The X-Files 3×01 — The Blessing Way

The Blessing Way inicia a terceira temporada exatamente de onde a segunda terminou.

Você é a memória, Fox. Ela vive em você. Se morresse agora, toda a verdade morreria, e só as mentiras sobreviveriam a nós” — MULDER, Willian

The Blessing Way é, para Mulder, o que One Breath foi para Scully. Diante de um destino incerto, ambos precisaram fazer uma avaliação e reencontrar seus motivos para continuarem suas jornadas. Enquanto isso, no mundo dos vivos, seus parceiros buscavam evidências concretas de que a busca não é em vão.

A presença/participação das tradições indígenas norte americanas no processo de cura de Mulder trouxe o tom poético equilibrado para alguém com crenças tão abrangentes quanto às dele. A sabedoria de Albert sobre o fenômeno da vida e a natureza humana soa coerente com o clima da série, por ser uma tradição espiritual que não se contradiz diante das possibilidades de manifestações extraterrestres.

Também as figuras responsáveis por motivar Mulder a retomar sua jornada foram coesas com o que ele precisava no momento. Rever o Garganta Profunda traz nostalgia, mas também nos lembra que, mesmo indiretamente, houve uma ‘passagem de bastão’ entre eles com o objetivo de expor a Verdade. Mesmo que não saibamos qual a história ou as verdadeiras motivações do Garganta, era claro que ele tinha interesse em revelar algo para o mundo.

Da mesma forma, Willian Mulder tem, nos sonhos do filho, a chance que não teve em vida de desculpar-se e instiga-lo na busca. O arrependimento expresso no carinho com que fala e na necessidade de fazer com que ele persista, talvez para consertar os próprios erros.

E mesmo que não se acredite no fenômeno espiritual das experiências de quase morte, é bonito pensar que o inconsciente de Mulder o tenha levado a encontrar as duas referências perdidas, sendo também uma forma de reconciliação com seu pai.

Outra grande revelação desse episódio é a primeira reunião, visível para o público, do Sindicato. Onde também vemos que o Canceroso não está sozinho na liderança, tendo seus erros apontados e precisando mentir para manter-se no controle. Somos apresentados ao ‘Homem de Unhas Bem Feitas’ (sério, quem era o responsável por nomear os personagens conspiradores?), cuja estratégia não é atacar, mas, brilhantemente, usar o momento de fragilidade de Scully e plantar a dúvida.

Quanto à ela, o mesmo desespero que Mulder já sentiu uma vez, ao quase perde-la, é visto neste episódio. Vê-la perdendo as esperanças, em busca de respostas e de alguém em quem confiar desperta nossa aproximação dela. Pela primeira vez a vemos sem um norte para guia-la. O que torna muito bonita a cena em que ela busca pela mãe após vagar sozinha (e descalça) pelas ruas.

A jornada de Scully é uma constante disputa entre razão e sensibilidade. Melissa, sua irmã, abraça completamente seu sexto sentido, mas Scully reluta até o ponto em que sua ciência não consegue lhe responder e as provas concretas não estão diante de seus olhos. É quando a força de sua intuição desponta, fazendo com que ela vá até a Sra. Mulder afirmar que o filho dela está vivo ou mesmo desafie abertamente sua chefia.

Aliás, a relação entre Scully e Skinner vem estabelecendo uma dinâmica interessante. Os dois atores possuem química em suas cenas. Mitch Pileggi consegue deixar seu personagem ambivalente, ainda que despertando nossa simpatia. Ele é como um tutor que entende a política do ambiente, sabendo jogar nas duas frentes, com a missão de orientar e proteger os dois agentes das próprias atitudes impulsivas.

Por ainda não conhecer as motivações de Skinner, seguramos a respiração quando Scully decide ir com ele, e é com um misto de surpresa que vemos os dois apontando as armas um para o outro. Sem contar que foi esse desvio no caminho que permitiu a Melissa ser baleada no lugar da irmã.

Nesse episódio ainda temos Scully descobrindo um chip implantando em sua nuca, retirando-o (elemento primordial para um arco futuro) e, além de tudo isso, temos Mulder voltando dos mortos e descobrindo a ligação de seu pai com o sindicato.

Enquanto ainda não sabemos como lidar com tantas informações o ‘to be continued…’ na tela nos mostra que ainda teremos ver mais um episódio para, finalmente, conhecer o fim desse arco.

Curiosidades dos bastidores

– Um pagé da nação Navajo foi chamado como assessor técnico, após queixas de ‘imprecisões’ por nativos americanos em Anasazi. Chris Carter chegou a participar de um ritual como parte de seu trabalho de pesquisa.

– Nicholas Lea (Krycek) namorava Melinda McGraw (Melissa) na época do episódio. Ao ser perguntado como se sentia matando o personagem de sua namorada ele respondeu: “Eu só esperava que ela conversasse comigo quando chegássemos em casa.

– David Duchovny não ficou satisfeito com o episódio, pois achava que o personagem poderia ter uma participação mais ativa, e não fazer uma viagem simbólica. “Construímos um personagem durante dois longos anos, e aí acabamos contando a história através de outras pessoas. Foi como se eu tivesse ficado de lado, e se tivesse de fazer tudo de novo, tornaria a coisa muita mais pessoal”, disse ele na época.

– Chris Carter discorda de Duchovny, dizendo que o equilíbrio entre as participações de Mulder e Scully no season finale da 2ª temporada e premiere da 3ª trouxe equilíbrio dramático, preparando terreno para o fechamento dessa trilogia. “Algumas vezes, fazer esse papel, o de alguém que permite aos outros personagens dizerem as coisas que precisar ser ditas a respeito dessa jornada, é a melhor maneira de fazer as coisas porque, se o personagem contasse tudo ele próprio, tornaria o episódio dramaticamente desinteressante”, foram suas palavras.

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Abaixo, cenas do próximo episódio:

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