TWD 5×07 — Crossed

Escolha uma. Para você se proteger” — Carl, para o padre Gabriel

Fato é que Crossed foi um episódio bem deslocado da estrutura narrativa original desta primeira metade da quinta temporada. Mas de certa forma prova que não é nenhum sacrifício conduzir a história de TWD com histórias paralelas. O problema é que o melhor de cada história ou já foi contada ou será contada no próximo episódio, quando, de alguma forma, o que era fragmentado se tornará um só.

Contar a história de grupos a grupos é um recurso que a série usou para reorganizar os fragmentos do conjunto que eram Rick e os demais na prisão, e foi a época em que a audiência da série mais cresceu. Repetir esta estratégia na quinta temporada é mais uma decisão estratégica da emissora que do roteiro. Acredito que o fator novidade desta cadencia de tramas cansa, não é necessária e coloca em destaque personagens que muito pouco tem a acrescentar no todo.

Crossed é uma espécie de Cruzada Pós-Apocalíptica em busca de paz e de Carol. Rick deve a ela muito mais que um simples resgate a um lugar novo. O hospital se mostra cada vez mais frágil e sem uma estrutura confiável, a despeito de Terminus e Woodbury. O equilíbrio naquele local fechado é obtido por favores das mulheres aos homens e por um grupo bem reduzido de policiais. E há no hospital uma certa escravidão disfarçada de gratidão que não tem a menor chance de se manter por mais tempo.

Os grupos continuam sem um destino definido. Para onde ir agora, Abraham? Buscar Carol para levá-lo de volta à igreja? E Washington? Qual o sentido de fugir de um grupo que quer te proteger, padre Gabriel? Enquanto o grupo do hospital decide que não vale a pena salvar Carol, o grupo de Rick gasta grande parte de seus recursos para buscá-la, enquanto o grupo que acompanha Eugene está perdido no meio do caminho. Quanto valem as pessoas e o quanto de recursos devem ser gastos com cada um deles?

TWD 5x07

Esse é o dilema do momento. Enquanto Abraham volta ao sentimento de que nada mais vale a pena, inclusive voltando a mesma posição que ele se encontrava quando viu que sua família havia sido morta, os grupos precisam encontrar um equilíbrio entre os gastos e os ganhos proporcionados pelos gastos. Nada que os animais não conheçam de trás para frente, que instintivamente escolhem sempre entre os gastos e os ganhos. E é exatamente essa relação que permite aos animais sobrevivência. A série chegou num ponto em que as personagens voltam-se tanto para seu estado original, não civilizado, e passam a escutar seus instintos escondidos no DNA ancestral. Será que para Gabriel o risco de ser descoberto era maior que sua consciência? Ou será que o grupo não aceitaria as atitudes dele? Ou será que a segurança que o grupo de Rick passa foi insuficiente para ele?

Eugene é o típico caso do poker face, que engana para vencer. E essa atitude também não é mais suficiente para proporcionar a ele uma segurança junto a Abraham. Mas o legado que ele pode deixar é algo a se considerar. Ele ensinou à Rosita como conseguir água a partir de um filtro simples, feito com forro de casaco. E como professor de ciências ele tem sim a acrescentar. O medo de Eugene de ter que se defender com as próprias mãos fez com que ele inventasse toda essa história de salvar o mundo. E muito provavelmente também fez ele ficar paralisado depois do soco de Abraham. Eugene é um peso morto ou um recurso a ser usado?

Já o grupo do hospital briga por recursos mais palpáveis: remédio, suprimentos que podem garantir a vida dos sobreviventes. E tem como proteção os policiais de Atlanta, que tem uma triste historia de luta contra os errantes e contra os que querem invadir seu reduto. Eles farão de tudo para não entregar sua fortaleza tão fácil assim. E ele viu em Sasha o elo mais frágil do grupo e a enganou. Usou da vulnerabilidade dela para arquitetar um plano e fugir do cativeiro improvisado que Rick Daryl e cia como parte do plano de salvar Carol. Até onde eles irão para resgatá-la? Será que vale a pena? Será que ela, que viveu sua saga épica nas últimas temporadas, não está mesmo debilitada a ponto de não conseguir se erguer?

Caberá a Rick decidir entre os recursos e o coração. O quão o grupo sairá prejudicado desta cruzada em busca de Carol? É papel do líder tomar a decisão difícil na hora difícil. Assim, Rick pode crescer no meu conceito, como vem nesta temporada, e tornar-se o mais apto líder que aparece na série.

O próximo episódio, Coda, há a promessa de aparecimento de novos inimigos, que vamos conhecer melhor mesmo só na segunda metade da série. Fiquem com a promo e até a próxima semana.

P.S: Michonne cada vez mais apagada na série, chegando ao nível de Gleen e Maggie… Triste! Volta Ninja de Ébano!

P.S.1: O discurso de Carl ganha ainda mais força se focamos no crescimento do personagem. Coisa boa vem por ai…

P.S.2: To buscando extrair dos episódios ruins algo que venha de encontro à filosofia da série, mas olha… ta ficando puxado!

P.S.3: E a criatividade com os errantes não acaba nunca! Ponto para caracterização.

Sobre o Autor

Avatar

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Lidio Mateus, o brazilian singer da internet, comenta todos os bafos e segredos de sua carreira.

Tem série nova na HBO e os bastidores dela foram recheados de TRETAS. A gente conta todas neste vídeo.

Esse é o filme que vai ganhar o Oscar de filme estrangeiro. Neste vídeo comentamos Parasite. Assista!

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!

OUÇA ACABEI DE LER