True Blood 7×10 — Thank You

Não ouse falar da Tara. Entendeu? Não deixaria você me chupar naquele lugar nem por 1 bilhão de dólares. Quanto a eu te chupar naquele lugar… não haveria dinheiro no mundo suficiente. Mas há uma coisa que quero de você. Seu sangue. Ainda não fui vacinada.” — DE BEAUFORT, Pam Swymford

É inegável que True Blood foi um marco para a televisão mundial, mais um, aliás. Toda a série traçou paralelos com a nossa sociedade. O início, quando os vampiros revelam sua existência, o Fangtasia, bar temático, a hepatite V… Tudo muito claro, fácil de perceber que são elementos que estão presentes no nosso dia a dia, só com nomes trocados.

O sexo e a violência sem pudores, os juízos de valor, pessoas fofocando e julgando comportamentos de forma hipócrita. Está tudo aqui, nas nossas vidas, seja no Brasil, nos EUA, seja em capital ou cidadezinha do interior.

True Blood discutiu esses tabus com maestria, do início ao fim. Lutou bravamente pelos direitos civis dos “vampiros”, servindo a causa da pluralidade cultural e sexual. Tentou deixar a “guerra” mais igual. E nisso, é difícil falar mal.

trueblood7x10

Mas na narrativa? Aí é possível. Com altos e baixos, a série teve seus melhores momentos nos primeiros anos. Arrasadora, apresentou seus personagens e chocou com a forma explícita com a qual lidou com o sexo. Mas aí veio a segunda temporada, as orgias, a história ganhou novos rumos, apresentou novas “formas” de vida e ampliou a mitologia.

Até que surgiu Russel Edgington. Personagem que abalou as estruturas, deu um novo sentido para a violência, conquistando corações. As bruxas tentaram, mas não seguraram uma temporada sozinhas. Russel voltou, a deusa vampira apareceu, o deus fada arrasou e uma epidemia levou as coisas a um extremo.

Mesmo tendo muito a discutir neste season finale, a opção foi de fechar a história que estava em andamento, reduzindo muito as expectativas. As últimas três temporadas foram bem difíceis, mesmo que houvesse uma tentativa de tornar tudo mais simples, como antes.

Infelizmente, tudo não passou de um final de novela. Apenas mostrando que fim levou cada personagem. Hoyt perdoa Jason, volta com a Jessica, eles casam… Só faltou ela engravidar. A “guerra” entre vampiros e humanos, prometida no início da temporada foi completamente esquecida. Difícil de entender.

Agora, o mais chocante do final, pra mim, foi a “eutanásia” do Bill. Ao perceber que tinha uma doença degenerativa, que o mataria em pouco tempo, ele se preparou para morrer, tentou cuidar da vida dos seus entes e deixar tudo encaminhado para quando não estivesse mais “aqui”. Quando já havia aceitado a morte, surge uma oportunidade milagrosa. O único a entende-lo foi o Eric.

Bill nunca teve orgulho de ser um vampiro. Sempre foi amargurado por ter sido transformado contra sua vontade e se tornado um “parasita”. Se mantinha vivo porque é da natureza. Ele apenas abraçou a oportunidade de acabar com o sofrimento.

Sookie, por outro lado, ganhou uma chance de resolver alguns de seus problemas. Sempre, desde jovem, rejeitava seus poderes. Algo que ficou ainda mais claro em seu flashback (Tara, nunca gostei de você), quando ela reclama de ser telepata e a avó a consola.

Bill, com seu amor real por Sookie, percebeu que a única forma de faze-la esquecer, seria morrendo. Por isso deu uma oportunidade: mata-lo com a luz. Ela deixa de ser fada, ele já ia morrer de qualquer forma. Assim, se tornaria humana, normal. Acabaria com o sofrimento dele e ainda teria a chance de encontrar alguém, se casar, ter filhos.

Mas ela não abriu mão. Preferiu continuar sendo a Sookie, com tudo o que isso implica. Ser fada é parte dela. E fez uma escolha ainda mais difícil. Foi ela quem “desligou os aparelhos” do Bill. Matou ele friamente, com todo o calor que tinha para dar.

Lafayette foi esquecido por completo. Sam mal deu as caras, apenas fugiu. A filha fada do Andy nunca teve importância nenhuma. E o final do Jason? Então ele não tinha problema nenhum, era só um safadão mesmo? Nem pra viciado em sexo ele serviu… Se bem que teve três filhas em três anos.

Eric libertou Sarah, matou a Yakuza com uma facilidade inacreditável e assumiu as rédeas do New Blood. Se tornou um figurão, tudo o que ele não queria ser. Afinal, foi um fardo assumir a locadora, amenizado ao transformá-lo em bar.

E aí sobrou para a Pam, como sempre, ter o melhor diálogo do episódio. Seu papo com Sarah, que tentou as últimas cartadas para se manter viva, livre e bela, foi sensacional. Protegeu a memória da Tara e deu lição de moral. Terminando por aprisionar a Sarah, fazendo dela uma “prostituta” enlouquecida e assombrada pela memória de seu ex-marido.

Foi decepcionante? Foi. Foi condizente com os últimos episódios? Foi. Foi justo com a história da série? Não. Uma despedida melancólica para uma das séries mais transgressoras que já vi.

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