The X-Files 2×22 — F. Emasculata

Ética e fins como justificativas para os meios são questões levantadas por F. Emasculata.

O que é a verdade, Agente Mulder?” — CANCEROSO.

Tem algumas coisas em The X-Files que não fazem sentido. Como por exemplo, um entomologista, no meio de uma floresta tropical, encontrar um animal morto, coberto de fístulas que pulsam e, simplesmente, ficar observando e cutucando sem nenhum tipo de proteção no rosto. Quando a ferida esguicha pus nele, dá uma sensação mista de nojo e vontade de dizer ‘bem feito!’. Embora o nojo prevaleça.

O problema com a maquiagem que a produção teve em Dod Kalm não se repete aqui. F. Emasculata é um episódio realmente difícil de assistir sem fazer, no mínimo, uma careta. A doença é assustadora. Os sintomas são nojentos. O que torna ainda mais cruel a estratégia utilizada pela empresa de medicamentos.

Esse não é um clássico Arquivo X, com um caso que envolva extraterrestres ou atividades paranormais, mas é excelente e encaixa-se perfeitamente na proposta de investigação dos agentes por desmascarar uma conspiração.

Esse episódio traz uma reflexão interessante sobre ética e os limites que são cruzados pelas indústrias em nome da ciência. Quantas pessoas foram colocadas em perigo, pelo simples fato de um prisioneiro condenado receber um pacote contaminado em sua cela. É cruel pensar que em momento algum ele pôde se defender das ações da companhia farmacêutica, independente do delito que tenha cometido.

É, também, irresponsabilidade, deixar nas mãos da polícia local a perseguição aos fugitivos, sabendo que eles poderiam estar infectados. A presença de Mulder entre os policiais traz alguns momentos de alívio cômico, mas é possível sentir sua apreensão ao notar que somente ele tinha as informações necessárias para a apreensão dos prisioneiros.

Mas é Scully quem mais corre perigo nessa investigação. Sua postura impositiva e segura a deixou a mercê de um agente biológico desconhecido, e com a missão de compreender o que estava acontecendo, não só para repassar informações para Mulder, mas também para poder cuidar de si mesma.

Algo que ela faz muito bem, embora não deixe de ser angustiante vê-la mentindo para o parceiro sobre a possibilidade de estar infectada, apenas para fazê-lo desconcentrar-se de sua atividade. E ainda assim, não podemos deixar de recrimina-la por tomar tão pouca precaução ao examinar os cadáveres. Como se uma simples máscara pudesse conter o agente biológico.

A explicação dos bastidores para isso vem do fato de Gillian Anderson estar se tornando, na época, sex simbol, e ser preferível que ela ficasse com mais ‘pele exposta’. Obviamente a atriz não corria o risco de ser contaminada, mas esquecendo disso por um minuto, e fazendo um paralelo com o prisioneiro ‘paciente zero’ é possível pensar no quão expostas as pessoas podem ser colocadas apenas para justificar um fim. Continua sendo uma questão de ética.

É um caso que, desde o início, podemos imaginar o final. Nenhum daqueles homens, inocentes (não na ficha criminal, mas na exposição) poderia sobreviver. Assim como seria impossível para os agentes conseguirem desmascarar a indústria, visto que, de certo modo o sistema os obriga a serem coniventes com o que acontece. E podemos imaginar como é frustrante para alguém como Mulder reconhecer ser uma arma do sistema sem que possa fazer nada a respeito.

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A seguir, o promo do próximo episódio:

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