True Blood 5×02 — Authority Always Wins

Antes que Deus criasse Adão e Eva, ele criou Lilith. Que, assim como Deus, também era vampiro.” Compton, Bill

Já começo o post com polêmica se eu disser que este episódio foi um dos melhores de toda a série? Ao longo do texto pretendo explicar isso com exemplos, mas só para ser objetivo logo de início, posso atestar que a série nunca expandiu tanto seu universo e mitologia quanto em Authority Always Wins, o segundo episódio da quinta temporada.

Tivemos humor, tivemos críticas sociais, tivemos paralelos com acontecimentos da história humana e tivemos uma magnífica sequencia final cheia de suspense com a Autoridade em pessoas. Isso mesmo, no plural!

Mas vamos do começo e por núcleos, afinal o grande problema de True Blood continua sendo a quantidade de personagens. Felizmente podemos dividí-los. Ano que vem aposto que teremos o núcleo do Leblon, afinal isso já tá quase novela do Manoel Carlos, de tanta gente!!!

Núcleo dos Bon Tempuenses: Tara, Lafayette e Sookie

Ninguém nunca mais vai poder reclamar da Tara. Geralmente quem reclamava de True Blood, reclamava dela… “A personagem tá chata… Tá boba… Gostava dela no começo, toda revoltadinha… Por mim ela podia morrer”!

Pois bem, Tara não apenas está morta (tecnicamente) como está mais revoltada que nunca! E isso rendeu momentos. O divertido de True Blood é que a série te deixa apreensivo em alguns momentos, como quando Tara avança para chupar o sangue de Sookie, e te joga na gargalhada logo depois, como quando Lafayette pede para Pam fazer algo e ela diz: “Estou fazendo… Estou rindo”! Ou então quando Sookie pede gentilmente para que Pam remende suas feridas. É o jeitinho True Blood de ser! hahahaha

Foi bom ver, ao final, que Tara não será sempre este monstro. Só espero que a raiva da personagem seja útil para a história e se conecte com as inúmeras tramas que estão sendo criadas. É bacana quando esses ganchos acontecem. Entendam o luto e a crise do Lafayette antes de reclamar que ele está um porre, por favor!

Núcleo do Iraque: Arlene, Terry e Patrick

Comentei no podcast 103 que o enredo envolvendo o trio não seria sobrenatural, e alguns de vocês ainda teimaram comigo! Espero mesmo estar enganado, afinal True Blood é uma série sobrenatural e a coisa pode ficar ainda mais interessante se houver algum fenômeno por trás disso tudo.

Mas não se engande! Fatos da vida real podem provar tudo o que aconteceu até agora. O Terry alucinado no meio da noite não significa exatamente uma possessão, ou qualquer coisa do gênero. O cara serviu o exército na guerra do Iraque e toda aquela cena com Arlene de madrugada por ser apenas sonambulismo, ou algum outro efeito do estresse-pós traumático (o mesmo do Owen, de Grey’s Anatomy), como indica o surto na cozinha. Terry sempre foi um cara estranho, para não dizer traumatizado.

Quanto às casas pegando fogo, já ficou claro que isso acontece apenas com os soldados que serviram no mesmo batalhão de Terry e Patrick, e o próprio episódio deixou claro que eles têm um suspeito que pode estar causando os tais incêndios. Enfim, se há algo de fenomenal nessa história toda, então deve estar nesse tal suspeito. Para quem quiser spoilers de leve, clique aqui para ver os bastidores da gravação de uma cena com Terry, Patrick e o tal personagem misterioso.

Núcleo do Eu Sozinho: Divampira Pam

Morri quando a histérica funcionária do Fangtasia perguntou para ela o motivo de estar tão suja, e Pam respondeu com outra pergunta: “Eu estava embaixa da terra. E você, qual sua desculpa?”. D.I.V.A.!

Como prometido, Pam ganhou espaço e contaram um pouco de sua origem. Como vimos, nossa Divampira centenária trabalhava na casa das camélias e talvez por isso o submundo dos vampiros não fosse nenhuma superstição para ela. Legal como tudo é costuradinho na série. Lembra quando chamaram a Pam de puta e ela disse que não era mais, há muito tempo!?!?

Tensa a cena na qual ela é perseguida por uma espécie de Jack, o estripador, né? E graças ao pai de Lilith (leia Deus) que Eric estava lá para salvá-la.

Ficou claro para todos que Pam não é apenas fiel a seu criador, mas apaixonada por ele? Oi foi só impressão minha?! Isso explicaria muito o ciúmes que ela sente de Sookie e traria à história um peso romântico sem precedentes. Afinal, seria um caso platônico que atravessou os séculos. Se Pam vai mesmo ganhar destaque nessa temporada, isso deverá ser explicado.

