Titanic — A minissérie

Um dos aniversários mais lembrados este ano é o centenário do naufrágio do RMS Titanic, em 14 de abril de 1912. O filme de James Cameron voltou em 3D (numa conversão bem eficiente, com a história de Jack [Leonardo DiCaprio] e Rose [Kate Winslet] muito mais real remasterizada), e várias celebrações foram feitas pelo mundo, em memória dos mais de 1500 mortos na tragédia.

Mas o que o Titanic tem a ver com o Box de Séries? Ora, você deve ter ouvido falar da minissérie que a ITV britânica produziu, em quatro episódios, sobre o navio mais famoso do mundo. Se não ouviu, saiba agora O que achamos de… Titanic.

Naufrágio na TV

Em 2012, dois projetos estão levando a história do Titanic para a TV, sendo esta minissérie a primeira. Titanic: Blood and Steel, ainda sem previsão de estreia, vai contar a história da construção do navio, de 1897 até a viagem inaugural de 1912. Serão doze capítulos, produzidos pela DeAngelis Group em parceria com o canal RAI.

Com uma pegada à la National Geographic (tanto que a emissora transmitiu a minissérie, no Brasil e no México), Titanic nos conta a história de várias famílias e casais, pouco antes do embarque no navio, durante a viagem inaugural, e nos momentos finais do naufrágio. A narrativa é alinear, vai e volta várias vezes, inclusive com a mesma cena sendo repetida em dois episódios, como o primeiro encontro entre o garçom Paolo Sandrini (Glen Blackhall) e a camareira Annie Desmond (Jenna-Louise Coleman), do ponto de vista de ambos.

Falando no casal pobre, o romance foi bem construído, e o italiano Sandrini esbanjou carisma durante os quatro episódios. Annie foi mais recatada, tipicamente inglesa, mas nas horas finais soube demonstrar seu amor, apesar de nunca terem se beijado. Como era de se esperar, a camareira se salvou, e o garçom acabou se afogando.

Porque falei “casal pobre”? Justamente porque temos um casal rico: Lady Georgiana Grex (Perdita Weeks, de The Tudors) e Harry Elkins Widener (Noah Reid). Mas o que os pobres tinham de carismáticos, os ricos tinham de antipáticos. Que casal chato! Sem química nenhuma, não dei a mínima para a cena de despedida. O destino romântico se repetiu: ela sobreviveu, ele não.

Ainda sobre a família de Georgiana, o pai Earl of Manton (Linus Roache, de Law and Order) e a mãe Louisa (Geraldine Somerville, a Lílian Potter da saga Harry Potter) tiveram suas diferenças durante a minissérie, mas a trama evoluiu bem, e a família conseguiu sair viva do Titanic, com Lord Manton se salvando na última cena (um brandy faz milagre no frio congelante do Atlântico).

Os personagens reais também deram as caras. Assim, tivemos o veterano David Calder como o Capitão Smith, Stephen Campbell Moore como Thomas Andrews (construtor do Titanic), e todos os outros passageiros já conhecidos da primeira classe: J. Bruce Ismay (dono da RMS), Molly Brown (a inafundável), a Condessa de Rothes, Benjamim Guggenheim e John Jacob Astor IV, os milionários do navio que preferiram afundar como cavalheiros. Mas salvando os cachorros de estimação, lógico…

O mais interessante em Titanic, ao meu ver, foi a história conturbada de John Batley (Toby Jones, de O Espião Que Sabia Demais) e sua esposa Muriel (Maria Doyle Kennedy, de The Tudors). Além de ser o único casal com atores conhecidos — Jones faz participações em dezenas de filmes, e Kennedy era a Rainha Catarina de Aragão — o diferencial dos Batley é a situação financeira: são passageiros de segunda classe. Em meio ao extremo luxo da primeira classe, e a pobreza imigrante da terceira, a segunda classe é a que me parece mais real, já que, se estivéssemos no Titanic, muito provavelmente esta seria a classe da maioria de nós (classe média feelings)!

Por fim, tivemos uma grande família da terceira classe, os Maloney, com direito a uma paixão bandida da esposa Mary (Ruth Bradley) pelo malandro Peter Lubov (Drago? Bucur), já que estava infeliz por seu marido Jim Maloney (Peter McDonald) ter conseguido passagens na terceira classe para a família. Motivo bom pra pular a cerca, hein? Mary e os filhos conseguiram se salvar, com a ajuda de Lord Manton, mas a pequena Theresa deixou o bote com medo de que rachasse. No momento mais dramático da série, Jim se abraça com a filha para morrerem juntos, já que não havia mais escapatória.

Não espere um grande roteiro nem atuações de tirar o fôlego. No fim das contas, porém, Titanic é um passatempo razoável: nos mostrou histórias de passageiros que poderiam ter acontecido (especialmente a da segunda classe), e teve uma produção interessante. Perto dos milhões de dólares gatos por Cameron no filme de 1997, até que a ITV se virou bem com o que tinha nas mãos. Se o Titanic te atrai, vale a pena conferir a minissérie. Se não, fique só com o filme, e vá ao cinema ver novamente Jack e Rose, ao som de Celine Dion. Isso sim é imperdível!

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