The X-Files 1×13 — Beyond the sea

Episódio de The X-Files mostra inversão de papéis entre Mulder e Scully.

Eu tenho medo. Medo de acreditar” — SCULLY, Dana

Dana Scully é uma das personagens femininas mais complexas do mundo das séries. Durante nove temporadas ela é submetida a uma verdadeira montanha russa emocional. No início, somos levados a acreditar que ela é aquela garota certinha, seguidora das regras, mas a história se desenrola e vemos que sua personalidade é mais profunda. Um grande mérito para isso, além dos roteiristas e criadores da série, é a atuação de Gillian Anderson, que traz toda a carga dramática necessária para a transformação que Scully passa na série.

Interessante é que, manter a atriz foi uma briga pessoal do criador da série. Os produtores da Fox tinham a ideia de uma parceira mais… Exuberante para Mulder (que já tinha nome consolidado graças a Twin Peaks). Então, segundo a própria Gillian — dito na WonderCon de 2008 — sua cabeça sempre esteve a prêmio. Foi então que Cris Carter apostou na química entre os atores (e personagens) a presenteou com este episódio.

Beyond the sea foi o primeiro episódio centrado em Scully. Onde aconteceu sua primeira grande perda — a de seu pai. Se a família de Mulder parece ter se desfeito após a perda de Samantha, percebemos que Scully parece ter tido uma estrutura familiar e educação firmes. Portanto, arriscar tudo em uma carreira instável, gerou tensão entre pai, oficial da Marinha, e filha. Um assunto inacabado que assume um contorno mais forte diante da morte dele.

The x-files

Paralelo ao seu luto, o sumiço de dois jovens, em um caso que, de início, não remeteria aos Arquivos X, mobiliza a atenção de Mulder, que tenta livrá-la da investigação, mas sendo ela uma profissional (ou como forma de fugir da dor), não aceita. O sequestro apresenta um padrão, segundo o qual, os dias de vida dos jovens estão contados. Diante de tudo isso Boggs (Brad Dourif), um assassino condenado mediante um perfil traçado por Mulder, garante ter “poderes psíquicos” que podem auxiliar no caso.

Embora seja aberto às possibilidades extremas, Mulder é cético a tudo o que tange a sessão e crimes violentos, do qual fez parte. Ele não acredita nos poderes de Boggs, apenas em sua maldade e capacidade de matar. Descartando a possibilidade de ajuda que ele lhe propõe.

Já Scully, apesar de tudo, é uma mulher de fé. O ceticismo que demonstra diante da possibilidade de vida extraterrestre torna-se sensibilidade diante de assuntos que tocam a espiritualidade. Perder alguém que amamos não é fácil, e nesse episódio a personagem expressa toda sua fragilidade e suas dúvidas quando colocada diante do inexplicável. Ela é sobretudo, humana, e consegue conectar-se com a humanidade em Boggs, aquela que nos faz temer diante do destino. A história contada por Mulder mostra que ele foi, realmente, uma pessoa má, mas a morte coloca Scully e Boggs em um mesmo patamar de entendimento. Ela pela dor, ele pelo medo.

As evidências aparecem e Scully, mesmo diante da objeção e preocupação de Mulder com sua condição, as segue, conseguindo desvendar o caso, salvá-lo e aos jovens. Mas ela é de uma dignidade profunda e não cede às chantagens de Boggs. Humilde, reconhece não saber explicar as relações entre as revelações do condenado e o caso. Em sua luta interior, entre a razão e a fé consegue alcançar a paz naquilo que mais lhe é firme: sua relação familiar.

Quanto à Boggs, embora não tenhamos acesso às suas motivações em seus momentos finais, sou levada a acreditar que no fim, ele só queria a redenção. Em seu desespero para ter Scully com ele, segurando a mensagem destinada a ela, desejava, apenas, não estar sozinho ao entrar no lugar escuro e frio, para onde mandou tantas pessoas.

  • Curiosidades dos Bastidores:

Esse episódio traz semelhanças com o filme Dragão Vermelho, devido a relação entre um assassino e a agente.

Na cena em que o Capitão Scully aparece para sua filha, ele está recitando o “Pai Nosso”
Segue promo do próximo episódio:

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