TWD 2×10–18 miles out

“Não aja como se soubesse como fazer. Não aja como se soubesse as regras. Não há regras. Estamos perdidos”. — Rick

Eu me pergunto o que se passa na cabeça dos americanos pra dizer que esse foi um dos melhores episódios de The Walking Dead. 18 Miles Out sofreu com a falta de propósito, com cenas bipolares e implícitas, de significado incompleto. A impressão é que a série brincou de caça ao tesouro comigo e que a responsabilidade de encontrar os elementos que validassem a existência do episódio foi posta nas minhas costas.

A DR entre Shane e Rick poderia ter sido melhor escrita e interpretada. Mas a interpretação ruim não foi exclusividade dos dois atores, o elenco todo estava bem ruim. Logo de cara, eles se perdoam porque um comeu a mulher do outro e, na cena seguinte, os dois saem no braço por intrigas relacionadas à tomada decisões no grupo.

Tive a impressão de que o que mais importa é quem é o macho alfa, não quem comeu quem e de quem é o filho. A cena da briga entre os dois foi a que mais me incomodou. Faltou raiva por parte dos atores. Ambos estavam muito delicados e contidos um com o outro na hora de desferir os golpes.

Achei bastante incoerente o fato de que Shane precisou arrebentar a janela pra libertar os zumbis. A gente sabe bem que eles podem passar por elas facilmente. E tenho absoluta certeza que os mortos-vivos já estariam perambulando por lá depois de escutarem o disparo da arma de Shane.

Aqui caímos novamente em outro problema da série: é impossível saber como os zumbis funcionam. Nesta temporada, sabemos que alguns deles correm (embora a equipe da série afirme que isso não foi planejado), que alguns andam em bandos e, neste episódio, que eles sentem o cheiro de sangue a uma distância incrível — vide a cena em que Rick corta o dedo e espalha o próprio sangue na cerca. Detalhe esse que eu gostei de ver.

Já na fazenda, descobrimos que grande parte do elenco ganhou folga, afinal a situação se concentrou na filha de Hershel, que se recuperou do estado de choque e agora quer se matar. Tendo em vista o andamento da série e a forma como ela tenta nos impactar com as situações que nos mostram a cada semana, eu realmente não entendi a intenção de todo o discurso que a menina promoveu.

Essa é exatamente a mesma situação que Andrea passou, só que dessa vez, com uma personagem ainda mais insignificante que a primeira. E que impacto teria a morte de uma menina que teve suas primeiras falas só agora, depois de tanto tempo servindo de figurante e elemento anexo da paisagem da série? A cena só serviu de gancho para uma pequena tensão entre Lori e Andrea. Um tempo muito mal gasto de episódio.

Quando disse que o episódio foi implícito, foi porque alguns detalhes que julguei importante para o que podemos chamar de mitologia da série foram entregues dessa forma. Um exemplo disso foi a cena em que Rick e Shane encontram dois zumbis aparentemente sem mordidas. Se eu fosse vocês, manteria esse conceito em mente.

Este episódio deixou claro pra mim que equipes diferentes trabalham em episódios diferentes da série. Seja na edição ou no roteiro, tudo parece flutuar entre o ruim e o mediano. As histórias não ganham linearidade, nem mesmo dentro do episódio em que são apresentadas, quanto mais no andamento da série. Além disso, odiaria saber que ela está guardando tudo que tem para despejar de uma vez só no episódio final, da mesma forma que aconteceu quando Sophia foi encontrada. E a cretinice foi tanta, que o episódio se encerrou com um momento bastante inspirado em The OC.

A parte que não me desce é o fato de que The Walking Dead atinge 8 milhões de espectadores (números ótimos para um canal de TV a cabo) quando existem séries absolutamente superiores se agarrando no que podem pra continuar existindo. Vai ver a audiência se identifica com a falta de atividade cerebral dos zumbis.

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