TWD 2×11 — Judge, Jury, Executioner

Atirar nele pode ser mais humano.” — Rick

Lembram-se quando eu disse que tinha certeza que equipes diferentes produziam episódios diferentes? Esse episódio de The Walking Dead confirma minha suspeita. É absolutamente impossível que as mesmas pessoas que escreveram o episódio passado sejam as que escreveram esse.

Percebi que ele tentou ser o mais abrangente possível. Praticamente todos os personagens tiveram cenas e falas com o mínimo de relevãncia. Isso inclui até mesmo a coitada da Carol. Acho que o único que ficou jogado e esquecido no limbo do episódio foi T-Dog que, pra mim, já deveria ter empacotado dado ao alto grau de “utilidade” dele.

O que me faz gostar desse episódio é o fato de ele ter nos feito sentir surpresa, medo, raiva e até impaciência. É crucial que qualquer série consiga estabelecer essa comunicação com os espectadores. E é exatamente por isso que posso dizer que esse foi, sim, um dos melhores episódios da série, por ter sido completo.

Erros? Tivemos alguns poucos, na verdade, mas acho que isso é questão de ponto de vista. Achei bem estranho o fato de interrogarem o prisioneiro apenas agora. Senti que a série quis esconder os acontecimentos que levaram ao interrogatório. Ele fez algo suspeito? Resolveram decidir no palitinho o que fazer com o moleque? Mas de uma coisa eu tenho certeza, essa cena ser logo a primeira, colaborou muito pra que o andamento do resto do episódio mantivesse um bom padrão.

Outra coisa que também dá para por em discussão é a cena em que Rick não consegue executar Randall. Não é a primeira vez que ele amarela desse jeito e o fato de ele ser líder em palavra, mas não em atitude me incomoda muito. Mas se pensarmos bem, o fato da série conseguir levantar essa questão entre nós, que assistimos a série, só conta pontos positivos. Se eu fosse Rick, ficaria mais preocupado se meu filho me achasse um maricas borra-calças do que um cara frio e calculista.

Judge, Jury and Executioner também ganha pontos por nos fazer teorizar o que pode acontecer com os personagens daqui pra frente. Quem aqui não se pegou pensando como seria bom se Shane e Andrea realmente decidissem partir e formar um segundo grupo? E o que pensar de Carl agora que ele sabe que é culpado indiretamente pela morte de Dale?

Aliás, esse menino estava em chamas, não acham? Deu um coice em Gloria, discutiu com o pai, entrou no celeiro, mexeu nas coisas de Daryl e roubou sua arma. Isso sem contar a cena em que ele pede para o pai matar Randall. Gosto muito quando a série foca nas tentativas de Carl em agir como uma pessoa madura.

Dessa vez, foi bem mais latente o fator humano do episódio. Boas cenas mostraram o relacionamento dos personagens. Seja quando eles decidiam o destino de Randall ou Dale tentando fazer “lobby” para conseguir apoio de seus companheiros e manter o refém vivo. Apesar de Dale ter sido insistente e chato, me levando ao limite da irritação, compreendo bem que a cena era pra ser assim mesmo. Só não entendi porque Hershel estava presente na votação, já que ele disse que não se importava e não queria se envolver.

Duas cenas que me agradaram: o momento sogro-genro de Glenn e Hershel — foi ótimo ver uma interação mais suave pra quebrar toda a tensão do que acontecia dentro da fazenda; e Daryl fora do gurpo — fica cada vez mais clara a frustração do personagem em não ter conseguido salvar Sophia e, portanto, deixado se importar com outros que não fosse seu irmão. Tudo isso, penso eu, fez ele se afastar do acampamento dos sobreviventes e viver sozinho.

Tenho que confessar que a simples existência do personagem significa muito para The Walking Dead, principalmente por ele não vir das HQs. Fico aqui pensando se tanto Norman Reedus como os roteiristas e produtores tem a mínima noção de que ele já salvou a série diversas vezes. Pra terminar esse momento “adoração ao Daryl”, eu pergunto: quem mais é fodão o suficiente pra usar uma jaqueta com asas de anjo nas costas?

E claro que não poderia deixar de comentar o evento principal do episódio. A morte do Dale me pegou de surpresa. Não esperava que isso fosse acontecer tão cedo. Quando li que um personagem tinha morrido, logo pensei que fosse outro (que eu não revelarei porque é spoiler). Mas acho que o que mais me impressionou foi como ele morreu. Nunca tinha visto um zumbi praticamente abrir alguém com as mãos. Esse é outro detalhe que podemos adicionar na lista de características dos zumbis: a superforça.

Mas se você foi um daqueles que torceu o nariz, há uma explicação bastante plausível pra isso. Já ouviram falar de pacientes em manicômio que possuem uma força absurda, que torna quase impossível conseguir conte-lo durante um ataque? Imagino que o mesmo aconteça com o zumbi, que tem como o único instinto ir atrás de carne (não de cérebros, já que nos mostraram uma vaca mutilada).

A cena encerra muito bem o episódio, obrigando Daryl a fazer aquilo que todos ficaram o tempo inteiro discutindo. Um misto de sutileza e ironia, mostrando novamente a capacidade que uma história bem trabalhada pode ter. Só me resta agora torcer para que os próximos episódios mantenham o bom ritmo e a qualidade que pude ver neste. Me agrada muito mais escrever uma review com elogios do que uma que eu nem sei por onde começar a reclamar.

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