The X-Files 2×23 — Soft Light

A expressão ‘ter medo da própria sombra’ nunca fez tanto sentido quanto em Soft Light.

O fato dele ser paranoico não significa que o que ele fala seja mentira” — MULDER, Fox

É até difícil de imaginar como seria viver, sabendo-se portador de um poder tão perigoso e sem possibilidade de solução. Ter de passar, dia após dia fugindo da luz para não machucar alguém. Torna-se impossível não se comover com a situação do Dr. Banton (Tony Shalhoub), até porque, um dia, ele viria a ser o Monk!

Soft Light se propõe a trazer um Arquivo X com base científica. E por mais extraordinária que pareça, não é totalmente incoerente, visto que o comportamento das partículas subatômicas ainda é recheado de mistérios. Devido a natureza dos casos investigados por nossos agentes preferidos, faz todo sentindo os roteiristas se arriscarem pelas teorias sobre matérias escura e buracos negros.

Mesmo sendo um roteiro de ficção científica, não deixa de ser um pouco de terror também. Estudar e teorizar sobre os buracos negros, sua composição ou ver, à distância, a ação de sua poderosa força pode ser fascinante. Mas, imaginar a possibilidade de um homem carregar a maldição de trazer um deles consigo, fazendo com que pessoas simplesmente desapareçam diante de seu magnetismo, é de nos fazer prender a respiração por alguns momentos.

Mas não é só da experiência que vive esse episódio. As subtramas contem questões interessantes envolvendo o tema ‘poder’. Obviamente, o poder do conhecimento diante da possibilidade de estudar e teorizar não apenas á anos-luz, mas ter um buraco negro na sala ao lado e poder compreender melhor sua composição para usá-lo sabe lá de que forma.

Mais uma vez Mulder é enganado. Na verdade, usado para obter as respostas que podem ser usadas pelo sistema que ele julga combater. Aqui, podemos, finalmente, compreender um pouco mais das motivações de X ao ajudar Mulder e Scully. Uma dupla que acredita agir independentemente, mas que não passa de uma peça no tabuleiro. Ainda há muito para eles aprenderem na busca pela Verdade.

E finalmente, a busca pelo poder, não de ser superior, mas igual. Estamos na primeira metade da década de 1990, mas as discussões de gênero parecem ser as mesmas. O quão difícil é para uma mulher firmar-se num mundo prioritariamente masculino. Precisar provar-se constantemente gera um gasto de energia que poderia ser usada de outras formas. Por isso é comovente ver Scully tão empenhada em ajudar sua ex-aluna.

Embora, aqui haja uma falha no roteiro, que já aconteceu outras vezes. Scully dentro de sua empatia para com Ryan (Kate Twa) parece fraca, toda sua linguagem corporal contradizendo seu discurso. Ainda mais, num episódio onde seus conhecimentos deveriam se sobressair, visto que, no Piloto, ao citar as qualificações de Scully é dito claramente que ela tem formação em física.

Parece que às vezes os roteiristas esquecem informações básicas sobre os personagens. Da mesma forma que em alguns episódios ignoram que Mulder é psicólogo formado em Oxford. Nada que tire o mérito da série, mas claro que os fãs vão se lembrar de coisas assim. Os fãs sempre lembram.

Curiosidades dos bastidores:

– Há uma referência ao ‘monstro da semana’ Victor Tooms, quando, na primeira cena de crime investigada, Scully examina a saída de ar, insinuando que alguém poderia passar por ali.

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Cenas do próximo capítulo:

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