The X-Files 2×12 — Aubrey

Aubrey nos leva a pensar sobre os mistérios que podem estar em uma árvore genealógica.

Bem, num nível celular básico, nós somos o somatório de todo o material genético de nossos ancestrais. Mas e se mais do que traços biológicos passam de geração a geração?” — MULDER, Fox

Aubrey tem todos os elementos que são marcas registradas de um bom episódio de The X-Files. Tem mistério, reviravoltas, diálogos inteligentes e bem humorados, e tem os roteiristas lembrando que Mulder foi apresentado para o público como um psicólogo prodigioso. Algo que fez dele a estrelinha brilhante da Seção de Crimes Violentos, antes dos Arquivos X.

Sim, porque existem episódios em que eles parecem esquecer disso e fazem com que Mulder pareça apenas um estudioso spooky. Neste thriller psicológico a rápida capacidade de associação de elementos de Mulder é complementada pela sensibilidade de Scully, de forma que o cenário inicial — que aparentemente não tinha a ver com os assassinatos — monta-se facilmente diante dos agentes.

B. J. Morrow (nome que é o gatilho para uma piada muito infame de Mulder) trabalha para a polícia e tem um caso com seu colega de trabalho, tendo engravidado dele — a cena em que Scully e ela conversam no banheiro, quase sendo uma projeção do que acontece em temporadas posteriores — já mostra traços de fragilidade da mulher, que vem tendo pesadelos e lapsos de consciência, que a levam diretamente para um caso acontecido anos antes.

Seria muito simples se ela fosse apenas uma vidente e o novo criminoso um imitador, mas não é essa linha que os agentes seguem. Mulder e Scully vão a fundo, numa perspectiva ignorada pela polícia local, cujo pensamento é limitado ao que pode ser observado pelos sentidos. O Tenente Tillman (Terry O’Quinn, o eterno John Locke! Saudades, Lost…) mantém-se fechado para possibilidades extremas, até que elas se materializam à sua frente.

Cokely, assassino condenado pelos crimes cometidos décadas antes (e desvendados por B. J. em sua ‘inconsciência’) é uma figura asquerosa, que incomoda. Até seu tom de voz, que não exprime uma nota de arrependimento aponta para a sua culpa, obviamente, se não fosse sua condição precária de saúde.

Em oposição, Linda Thibedeaux, vítima de Cokely é a imagem da inocência. Aquela senhorinha que nasceu para ser vó e que queremos proteger. Porém ela afirma não ter tido filhos. Ao que Mulder, confronta firmemente. E a informação de que uma criança nasceu do estupro é a peça que faltava para unir todas as demais.

A memória genética do assassino passou à sua neta, cuja gravidez serviu como elemento catalizador para o surto. Uma teoria difícil de se aceitar, mas em se tratando de The X-Files, podemos dar o crédito, porque é esse inexplicável que faz sentido o que nos atrai na série, afinal.

E então, quantas estrelinhas esse episódio merece? Fique com a promo do próximo episódio, tchau!

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