The Young Pope: o papa é pop!

Um dos lançamentos esperados para 2017, a minissérie The Young Pope impressiona pela arte e por uma visão atípica da Igreja Católica na ficção.

Uma das mais recentes ondas da televisão mundial é trazer nomes de peso do cinema para suas produções. Esse é o caso da minissérie de dez episódios The Young Pope, dirigida por Paolo Sorrentino e estrelada por Jude Law, Silvio Orlando e Diane Keaton, que estreia no ano que vem na HBO. Será essa a receita para uma atração ser bem sucedida?

Tudo é providencial em The Young Pope. A premissa, um novo papa, eleito pelo colégio de cardeais para conciliar os lados conservador e liberal da Igreja Católica, clama pela expertise e visão da sociedade que Sorrentino sabe muito bem trabalhar em cena. Law dá vida a Lenny Belardo, o primeiro papa americano da História, e ao contrário da sua pouca idade, é membro do grupo conservador da Igreja. Seu primeiro ato já demonstra o seu lado controverso: escolhe como alcunha papal Pio XIII, o sucessor do sacerdote apoiado por Mussolini durante o fascismo.

Já no primeiro episódio, as tramas novelescas e maquiavélicas começam a surgir diante os muros da Basílica de São Pedro. o secretario de Estado, o Cardeal Voiello (Silvio Orlando) se vê impotente diante do novo e imprevisível chefe, Michael Spencer (James Cromwell) imagina-se traído pelo seu pupilo já que era o nome mais cotado para assumir o Vaticano, a Irmã Mary (Diane Keaton) assume o papel de conselheira do papa mesmo sem experiência. Constrói-se assim um verdadeiro castelo de cartas.

Acima de tudo, há espaços na vida de Lenny, cujo novo status permitirá que se busquem algumas respostas. A preocupação dos seus seguidores é até onde a vida mundana e a origem banal do poder vai impedir que o sagrado, que agora deverá habitar neste “jovem papa”, se sobreponha.

Uma tarefa bem difícil. Lenny não abandona seus hábitos americanos — como coca zero no café da manhã — , não dispensa da arrogância com seus aliados, usa de malícia e astúcia para humilhá-los e é capaz de se por acima das regras da Igreja para ter o que quer. Não perde em nada para presidentes e reis que vemos em outras obras da ficção.

The Young Pope é como A Grande Beleza e A Juventude, nos quais Sorrentino se preocupa com o tom artístico da produção: cenas silenciosas e sombreadas, trilha sonora com música eletrônica, um tom opaco e letal. O objetivo é colocar em pauta o caráter temporal do papa, as relações dele com a sua própria vida, com o os seus fiéis, com o mundo e com os seus subordinados, a ausência de Deus, os limites da fé, e os exageros do poder de uma instituição que prega a humildade.

No fundo, o que você deve esperar é uma grande sátira do sistema hierárquico, aos mistérios monárquicos e ao mundo em geral — por quê depositar a nossa felicidade em uma figura humana?

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