The X-Files 3×06–2Shy

2Shy alerta para o perigo das relações cibernéticas.

Minha fraqueza não era maior do que a delas. Eu lhes dei o que elas queriam. Deram-me o que eu precisava.” INCANTO, Virgil

O revival de The X-Files, segundo Chris Carter, se justifica pelo fato de que mesmo 10 anos depois de seu finale, os temas abordados pela série continuam atuais. 2Shy, exibido pela primeira vez em 1995, é um exemplo claro disso.

A popularização da internet ainda estava começando e as salas de bate-papo online encheram-se rapidamente. Basicamente as primeiras redes sociais. Para os tímidos, era uma solução perfeita. Poder conversar abertamente, sem a necessidade de se expor demais e sem os riscos de frustração e rejeição que o contato presencial traz.

Sim, e ainda estamos na década de 1990. Só um lembrete, porque esse cenário ainda é bastante familiar, não é? A diferença é que agora, 20 anos depois, temos aplicativos e diversas redes sociais para facilitar esse contato.

Um monstro que não está apenas no escuro, esperando para nos agarrar quando viramos a esquina. Mas está perto, mesmo que seja do outro lado da tela. Aquele monstro de quem nos aproximamos devagar, compartilhando angústias, preferências, inseguranças. A quem pensamos conhecer e entregamos pequenas partes de nós.

É interessante como nesses episódios, onde mulheres são as vítimas, Mulder torna-se apenas um suporte investigativo, mas Scully envolve-se emocionalmente, basta ver no olhar de Gillian Anderson o incômodo e a revolta. Ainda assim, ela não permite que isso afete suas ações e julgamentos. Uma grande lição de profissionalismo que dá ao xerife.

Aliás, os últimos episódios tem sido um desafio para Scully. Como se o fato de ela ser mulher diminuísse seu valor enquanto investigadora. E neste episódio as ações do xerife foram ao extremo do preconceito. Talvez uma forma de o roteiro enfatizar que há algo muito além da fragilidade exibida pelas vítimas. Tanto que o embate final com o assassino foi com as mulheres do episódio.

Virgil Incanto parecia um cara perfeito. Seu trabalho como um sonho romântico, aproveitando-se do anonimato que a internet proporciona para a satisfação de suas necessidades. As vítimas que, mesmo sem vê-lo, idealizavam sua imagem.

Obviamente, isso não quer dizer que nunca devamos usar aplicativos ou deixar de confiar em alguém que, por acaso, conheçamos pela internet. Por isso, o fato de a garotinha cega não confiar nele é uma metáfora inteligente. Pois quando não podemos ver, os outros sentidos devem ser aguçados.

Talvez pareça exagerado trazer a metáfora para a vida real, porque no episódio trata-se de um vampiro sugador de gordura. Bem, não seria um Arquivo X se não fosse um mutante com hábitos alimentares nojentos e fatais. A grande questão do episódio está na conclusão que Scully, tão sensível em seu ceticismo, chegou. Obviamente é um crime alimentar-se de seus corpos, mas alimentar-se de suas mentes, de suas esperanças isso sim, é o mais monstruoso. E há várias pessoas mundo afora fazendo isso, mesmo que não sejam capazes de matar um mosquito.

Curiosidades dos Bastidores:

– Houve receio dos roteiristas em ofender parte da audiência, pela ideia dos ‘corações solitários’, mas Chris Carter achou pertinente abordar o tema de pessoas que buscam aquilo, que procuram nos lugares errados e de outras que se fazem passar pelo que não são.

Segue o promo do próximo episódio:

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