Trophy Wife: porque confusões em família nunca são demais

Trophy Wife: porque confusões em família nunca são demais

Há um ano eu era solteira e sem compromissos.
Hoje eu estou casada, com três enteados e estou bêbada no carro da ex-esposa do meu marido.
Você deve estar se perguntando a mesma coisa que eu: Como eu cheguei aqui?” — Kate

É dessa forma que começa Trophy Wife, série recheada de estrelas do mundo do cinema e da TV, que a princípio teria tudo para dar errado. Digo isso porque com um argumento que beira o clichê absoluto e com uma trama já tão explorada em outras mídias, é certo que muita dos interessados na série estavam esperando exatamente que tudo desse errado. E adivinhem espíritos de porco de plantão? Deu tudo certo.

Em uma sequência inicial extremamente rápida, logo sabemos como Kate era em pequenos flashes, e como eles se conheceram — tomara que em um episódio futuro explorem mais o passado de Kate e o primeiro encontro.

trophy wife

A cena no hospital, onde eles apresentam suas cicatrizes, trouxe uma boa lembrança (Máquina Mortífera, lembram?) e, principalmente, mostrou rapidamente o quanto eles se completam.

A também rápida apresentação da família, em uma confusão de conversas e problemas típicos do gênero, também foi ótima. Em poucos momentos percebemos que é Diane (Marcia Gay Harden), a primeira ex-esposa, quem manda ali. E também percebemos o quão rica de histórias é essa família. Mas o melhor em tudo isso foi mostrar a reação de Kate — sério, nem precisava de narração — que por algum motivo bizarro aceita tudo aquilo com um sorriso no rosto. Se isso não é amor, não sei o que é então.

Malin Akerman — com seus olhos sempre vivos e alegres — está ótima no papel de Kate, uma terceira esposa que foge da saída fácil do drama clichê da não-aceitação, fazendo da sua escolha em casar com um homem mais velho algo divertido e leve. Aliás, em uma série com tantos personagens, é difícil que todos estejam bem em seus papéis, mas é isso que temos em Trophy Wife. Bradley Whitford está maravilhoso, segurando bem o personagem cheio de bagagem familiar. Ok, não temos suas falas inspiradoras como The West Wing ou Studio 60, mas temos um personagem também desafiador. Marcia Gay Harden está fazendo aquilo que sempre fez muito bem, judging looks com um ar único de superioridade. E até Michaela Watkins está bem no papel da mãe riponga meio doida, clichezão nosense sempre bem aceito.

Mas as crianças foram os grandes destaques do piloto, responsáveis pelos melhores momentos. Bert, a criança trazida da China — leve cutucada na

nova moda de adoção de crianças orientais — nem de longe é aquele anjinho que todos pensam. Manipulador e chantagista, em uma visão inspiradora ele poderia ser uma versão humana de Stewie de Family Guy.
E os gêmeos, com os dramas clássicos da puberdade, também estão ótimos. Warren ou Poseidon (reconheceram ele do clipe de Tittanium do David Guetta?) e seus milk grapefruits foram responsáveis pela maravilhosa sequência da reunião de pais — tomara que a linda professora apareça mais. E Hillary e a vodca na garrafa d’água nos trouxeram a épica cena de Kate tomando toda a garrafa em um só gole, no popular “gut gut”. Se você não riu com essa cena, então tem problemas, sério.

Certo, não é um Modern Family, mas é também uma comédia de erros familiares inicialmente promissora. A cena final com Kate sofrendo de ressaca após todas as confusões refletiu exatamente o que se passava conosco, espectadores: um sorriso no rosto.
Tudo o que podemos desejar é que Trophy Wife, uma série que partiu de um clichezão dos tempos das grandes sitcons — continue assim, deliciosa, doce, fofa, e, principalmente, que continue nos provocando essas reações, um sorriso no rosto. Afinal, é esse o objetivo de qualquer comédia. Vida longa a Trophy Wife.

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