True Blood: machuca gostosinho…

It hurts so good… Já diziam as peças promocionais do seriado! E quem diria que isso seria verdade. Afinal de contas, dói um poquinho ver uma das suas séries favoritas derrapando, certo?

True Blood, série de Alan Ball (Six Feet Under) já passou a terceira temporada. Emplacou como hit e conseguiu para a HBO o que apenas The Sopranos havia conseguido. Os DVDs da primeira e segunda temporada venderam como água, os índices de audiência atingiram picos de season finale no meio do período de exibição. É um fenômeno, e ainda assim, alguns fãs alegam que o terceiro ano sofreu um queda na qualidade.

Isso mostra que temos coisas boas e ruins para discutir neste post. Bem-vindo ao Melhor e Pior de True Blood.

Metáforas

O que me deixava louco de tesão por True Blood eram as discussões propostas pela série. Já fiz um texto aqui apenas para discutir as metáforas da série, as piadas e brincadeiras que eles fazem ao se apropriar do normal do nosso dia-a-dia, englobando isso tudo a uma história fantástica de mortos, porém vivos para sempre.

É maravilhoso ver que uma das grandes marcas de cultura pop da atualidade faz parte de um canal como a HBO e que se propõe a discutir a exclusão, os marginalizados. Pelo menos, era disso que True Blood tratava em seus primeiros episódios. Os vampiros que ‘se assumem’, que passam a ‘sair do armário’ para ‘enfrentar o preconceito’ após a invenção do sangue sintético.

Agora são apenas fadas, lobisomens e atores modelos…

A Reinvenção dos Vampiros

Construir uma base mitológica coesa como Alan Ball fez no primeiro ano do programa não é tarefa fácil. E o mérito não é só dele. Charlaine Harris é a criadora original, mas Ball conseguiu deixar a história pronta para a TV, ou se preferir, para a massa.

Os vampiros existem, sempre existiram. Estão entre a gente e agora se revelam. Eles têm seu espaço, estão atrás de direitos constitucionais, são uma fatia consumidora do mercado com gostos e desejos rentáveis — eles não compram só a bebida Tru Blood, eles se hospedam em hotéis a prova de luz e dormem em caixões próprios para uma boa noite de sono.

Parece até piada, mas estes elementos, quando bem trabalhados, fazem a coisa funcionar agradavelmente. Muito melhor do que vampiros brilhantes, ou que usam anéis para sair por aí a luz do dia.

Cool Trash

Esse é um aspecto delicado da série. True Blood é bizarra desde seu início, mas há maneiras de ser bizarra e ser bizarra. A série chega ao limite do gore em alguns momentos. Muito sangue é o que a gente espera ao ver uma série sobre vampiros. Ter nojo faz parte do processo. Ainda assim, a série é, em sua maior parte, super cool.

Fala aí se não é o máximo ver um vampiro explodindo em gosma e plasma? Ou ver aquela quantidade gigante de sangue escorrer pela boca de Bill, ou qualquer outro vampiro, enquanto eles ‘chupam’ alguém? Ou então eles derretendo, praticamente carbonizando, a luz do dia?

Demais!

Elenco só de… gostosos

Eu sei, eu sei… A gente ama gente gostosa, claro! Mas, às vezes, True Blood vira Kubanacan (assim que escreve?) de tantos descamisados! Tudo bem de ter gente linda nos papéis da série, contanto que eles segurem os papéis que se propõem.

E dá para listar ótimos gostosos e gostosas que passaram pela série fazendo isso bem. A própria Anna Paquin já ganhou até prêmio de melhor atriz — e eu sei que muita gente não concorda com o prêmio, só digo que ela sabe interpretar uma mulher chata como ninguém!

Mas mesmo adorando todos aqueles lindos descamisados, às vezes, sinto falta de atores com mais cacife. O Alcides, por exemplo, teria sido um personagem muito mais bacana se ele não fosse apenas um gostosão peludo/pelado.

Sexo, Sexo, Sexo… com bizarrices!

Tô fazendo a linha ultra católico nesse post? hahahaha

É claro que a gente ama sexo. Até negritei! E ver sexo na TV atiça todo aquele voyerismo inerente do ser humano que vê BBB escondido. Mas tem coisa que extrapola e perde o charme. Vampiro por si só já tem a sexualidade no oitavo cosmos, só de vê-los mordendo o pescoço, ou mesmo as coxas, de um personagem, a gente já entende a conotação.

Mas quer saber, eu acho que não preciso ver o Bill comendo a criadora dele e torcendo o pescoço dela como se estivesse secando uma camisa no tanque. Tem coisa que a gente não merece, Alan Ball. Obrigado!

Tudo Junto e Misturado

Fadas, bruxos, lobisomens, mênades, telepatas, vampiros, demônios… Só falta eunuco, anão, gigante e zumbi!

True Blood começou com uma mitologia coesa, tratando muito mais de questões sociais do que folclóricas — apesar de se servir muito bem da segunda opção para fazer suas críticas. E ainda assim a série andava, evoluia, mesmo que discutindo dogmas religiosos, preconceitos, manipulação e blá blá blá.

De repente, a série se enveredou por outro lado. Passou a investir mais em mitologia, mas uma mitologia mal construída e que apela para moldes que estamos cansados de ler e ver por aí. Ao que parece, Charlaine e Ball foram tomar um chá, abriram o guia das criaturas mágicas e foram escolhendo quais seriam os próximos ‘vilões’. Por favor, voltem a discutir através de metáforas. A série é melhor nisso!!!

Fico feliz se na quarta temporada não tiver um saci.

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