguns (poucos) episódios muito bons, descaracterizou muito personagens e enredos. Tudo isso não seria problema para o show, se também não tivessem desagradado tanto ao público televisivo, o que se refletiu em uma queda de audiência.

Não disfarça, Governador, estamos falando de você mesmo!

Com o material que temos hoje não podemos falar de descaracterização de personagens ou mesmo do próprio arco. Na verdade, nunca antes tantos diálogos foram retirados literalmente da HQs, que é um material excelente para adaptação. Então, por que o resultado tão negativo? Números de audiência caindo, fãs cada vez mais insatisfeitos… O título de pior série de 2016, segundo a revista Variety.

Tudo bem que 2016 não foi fácil para ninguém, mas será que é justo considerar The Walking Dead como a pior série deste ano? Há um bom enredo e personagens idem, então qual o problema?

Para tentar entender, voltemos um pouco à era Glen Mazarra, porque a dinâmica de dividir o grupo em núcleos começou lá na quarta temporada, onde Scott Gimple teve a difícil missão de corrigir o que foi deixado por seu antecessor. E deu certo, afinal era preciso frear o ritmo, fazer com que os personagens se reencontrassem consigo mesmos para poder seguir adiante.

Ok. Missão cumprida… Mas, talvez pensando que “em time que está ganhando não se mexe”, essa dinâmica foi mantida em um ciclo sem fim. E como tudo excesso pode ser ruim, o público cansou e reagiu negativamente, mais uma vez.

Desse “ciclo sem fim” não cansaremos… Jamais!

Há um problema tão evidente no ritmo da temporada(o que não, necessariamente, tem a ver com ação) que a midseason, um episódio nada mais que mediano, acabou sendo um dos melhores de toda essa primeira parte. Hearts still beating teve tudo o que gostamos de ver: luta pela sobrevivência, articulações, zumbis cada vez mais decadentes, desenvolvimento de personagens, tensão, reencontros e mortes chocantes.

Tudo bem que toda série tem que ter sua marca. Em Game Of Thrones, por exemplo, podemos ter a certeza de que o nono episódio trará um acontecimento grandioso para o enredo. Mas ainda assim somos incapazes de saber o molde em que os demais episódios seguirão. Já The Walking Dead sempre gera expectativas, mas não nos surpreende.

A tranquilidade de quem sempre estará em bons roteiros.

A sétima temporada já começou errada lá no finale da sexta, numa tentativa de prender o público. Mas, ok, prometeram um retorno devastador (como sempre) e cumpriram (como sempre), depois seguiram-se (mais uma vez) seis episódios de preparação para uma midseason, que simplesmente foi uma preparação para o que virá na segunda metade da temporada (Como o quê? Sempre!). Certamente a segunda metade da temporada será super acelerada e terminará com mais um cliffhanger que nos deixará ansiosos pela resolução. E esta é uma dinâmica que estamos vendo desde… O início da série.

“Essa temporada vai explodir suas cabeças! (…) Brincadeira, não vai não.”

O alarme está tocando. Está na hora de a equipe criativa da série repensar o que está sendo construído. Se depender das HQs, ainda há materiais bons para serem adaptados, mas para isso é preciso sair da zona de conforto e arriscar um molde diferente. Os fãs precisam disso. Se der certo, ótimo, se não é porque talvez seja a hora de encerrar a saga de Rick Grimes e seu grupo.

Mas que a formação estilo Power Rangers ficou legal, não se pode negar.

Ah, The Walking Dead… A gente briga, a gente reclama, mas a gente te ama… Só é preciso lembrar que, se não cuidar com carinho, o amor também acaba.

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