The X-Files 2×25 — Anasazi

Mulder e Scully ficam muito próximos da Verdade em Anasazi.

A terra tem um segredo que precisa ser revelado” — HOSTEEN, Albert.

Uma tradição começa a se estabelecer em The X-Files, com as temporadas iniciando e terminando com episódios mitológicos. Em Anasazi, chegamos a um nível ainda não explorado. Pois, mesmo que não tenhamos com clareza a estrutura da ‘conspiração’, pelo menos conhecemos personagens cruciais para sua estrutura e temos a certeza de que ela acontece em âmbito global.

A série de telefonemas entre líderes em diversas partes do globo, que acontecem após a invasão hacker ao sistema de segurança nacional, poderia parecer caricata, mas em se tratando de The X-Files parece totalmente coerente. É com surpresa misturada àquele sentimento de ‘eu já sabia!’ que a vemos acabar justamente em nosso vilão preferido, o Canceroso.

Aos poucos as peças vão se encaixando. Se pensávamos saber o motivo pelo qual Mulder ainda não tinha sido eliminado, somos mais uma vez surpreendidos pelo diálogo entre o seu pai e o Canceroso. Mulder, mesmo sendo uma pedra no sapato, mata-lo o tornaria um mártir, seu talento pode ser usado, mesmo contra sua vontade em favor da conspiração, mas além de tudo isso tem sua vida resguardada pelo fato de seu pai ser um dos que estão por trás de toda a farsa que ele quer desvendar.

Como numa tragédia grega, todos os personagens estão, ou acabam sendo, presos em um ciclo extremamente perigoso aonde verdades e mentiras vão se sobrepondo. Há algo grave que William Mulder esconde e o sufoca há anos, impedindo que sua própria família pudesse ter um relacionamento saudável. Não é preciso ser muito perspicaz para entender que sua tentativa de revelar-se ao seu filho não seria bem sucedida.

É uma pena, pois é em seus últimos momentos que podemos ver o muro rachar entre pai e filho. O abraço que trocam, a hesitação antes da revelação ou mesmo a caracterização apática do ator, despertam um sentimento de compaixão por aquele homem, que morreu antes que pudesse consertar seus erros passados.

Há também o discurso, cheio de meias palavras, do Canceroso e nos faz temer. Pois, embora ele prometa preservar a vida de Mulder, não hesita em por em risco sua saúde mental. Ele é um vilão perigoso, não demonstrando ética em suas ações — todos os meios valem para justificar um fim.

Ele pareceu ter entendido que não bastava tentar desacreditar o trabalho de Mulder no FBI, sua tentativa de fazer isso, usando Scully esbarrou na ética e fidelidade dela. Não valendo a pena criar um mártir, fazer com que ele pareça insano seria a próxima cartada.

Desde o início do episódio dá para perceber que há algo de grave acontecendo com Mulder. Por mais impulsivo que seja, seu comportamento não é violento. Sua postura irritadiça no episódio, coroada pela explosão e agressão ao Skinner, são o alerta que Scully precisava para iniciar sua própria investigação.

Tudo se torna surreal quando Mulder desconfia da Scully. Se essa temporada tinha uma mensagem para deixar ao público, é a de que a relação entre eles dois atingiu um nível de companheirismo e interdependência praticamente nunca visto entre colegas de trabalho.

Eles confiam as próprias vidas um ao outro. Essa afirmação é dita ao longo da temporada e solidifica-se neste episódio, quando Scully atira em Mulder, com o objetivo de protege-lo. É difícil imaginar uma situação ondo o ferido aceite, entenda e ainda agradeça pela bala em seu ombro. E quem diria que Krycek, o personagem sem graça do começo da temporada se mostraria o vilão tão odioso, salvo pela prudência de Scully.

Mas o elemento que traz um brilho diferente para a mitologia de The X-Files é o uso da tradição indígena norte americana. Toda a sapiência daqueles povos, como se conhecessem um grande mistério do universo em uma postura que transmite credibilidade ao público.

O código (língua navajo) sendo decifrado gera expectativas maiores ao descobrirmos que aquelas informações não são apenas de anos atrás, mas tem sido atualizados, já que Scully e Duane Barry aparecem ali. Tudo acontece tão rápido que nos esquecemos do tempo limitado de episódio, e somos surpreendidos pelo cliffhanger do vagão sendo incinerado com (aparentemente) Mulder dentro.

Parece que a precaução do Canceroso sobre a vida de Mulder se foi. Ainda bem que hoje temos a possibilidade de assistir o primeiro episódio da Terceira Temporada imediatamente e não precisamos ficar meses esperando para saber o destino do nosso Spooky preferido.

Curiosidades dos bastidores:

– EI ‘Aaníígóó’ Áhoot’é que aparece na abertura do episódio, significa ‘A verdade está lá fora’ em navajo;

– Chris Carter faz uma aparição nesse episódio, como um agente do FBI na cena em que Scully é interrogada na sala de Skinner

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A seguir, cenas do primeiro episódio da Terceira Temporada:

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