The X-Files 1×18 — Shapes

The X-Files foge do lugar comum ao abordar um tema mitológico.

Vocês são diferentes, FBI. São mais abertos às crenças dos indígenas do que alguns indígenas. Você até mesmo tem um nome indígena. Fox, quer dizer, Raposa. Você deveria ser ‘Raposa que Corre’ ou ‘Raposa Ladina’”. — ISH

Sempre que os roteiristas de The X-Files se aventuram pela mitologia indígena norte-americana, acertam. Não que Shapes seja um grande e memorável episódio, mas consegue se sustentar ao abordar a licantropia a partir de uma visão diferente da que estamos acostumados.

Outro mérito a ser dado é no quesito de efeitos especiais. Obviamente, assistindo ao episódio hoje, no auge dos efeitos digitais, percebemos o quão pobres eles são. Mas se lembrarmos que tudo foi feito em 1994 e com verba reduzida, é possível tirar o chapéu para os efeitos de luz e sombra que atingem ao objetivo de assustar e audiência de 21 anos atrás.

Mulder e Scully investigam o assassinato de um índio, cujo maior suspeito é um fazendeiro que possui rusgas com a comunidade indígena da região. Jim Parker, o fazendeiro, alega ter atirado em uma fera que atacou e feriu seu filho. De certa forma, o suspense não é muito bem elaborado. Não precisa de muito esforço para saber que o “animal” que ataca a fazenda dos Parkers é, na verdade, um índio metamorfoseado.

The X-Files

Acostumados às facilidades que a identificação do FBI traz, é difícil para os agentes aceitarem as tradições indígenas que dificultam a investigação. Mas aos poucos vão se inserindo na comunidade e acompanhando sua rotina. Sempre aberto à possibilidades extremas, Mulder fala sobre o equivalente indígena à figura do lobisomem: a lenda do Manitu,um espírito que toma o corpo das pessoas, transformando-as em feras. Segundo ele, o caso seria bastante parecido ao primeiro Arquivo X conhecido, investigado pelo próprio Edgar Hoover: ataques de lobisomens durante a Segunda Guerra Mundial.

Por não poderem realizar a autópsia no corpo do índio, a investigação chega a um ponto onde não consegue avançar, até que o corpo de Jim Parker é encontrado estraçalhado. Para aqueles que conhecem a lenda do lobisomem (ou apenas leram/assistiram à saga Harry Potter), o twist apresentado, de que Lyle Parker, filho de Jim, seria o novo Manitu, não é muito surpreendente. Mas a cena final, onde Sculy e ele ficam trancados em uma casa á noite, consegue cumprir bem o papel do episódio. Se não para nos fazer morrer de medo, para permitir que admiremos a estética do episódio.

  • Curiosidades dos bastidores:

A Fox havia sugerido um episódio com monstro mais “convencional” então Glen Morgan e James Wong, que gostavam da mitologia dos nativos norte-americanos, sugeriram o Manitu, uma versão diferente do lobisomem, e que manteria as mesmas características do show.

Originalmente havia a ideia de uma cena cômica, onde uma vaca impediria a passagem do carro de Mulder e Scully e ela tentaria espantá-la agitando os braços e gritando: “Ei, futura luva de beisebol! Ei, sua bolsa de couro!”

Que nota vocês acham que esse episódio merece?

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Segue promo do próximo episódio:

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