The X-Files 2×13 — Irresistible

3Irresistible nos lembra que o mal existe e pode estar mais perto do que pensamos.

Eu sei que o mundo está cheio de predadores, como sempre esteve. E eu sei que é meu trabalho proteger as pessoas deles. E eu contei com este fato para me dar fé na minha habilidade de fazer o que eu faço… Eu quero esta fé de volta… Eu preciso dela de volta…” — SCULLY, Dana

The X-Files é uma série que, na maior parte dos seus episódios, tem temas fortes e até indesejáveis, como traições e assassinatos. Mas, em todos os momentos, pelo menos até este episódio, todas as atrocidades cometidas tinham uma explicação que estava além do mundo sensível. É como se as maldades fossem justificadas por algo externo aos humanos. E isto é quebrado em Irresistible.

Donnie Pfaster, o vilão da vez, podia ser um personagem de qualquer outro procedural, daqueles que falam sobre possibilidades reais que podem acontecer ao virarmos uma esquina. Aqui The X-Files faz um alerta, nos lembrando de que a humanidade é capaz de coisas que nem mesmos os humanos acreditam. Talvez por isso, este seja um dos episódios mais temíveis.

Enquanto público, estamos acostumados à roteiros que se fundamentam na psicopatia para desenvolver o suspense. É um tema que atrai, talvez por não conseguirmos entender o que motiva alguém a agir de forma tão fria diante da vida humana. Se repararmos no comportamento aparente de Donnie Pfaster, sua voz mansa e gestos cuidadosos, seríamos seriamente tentados à nos aproximarmos dele. Porém, o que mais impressiona nesta história é o objeto de fetiche.

Em nossa cultura, os mortos são intocáveis, devem ter sua integridade respeitada. Não conseguimos compreender a profanação de cadáveres, o que é um grande tabu, e todos aqueles que ousam mexer com isso são considerados doentes. Mas seria Pfaster doente, ou apenas mau?

Tal como no episódio anterior, Mulder age como especialista em perfis psicológicos. Sua aparente frieza diante dos crimes é apenas reflexo de uma convivência intensa na Seção de Crimes Violentos e um contraste muito bonito com o abalo de Scully. É mais um episódio onde eles trocam de papéis, com Mulder assumindo toda a ‘carga cética’.

A segunda temporada não tem sido fácil para Scully (uma forma de fortalecer a personagem, para os produtores executivos, talvez?). E tudo o que lhe aconteceu até agora dá base para o afloramento de sua sensibilidade. Ela conseguiu perceber o mal que aquele homem trazia em si. Não de forma sobrenatural, mas suas ‘visões’ sendo uma metáfora para aquilo que ela sentia.

A cena em que ela vai até a psicóloga, a fim de lidar melhor com todas aquelas emoções, traz alguns dos diálogos mais fortes da personagem até o momento. Sua necessidade de ser forte diante de Mulder em contraponto ao abalo que lhe afligia. Scully vai assumindo novos tons e crescendo para o público, numa evolução tão natural quanto necessária.

Interessante é notar que Mulder, tão sensível aos casos paranormais, aqui se mostra excessivamente prático. É como se ele já conhecesse o quão extensos são os limites humanos. As únicas vezes no episódio em que ele demonstra algum tipo de reação emocional são quando precisa dar suporte à Scully, como se não estivesse preparado para lidar com toda a fragilidade que ela demonstra. Depois desse episódio, ele nunca mais acredita, de primeira, no famoso ‘estou bem, Mulder’ que ela proclama tantas vezes.

Irresistible é um episódio sobre ‘o mal’, personificado na figura de Pfaster (uma grande atuação de Nick Chinlund). Existe uma teoria que diz que o mal é, na verdade, a ausência do bem, um grande vácuo onde valores, como o amor e a moral não consegue habitar. Sendo assim, talvez Pfaster estivesse procurando uma forma de preencher seu vazio interior. O que nos assusta nesse episódio não é a possibilidade de algo sobrenatural acontecer, mas de que aconteça vindo de alguém aparentemente inofensivo, como eu ou você.

Qual a opinião de vocês sobre esse episódio? Não se esqueça de nos contar e confira o promo do próximo episódio:

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