Núcleo dos Peludinhos: Alcíde, Sam, Luna e a ‘galere’ que anda de quatro

Precisa falar de Sam e Luna? Sério mesmo!?!?! Tudo bem que a… que a… Qual é o feminino de lobisomem mesmo!?!?

Enfim, a filha da Luna ficou fofinha transformada em lobinha. Além disso, ficou resolvida a dúvida sobre a garota ter descendência de lobisomem ou de metamorfo, certo? Pois não haveria DNA no Programa do Ratinho pra resolver esta situação. Sam brigou com Luna e foi embora. Por mim a história dos dois acabaria aí. Não tô vendo muita graça e ela ainda desacelera o roteiro!

Mas aposto que vão tacar o Alcíde para salvar a menina loba de alguma enrascada com a avó possessiva, enquanto ele poderia fazer coisa melhor. Tipo cenas de sexo com a Sookie! Oi, True Blood, cadê o soft porn??? Só faltou isso hoje.

Eu não tenho interesse em ser o líder da alcatéia. Ou em comer o líder anterior!” Herveaux, Alcíde

Se Alan Ball for esperto e respeitar os padrões decentes de narrativa, esse engodo todo que tem sido a história dos lobisomens, desde a terceira temporada, finalmente vai ter valia. Lembre-se, Russell Edington tinha um pacto humilhante com alguns lobismomens. A Drama King do sul não era exatamente a mais querida entre qualquer lobo.

O que tá pegando agora? Alcíde, por tradição, é o novo líder da matilha. Mas ele é um lobisomem do bem, e não tá nem aí pra esses papos de gangue e tráfico de V. Mas acredito que no futuro o personagem vá voltar atrás, reunir a ‘galere’ e salvar geral.

Como ele é simpático aos planos cagados de Fuck Up One e Fuck Up Two (vulgo, Eric e Bill), não duvido que os lobos se unam à dupla de dois para se vingar da Rainha Russell. Tadinha dela, ficou com a pele toda cagada, né?

Núcleo do merchan: publi editorial da linha monange leite de rosas piranhas do Afrodite kkkk

Espero que exista um bálsamo vampírico de monange que recupere aquela pele rachada da Russell, tadinha! Quando o Pedro Bial manda usar protetor solar vocês ficam duvidando. Tá aí o resultado!!!

Minha maior pergunta agora é: quem está cuidando de Russell?!?! Afinal, é impossível que ele tenha saído dali sozinho. Como ele conseguiu aqueles pedaços de gente mal passada viva??? Não é o tipo de coisa que se vende no KFC.

Núcleo ‘Poliça 24 Horas’: Jason e Andy

E fico me perguntando o motivo dos roteiristas continuarem criando enredos para todos os personagens… Sério, tá precisando de faxina geral. Enxuga o orçamento de ator e aumenta o de efeitos especiais. O melhor exemplo de personagem inútil: Andy!

Podiam explicar de uma vez por todas o estupro que ele sofreu da fada e seguir em frente, já que aquela foi a única situação realmente curiosa e não resolvida do ator… Quando ele pegou a ampola de V no carro de Debbie, gelei! Se a história do vício fosse retomada, ia ficar #chatiadíssimo!!!

Meu Deus, Jason, você comeu todas as mulheres dessa cidade?!” Bellfleur, Andy

Outra coisa que me chateou foi esse baboseira do guri invadir a delegacia e socar o Jason. Venderam o episódio dizendo que ele sofreria as consequências de ser tão mulherengo e eu fiquei me perguntando: “Tá, é só isso?!?!”.

Não sei se quero que explorem mais esse assunto.

Está muito mais interessante acompanhar Jessica e Newlin disputando o boy magia. Aliás, quem não curtiu as indiretas dos roteiristas a todos os movimentos abusivos religiosos e hipócritas quando eles colocaram Newlin na TV dizendo que Deus ama os vampiros???

Vim aqui dizer para vocês que Jesus ama os vampiros. Só um homem que passou três dias morto poderia entender a gente.” Newlin, Steve

Tapa na cara da sociedade! Ainda completaram quando fizeram o reverendo assumir em rede nacional que é vampiro, mas esconder que é gay. Uma ótima discussão em meio a todas as polêmicas que envolvem as leis de união estável homoafetiva nos EUA, atualmente.

Outra crítica bacana é quando a Sookie entra na loja de armas e encontra toda a sorte de equipamento para exterminar vampiro. Isso resume bem a mania de “segurança” que os americanos têm.

Caso você não tenha reparado, a marca que estampa a blusa do vendedor é uma das maiores fabricantes de armas dos EUA. Sério, dá vontade de aplaudir quando True Blood levanta suas bandeiras. Sentia falta disso!

