The X-Files 1×01 — Pilot

The X-Files e o início de uma jornada em busca da verdade.

Quando o convencional ou a ciência não tem respostas, será que não podemos, finalmente, procurar respostas no fantástico?” — MULDER, Fox

The X-Files foi a série que reinventou a ficção científica, as séries procedurais com uma mitologia de base, bem como a importância do relacionamento entre os protagonistas. Tudo isso partindo de uma fórmula simples: o confronto entre ciência e fé. Deste alicerce ergueu-se toda uma intrincada rede de teorias e relações em uma embalagem técnica (cenografia, som, roteiros, fotografia, música…) de excelente qualidade. Pela sua importância, e na iminência do seu retorno, é uma série que merece ser revisitada.

Podemos imaginar o quanto o lançamento do Piloto deve ter sido cheio de expectativas, um tiro no escuro. Era muita novidade diante da mesmice da TV na época. Era ousar colocando o FBI na investigação de elementos do próprio Governo Americano… Mexer no imaginário popular e trazer de volta todas as teorias da conspiração que envolvem a possibilidade de vida extraterrestre. A fim de fisgar o público de primeira, Cris Carter lançou todos os elementos possíveis da mitologia já no primeiro episódio, começando pelo aviso inicial: “uma história baseada em fatos documentados” (fórmula levada ao cinema de maneira brilhante em A Bruxa de Blair, por exemplo). Já de início são plantadas as primeiras dúvidas: terá acontecido de verdade? Até onde podemos confiar no que os meios oficiais nos dizem?

A história parece comum: a investigação de uma série de mortes de jovens que faziam parte de uma mesmo grupo. O episódio apresenta sua fórmula básica: na abertura, que ainda não tem sua trilha sonora clássica, o mistério é apresentado para somente após conhecermos aos agentes. Neste Piloto, somos guiados pelos olhos da Agente Dana Scully (Gillian Anderson, ainda morena), que está sendo designada a “fiscalizar” e “validar” o trabalho do Agente Fox

TXF - 1x01

A cena de apresentação entre eles já nos mostra claramente a posição de cada um. Ela, cética, com o olhar observador e experimental da ciência. Ele, crédulo, com sua intuição aflorada e abertura para o “não convencional”. Ambos são agentes de alto potencial e nesse momento da história Scully parece encantada com o novo trabalho; seus sorrisos e insegurança nos lembrando que ela ainda não possui a malícia necessária para sobreviver naquela esfera. Enquanto Mulder, com sua história de vida (o desaparecimento de sua irmã) e convivência com o deboche vindo de sua “reputação”, já mostra a ironia e impulsividade que o colocam em uma posição diferenciada no Bureau.

A investigação os leva a uma experiência em comum onde aqueles jovens tiveram contato com UFOs. Cinco deles mortos, um deles inconsciente e a última lutando pela própria vida. Os fatos são desvendadas aos poucos, sendo a investigação muitas vezes dificultada por aqueles que não querem que as respostas sejam dadas. Por fim, os dois últimos são salvos. Muito é descoberto, mas nada é documentado, pois as provas são destruídas em um incêndio e todas as respostas que precisamos nos são vistas por Mulder, que, como dito, é totalmente desacreditado.

Seria um roteiro simples se não fossem todos os elementos da mitologia apresentados: abduções, o “Canceroso” (William B. Davis), o alto escalão do FBI querendo desacreditar o Mulder, chips implantados, uso da hipnose, história da abdução da Samantha, a química (para não falar cumplicidade) presente entre os protagonistas… Até o pôster na parede “I Want To Believe” tem seu destaque. Obviamente, todos os elementos citados só farão sentido como o decorrer dos episódios. É a semente da genialidade de Cris Carter sendo lançada.

Segue o promo do segundo episódio, para aumentar o clima de nostalgia:

PS1: Eu amo as cenas na chuva. As vozes esganiçadas e os sorrisos histéricos refletem bem a incredulidade do público diante das evidências.

PS2: Também é possível perceber uma tentativa do roteiro de erotizar a relação entre os dois agentes. Algo muito exigido pelos executivos da emissora, tendo o Cris Carter resistido até o fim.

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