The X-Files 3×03 — D.P.O.

D.P.O. é um episódio que chama mais atenção pelo elenco que pelo roteiro.

Este é o primeiro raio que eu vejo deixar uma pegada gravada no chão.” — MULDER, Fox.

D.P.O. não é um episódio memorável de The X-Files. Na verdade, está longe disso. O monstro da semana desta vez não possui um motivo real para fazer o que faz, também não há uma explicação de como ele começou a possuir seu ‘dom’. O roteiro fundamenta-se, basicamente, nas inconsequências de um adolescente que tem um poder á sua disposição, para que suas vontades sejam satisfeitas.

Tudo isso, em uma visão inicial, pois se analisarmos com mais cuidado, Darin não passa de um psicopata, para quem não existe noção de certo e errado, somente daquilo que se quer ou não. Ele não teme consequências, sempre achando que vai conseguir se livrar das punições.

Sua preocupação, unicamente, com os próprios desejos atingem o ponto de ele não conseguir manter relacionamentos interpessoais, chegando a atingir seu ‘melhor amigo’, pessoas que ele nem conhece e, principalmente, aquela por quem tem obsessão. Talvez por não sentir-se pertencer, tenha encontrado na figura da Sra. Kivit a possibilidade de suprir sua carência emocional.

Um outro ponto abordado pelo episódio é a rejeição que o xerife tem no trabalho dos agentes. O que não é incomum, visto a natureza dos métodos de investigação dos Arquivos X. E mesmo que o caso não tenha um ponto de partida firme, o caminho que Mulder segue, através das pistas, consegue se manter coerente.

Mas precisamos falar da forma como o xerife trata Scully nesse episódio. Chega a ser desrespeitosa a falta de confiança que ele tem no trabalho dela, ou mesmo de sua presença como investigadora naquele caso. Um eco do que a própria personagem citou episódios atrás, sobre a dificuldade de se fazer reconhecer em um mundo predominantemente masculino.

Interessante é que na relação entre Mulder e Scully não existe essa diferenciação. O respeito mútuo pelas potencialidades individuais de cada um é uma marca da dinâmica entre eles, e também uma das fontes do sucesso de sua parceria (para os roteiros e, posteriormente, para o público). Dessa forma, quando Mulder não interfere e permite a ela defender-se sozinha, a partir de sua própria competência, é só uma forma de explicitar a confiança que aparece nas entrelinhas.

Se o ponto de partida para os poderes de Darin não ficam claros, seu fim também não traz respostas. Enquanto público, ficamos com a sensação de que a presença dos agentes nesse caso não trouxe nada de construtivo para seu trabalho nos Arquivos X e talvez até tenha motivado a morte de alguns personagens.

O que fica de mais interessante é que ao assistirmos, hoje, reconhecemos os primórdios das carreiras de Jack Black e Giovanni Ribisi (que, posteriormente, foi o irmão da Phoebe, em Friends). Muitos dos atores que hoje são famosos tiveram seus primeiros passos em The X-Files. Mais um agradecimento que devemos ao Chris Carter.

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Fiquem com a promo do próximo episódio:

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