True Blood 7×01 — Jesus gonna be here (Season premiere)

Meu deus me odeia. Todos que eu amo vão embora, tudo o que eu toco morre, então me perdoe se eu não divido sua fé no meu Senhor. Seu deus e o meu deus podem estar fodendo num motel que não ligo. Eu estarei no inferno fazendo um ménage com o diabo. — DE BEAUFORT, Pam Swynford

O que falar de uma premiere em que o fato mais importante do episódio aconteceu aos três primeiros minutos? De uma forma crua e deslocada, a série se desfez de uma personagem que outrora fora uma das mais queridas: Tara Thornton.

Com o deslocamento na série, nós já estamos acostumados, mas com a crueza e frieza com que a morte foi tratada, isso não! Imaginei que a atriz Rutina Wesley se quer tenha voltado para o set de gravação desta temporada final. Deve ter filmado aqueles 30 segundos ano passado mesmo, no finale da sexta temporada. Nem mesmo foi mostrada a true death de Tara. A impressão que fiquei é que a personagem não morreu (não por deixar de acreditar, mas sim porque essa morte não foi sólida, ficou faltando algo ali).

A cena inicial começou um pouco “opa, onde estou?”, mas ao decorrer da ação fomos nos situando e tudo estava em seu lugar. Até que tudo desmoronou.

A ideia de Sam e Bill continua intacta. Cada humano deve ficar acompanhado por um vampiro, gerando então uma troca recíproca: sangue por proteção. Mas essa foi exatamente a ruína do episódio. A partir dali vários núcleos foram gerados. Cenas com personagens olhando para o além, desabafando e contando suas histórias de vida, numa tentativa frustrada de colocar o público próximo ao personagem, não faltaram.

O que faltou nesse episódio foi interação entre os personagens. Os mais importantes que são Sookie, Bill, Jessica, Pam, Jason (e Eric) não contracenaram juntos, o que deixou o episódio bem mais vazio que o normal.

true blood 7x01 anna paquin sookie

Eric, como era esperado, ainda não apareceu e não sabemos por onde andou nesses últimos seis meses. A verdade é que não sabemos nem como ele está. Pam continua em sua busca pelo criador, o que foi, sem sombra de dúvidas, o melhor do episódio. A personagem é maravilhosa e possui uma presença de cena incrível, além de continuar divando com seus diálogos imcomparáveis (quantos adjetivos num mesmo parágrafo, mas Pam merece).

Esse episódio serviu para provar o que eu já sabia há muito tempo: Pam é sim um ser decente. Cenas da temporada passada e deste episódio também comprovaram isso. Um ser decente que desistiu de usar a decência. Suas falas durante toda a série mostraram que seu problema é com a humanidade e seus valores tão contraditórios. Pam definitivamente é a personagem mais autêntica e menos hipócrita dessa série.

Olhando como um todo, o episódio foi fragmentado com dezenas cenas de um ou dois minutos sem carisma nenhum. Grandes personagens ficaram mais ofuscados que o normal. Bill não fez nada além de caras e bocas. Torço que isso seja porque Stephen Moyer dirigiu o episódio, e em consequência suas cenas são reduzidas. O que em sua última temporada, True Blood não precisa, é de um Bill sem utilidade nenhuma. Já basta Tara ter sido menosprezada.

Jessica foi puro drama, o que de certa forma é mais aceitável do que o motivo do drama (o assassinato das irmãs fadas). Mais uma vez a garota ficou à beira da morte, mas acabou se livrando. Depois dessa morte de Tara, realmente estou com medo. Já Jason e sua namorada vampira se encontravam na mesma situação em que estavam seis meses atrás. Nada progrediu ali, e duvido que aquele sexo fará as coisas andarem. E Alcidão não fez nada além de falar grosso e latir. Como sempre. #tsc-tsc-tsc

E Sam. Ah, meu Deus, Sam… Really? Em plena temporada final a gente tem que ficar engolindo esse drama de “ninguém pode saber que eu sou um transformo”. Esse personagem só foi útil até a segunda temporada. A partir da terceira ele se tornou um chato (como quase tudo na série), e consequentemente todo o núcleo de Sam acaba indo para o mesmo buraco. Lamentável.

Paralelo à tudo isso, o ponto alto do episódio foi Sookie ainda ser tratada como a freak girl. Perdoem-me pela analogia (comparando ficção com realidade), mas culpar Sookie pelo o que está acontecendo é semelhante a culpar as mulheres por estas serem estupradas. É algo que não cola mais. No fim das contas acabei ficando com pena da Sookie. Além de perder a melhor amiga tem que lidar com a antipatia de toda Bon Temps.

Mas toda essa situação de Sookie me fez pensar que ela está entrando num momento totalmente psicológico e filosófico, o que na minha opinião, é muito mais válido para uma última temporada do que mais uma vez ela entrar em perigo junto com toda a humanidade que está enfrentando mais uma ameaça maior que a da temporada anterior. Esse plot só serve para descrever a sinopse da temporada nos DVDs da série. Ninguém precisa mais disso.

Agora resta torcer para que esses H-Vamp cumpram bem os seus trabalhos, e pelo amor de Deus, que a história não saia de Bom Temps. Isso de sair da cidade só deu certo uma vez quando parte do elenco foi para Dallas lá na segunda temporada. True Blood é True Blood (e isso é algo grandioso!), e não pode acabar como qualquer série.

Vamos melhorar porque só os peitinhos de Anna Paquin (ou os latidos e músculos do Alcide, dependendo do que você gosta) não vão sustentar essa temporada, não!

#TrueToTheEnd

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