The X-Files 3×04 — Clyde Bruckman’s Final Repose

Humor e horror se misturam em Clyde Bruckman’s Final Repose.

Mas se o futuro está escrito, então, por que fazer qualquer coisa? MULDER, Fox

Agora você está percebendo” BRUCKMAN, Clyde

O segundo episódio em tons de comédia de The X-Files é uma delícia de se ver. Totalmente paradoxal, é de uma delicadeza (embora seja um caso de assassinatos brutais) e de uma comicidade (mesmo não tendo um final feliz) poucas vezes visto na série. Darin Morgan e Chris Carter estavam inspirados ao escrever esse roteiro cheio de tiradas engraçadas.

O teaser é macabro, até aí nenhuma novidade, mas depois da abertura somos premiados com uma cena memorável, onde somos enganados duas vezes: primeiramente, pensamos que a equipe de investigação estava esperando Mulder e seus métodos não ortodoxos (até a palavra spooky é dita), mas as informações antropológicas e comportamentais dos agentes são solenemente ignoradas diante da chegada do vidente.

A segunda pista falsa para o público é sobre o cético que bloqueia a visão do Yappi, que não é Scully… Mas, Mulder! A atuação over de Jaap Brocker casa perfeitamente com o contexto bizarro do episódio. E quando pensávamos que Yappi seria o personagem central do episódio, somos aprensentados a Clyde Bruckman.

De cara Peter Boyle nos causa empatia. Clyde, o oposto de Yappi, possui um dom real, mas que é um fardo para ele. Parece que toda sua vida é uma grande ironia, desde o seu emprego até sua solidão. O próprio personagem cita já ter visto muitas mortes e mesmo com os suspiros e sua expressão cansada, não há uma aura negra sobre ele. É como se ele já tivesse compreendido, não lutando mais contra o destino.

Apesar de seu dom, ele parece não prever sua entrada na investigação. Como se, sua ingenuidade, tentando (escapar sem sucesso) das próprias armadilhas, o tivesse levado diretamente ao encontro de Mulder e Scully.

Mulder, entretanto, acredita em videntes e consegue trazer Clyde para a investigação. Scully não crê, e sua expressão ao ouvir dele as mesmas palavras que ouviu do Yappi é ótima. Aliás, em todo o episódio as expressões de David e Gillian — incredulidade, espanto, desdém e até de esperança — estão excelentes.

A atriz é conhecida na vida real pelo seu bom humor e por ser engraçada, contrastando muito com a personalidade séria e densa de Scully. Por isso a mistura da pessoa com a personagem ficou muito boa, fazendo piadas com a expressão concentrada. Já quanto ao David, dava pra ver que ele estava se divertindo muito na gangorra entre ‘sim, ele é um vidente real!’ ou ‘não, ele é uma farsa!’.

Bruckman sabe que o assassino irá matar mais pessoas e que nada o que ele faça irá impedir isso, então ele filosofa sobre a vida e a morte. Tem falas bonitas sobre o poder do destino (citando o acidente de avião que matou Budy Holly), sua própria morte, até quando é perguntado pelos agentes sobre as suas mortes. Mas é quando ele tenta ter visões sobre o caso temos as melhores cenas (a discussão sobre o ‘creme de coco ou de banana’ é impagável).

Sua interação com o assassino acontece de forma inesperada e convincente. Este, um homem de aparência inofensiva, inseguro e assustado tornando-se ainda mais perigoso devido ao que se mostrou capaz de fazer. Ele não sabe porque faz o que faz, mas sua obsessão é perceptível na necessidade que tem de conferir o resultado de seus atos. Por fim, o destino traçando o encontro dos dois videntes e permitindo a Mulder e Scully serem testemunhas da concretização das previsões de Clyde.

E nos despedimos de Clyde Buckman. Ele previu sua própria morte? Poderia tê-la evitado? Talvez não, pois foi um ato onde empoderou-se do próprio destino. E a conversa cômica que ele teve com Scully, que parecia fruto da carência de um homem de idade (já que ele mesmo, tantas vezes trouxe a sexualidade em sua fala), termina com a expressão de ternura de Scully (e choque de Mulder) ao segurar a mão de um falecido, mas liberto, Clyde.

No fim, num caso onde a paranormalidade esteve tão presente, não deixa de ser irônico que o caso tenha sido solucionado pelas evidências recolhidas pela memória de uma cética, que ainda ganha um cachorrinho de presente.

Curiosidades dos bastidores:

– Este é o episódio preferido de David Duchovny na terceira temporada;

– Jaap Brocker foi dublê de Duchovny e o papel de Yappi foi escrito especificamente para ele;

– Darin Morgan diz que a inspiração para o roteiro veio de uma fase depressiva de sua vida;

– A cena em que Bruckman, ao tentar advinhar coisas sobre o primeiro crime, e afirma que um pedaço de tecido azul é de uma camisa dos Knicks é uma referência ao episódio Beyond the Sea, na primeira temporada;

– Também há uma referência à abordagem psicológica que Mulder segue. E ele não é freudiano.

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A seguir, cenas do próximo episódio:

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