TWD 7×01 — The Day Will Come When You Won’t Be

The day will come when you won’t be estabelece definitivamente as novas regras do mundo para os sobreviventes de Alexandria.

Eu vou matar você. Não hoje. Não amanhã. Mas eu vou matar você.” — GRIMMES, Rick.

Depois do polêmico finale da 6ª temporada, os produtores de The Walking Dead tinham uma difícil missão. Os spoilers corriam soltos, sendo o principal deles o próprio material de origem. Além disso havia a fúria de muitos fãs com o cliffhanger deixado pelo roteiro. Assim eles não podiam confiar apenas no choque que a morte de um dos personagens principais ia causar.

Há quem diga que as dificuldades servem para fazer com que nos aprimoremos. No caso de TWD parece que essa premissa se cumpriu, porque a solução de focar o episódio inteiro no esfacelamento do ego de Rick conseguiu mexer de verdade com o coração dos fãs ao redor do mundo inteiro.

Não que as mortes tenham sido fáceis de assistir, pelo contrário. Foram brutais, nauseantes, mais gráficas do que se podia imaginar a ponto de levantar protestos em alguns segmentos sociais nos EUA pela alta dose de violência. Mas o público pediu pelo gore e ele vem se fazendo cada vez mais presente, antes nas maquiagens dos zumbis, agora na violência contra os vivos.

As perdas de Abraham e Glenn irão repercutir durante muito tempo tanto para os personagens, quanto para os fãs. Fica o consolo de que elas servirão para a evolução nas histórias de todos os personagens ali presentes, em especial Maggie, Sasha, Rosita, Rick e Daryl (poxa, Daryl! Podia ter ficado quieto!).

Depois da adaptação do Governador na terceira temporada, muitos fãs dos quadrinhos tinham receio do que seria feito com o Negan, porém Jeffrey Dean Morgan chegou com tudo e sua interpretação é apenas — por mais que odiemos o personagem — deliciosa de se assistir. Podemos ter a certeza que nas mãos do Negan tudo tem um propósito e que seu poder vem do terror psicológico que ele propaga. Mesmo a violência física (e aparentemente gratuita) serve para fixar a tortura subjetiva de forma a quebrar o espírito dos personagens.

Foi um episódio em que não se pode evitar prender a respiração em vários momentos; 46 minutos de pura tortura psicológica de Negan sobre Rick, cuja postura desafiadora era bem difícil de quebrar. E na jornada dos dois personagens a audiência embarcou junto, tornando-se um episódio inteiro de pura angustia. Foi possível sentir a humilhação, o ego se esfacelando. E mais uma vez é preciso dar o mérito da atuação para Andrew Lincoln que sempre é ignorado pelo Emmy, sabe-se lá porque.

Ver o Rick impotente diante do discurso e das ações de Negan foi a desconstrução do protagonista que, mesmo não tendo tudo sobre controle, conseguia contornar as situações, desafiar os limites e firmar-se cada vez mais como líder.

A cena em que Negan encontra álcool e começa a limpar o machado, com o foco da câmera no braço do Rick foi uma tortura para quem lê os quadrinhos, a qual continuou quando o braço do Carl foi ameaçado. Não dava pra acreditar que após perder o olho o garoto ia realmente ser mutilado novamente, mas as atuações de Danai Gurira, Chandler Riggs e Andrew Lincoln (a mudança no olhar foi incrível) conseguiram extrapolar a sensação de que o perigo era real. Mais uma vez, parabéns aos envolvidos.

Por fim, temos um Rick (literalmente) no chão, sem ninguém para ser seu “braço direito”. Uma família recolhendo pedaços (sem trocadilhos). Ênfase também para a atuação das viúvas (o desespero contido de Sasha, o choque de Rosita, o choro e o fraquejar de joelhos de Maggie) foram de cortar os corações mais insensíveis.

Mesmo a cena do almoço em família, que pode ter parecido desnecessária, serviu como contraponto ao afirmar que a felicidade é um horizonte muito distante. Serão tempos sombrios para Alexandria.

Fiquem com o promo do próximo episódio:

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