The X-Files 2×06 — Ascension

Chris Carter aposta alto e Mulder perde mais do que poderia suportar em Ascension.

Sabia que isso aconteceria. Tive um sonho onde Dana tinha sido levada. É tão estranho. Eu ia ligar pra ela, mas tive receio que iria alarmá-la. De qualquer modo teria rido de mim. Ela não acredita nessas coisas, você bem sabe.” — SCULLY, Margaret.

A primeira gravidez de Gillian Anderson influenciou diretamente na produção de The X-Files. Possivelmente, seu sequestro/abdução, não era parte dos planos iniciais de Chris Carter, podendo ser considerado como um daqueles acasos que mudam o rumo de uma história. Ainda bem que Carter soube aproveita-lo em favor da mitologia da série.

Hoje sabemos que a escalação de Gillian Anderson para o papel foi um ponto de discordância entre os produtores da Fox e o criador de The X-Files. Eles queriam alguém mais ‘exuberante’ para o papel (como se a Gillian Anderson não fosse linda), e uma licença maternidade da atriz no meio do caminho poderia ser o fim da vida de Dana Scully. Mas Carter comprou a briga, bateu o pé pela atriz e garantiu a qualidade da série.

Ajudou bastante também a química entre os protagonistas, que deu profundidade ao enredo do desaparecimento dela. Scully só passou a ser um problema para os conspiradores, por causa da intensidade do relacionamento entre ela e Mulder. Se coloca-los em departamentos diferentes já trouxe um peso dramático para a atuação do agente no FBI, o que não faria o sequestro dela?

The X-Files

E desde a primeira cena de Ascension percebemos o desespero de Mulder. Ele, um investigador tão falante, apenas examina a cena silenciosamente, tentando montar o quebra cabeças contido ali. Há uma expressão de desolação no olhar de David Duchovny, durante todo e episódio sendo é impossível ficar indiferente a sua dor.

A presença de Margaret Scully completa o sentimento de vazio. A empatia entre a mãe de Dana e Fox é instantânea, afinal, dizem que compartilhar momentos difíceis propicia uma ligação mais forte entre duas pessoas. Ela traz a mesma força que sua filha e desdobra uma faceta dela que Mulder não conhecia — sua fé. O crucifixo de Scully aqui se torna um símbolo da relação entre os dois agentes. Devolve-lo passa a ser uma meta.

Sabemos que Mulder teme falhar, porque já aconteceu antes, com sua irmã. Perder Scully é reviver tudo novamente. Por isso ele começa a utilizar todas suas características de bom investigador na caçada. Porém, a parcialidade pode ser perigosa. Seu olhar, mesmo determinado, é cansado. A falta de sono, a ânsia e as atitudes imprudentes (até autodestrutivas) o colocam em risco na tentativa de chegar até sua amiga, que é levada por uma nave bem parecida com um helicóptero (o que desperta ainda mais a dúvida, se ela foi abduzida ou sequestrada pelo governo).

Perder alguém não é fácil. Ouvir o sorriso de felicidade enquanto a perda ainda parece estar escorrendo pelos dedos deve ser uma dor quase mortal. Por isso ele parece tão derrotado ao interrogar Duane. E ao perguntar se ele a matou, o medo da resposta praticamente saltou dos olhos do agente. Se antes havia tanta empatia pelo sequestrador — que neste ponto não traz mais uma expressão alucinada e sim cansada, até serena — agora Mulder mal consegue conter suas ações violentas.

Krycek continua com seu jogo de atuação, usando o momento de fraqueza de Mulder para forjar a morte de Duane Barry e dificultar a busca por Scully. Mas, Mulder é o garoto prodígio do FBI e consegue desmascara-lo, descobrindo também quem é seu verdadeiro inimigo. Ao mesmo tempo em que encontra um aliado em Skiner, que parece realmente estar sensível ao desaparecimento de sua agente.

Depois de tudo, Mulder consegue finalmente o que tanto queria: os Arquivos X de volta. E é muito importante sua reação a isso, ele não sorri. Na verdade, ele não tem expressão alguma. Sua cruzada assume um novo viés. É este arco que define verdadeiramente a importância de Dana Scully, e consequentemente de Gillian Anderson, para a série. Chris Carter comprou a briga e ganhou. Os produtores da Fox devem estar agradecendo a ele até hoje.

Curiosidades dos bastidores:

– O diálogo entre Krycek e o Canceroso foi uma forma e tentar explicar o porquê de, simplesmente, não matarem o Mulder. Isto foi uma reposta à pergunta que o escritor de ficção científica Harlan Ellison, fez ao Chris Carter (assim como os milhares de fãs).

– Nesse episódio, Gillian estava há poucas semanas de dar a luz. Na cena onde é mostrado o que pode estar acontecendo com ela, enquanto abduzida, ela aparece de perfil, com seu barrigão de grávida.

– A música que toca enquanto Duane Barry dirige é “Red Right Hand”, do Nick Cave e segundo o Chris Carter, foi uma fonte de inspiração para ele.

A seguir, promo do próximo episódio. Até mais!

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