Daí eles ainda fazem Newlin entrar de bicão, fazendo dancinha sensual e tudo, na festa da Jessica. Amando a vibe adolescente da Jess, dando festinha e brigando com Newlin como se fossem duas criaças: “Meu pai é o Rei”, “Puxar cabelo? Sério?!?!”. hahaha

Você já viu a bundinha do Jason? Ela é tão dura que você não conseguiria enfiar suas presas!” Hamby, Jessica

Núcleo da Batcaverna: As Autoridadiiiii

Agora a melhor parte, deixada para o final. A opção dos roteiristas de ir mostrando aos poucos todo o esquema que envolve a Autoridade foi realmente excelente. Enquanto avançava na narrativa dos outros núcleos, pouco a pouco nos mostrava o que acontecia com Eric e Bill, o que aumentava nosso suspense. Ainda mais pois a dupla de vampiros conhecia tanto, ou quase nada, da Autoridade quanto a gente.

Agora sabemos que a Autoridade é uma sociedade com fundamentos religiosos. Mas essa história de coexistência eu não compro!!! Talvez este seja eu, com minha mania de criar teorias, mas não consigo acreditar que independente da quantidade de pessoas que populem a Terra, Vampiros tão poderosos quanto os da Autoridade não poderiam escravizá-los e torná-los simplesmente gado.

Mas talvez os roteiristas estejam colocando todas as cartas na mesa e nós, humanos, sejamos apenas comida. Ainda assim, a bebida “True Blood” seria apenas hipocrisia desfarçada, uma desculpa para que os vampiros viessem à tona ainda mais fortes no futuro. Ou tô criando teorias de novo? Pois isso daria margem a possibilidade de um plano maior, que me agrada muito mais quando penso na evolução da série.

E tem mais: o episódio foi fodão pois se centrou na mitologia dos vampiros e deixou Sookie de castigo cuidando do bebê dos outros! Não que a personagem seja descartável, mas se a aproveitassem mais nesse universo, seria mais bacana. Sookie é fascinada por vampiros e o que não falta é jeito de encaixá-la nisso.

A mitologia da série

Já deu para perceber no diálogo de Bill com seu torturador, o vampiro Dieter, que há diversas correntes filosóficas e religiosas entre os vampiros.

Você deve ter ficado tão chocado quanto eu ao descobrir os preceitos religiosos da Bíblia Vampírica, na qual está escrito que os vampiros foram feitos à semelhança de Deus, e não os humanos. Que todos nós somos simples alimentos desses seres. De certa forma, toda figura vampírica que a série mostrou vestida com roupas religiosas, como nos flashbacks da bruxa Antonia na Inquisição, passam a fazer mais sentido.

Boooom! Que cérebro não explodiu com todas estas informações? Os vampiros estão aí, nas mais diversas áreas do interesse humano, e com muito poder. Eles são ricose têm poder tecnológico fantástico, como o esconderijo da autoridade mostrou. Estão nos alicerces da sociedade, da ciência e da religião.

Por isso disse logo no começo desta crítica que este foi um dos melhores episódios da série. Me fez pensar muito em tudo que True Blood pode oferecer se decidir se aprofundar em sua mitologia. A série pode deixar de se importar com criaturas mitológicas como mênades, bruxas e lobisomens.

Foi um episódio completo por vir forrado em críticas e detalhes originais. A cena da tortura com raio ultravioleta é o tipo de coisa que faz a gente ter orgulho de acompanhar True Blood. Cria aspectos, dá dimensão.

Quando Eric, Bill e Lucy são jogados na cela, logo perguntei quem seria aquele vampiro churrasquinho que os chamou de “carne nova” (tradução livre minha), e porque ele estava daquele jeito se vampiros podem se regenerar… E então veio o terrível banho de luz, que sem dúvida alguma danifica a pele dos vampiros levando àquele estado horrível.

Ver a injeção de prata líquida, usada como outro sistema de tortura, foi ainda mais interessante. Misturada a um ótimo caminho de edição, forrado de mind games, Eric e Bill se mostravam fieis a seus propósitos conjuntos e é bacana ver os dois do mesmo lado.

Faz você se prender à história e torcer para que nenhum dê com as línguas nos dentes afiados, verdadeiramente controlando a audiência em ansiedade e curiosidade.

Nós somos a Autoridade. Eu sou a Autoridade.” Roman

E, enfim, Meloni!!! A Autoridade se revelou como um grupo de vampiros ancestrais de poder imensurável. Foi uma ótima costura dos principais aspectos e assuntos levantados pela série até agora, e me refiro a tudo que já foi explorado nas temporadas anteriores. Com todo o clima gerado, já fico até preocupado com o que pode vir pela frente.

Francamente, encurralados entre Autoridade e Russel Edington, o que mais pode acontecer com nossos queridos vampiros de True Blood? Vale ressaltar que esta é a última temporada com Alan Ball e com certeza ele separou o que há de melhor para se despedir.

Para terminar o post, mais duas perguntas: o que será que fica atrás daquela porta gigante de madeira na sala da Autoridade? E cadê o terceiro episódio!?!?!

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